Momento Retrô: Final Fantasy
junho 16, 2019“Quando as trevas surgirem, quatro guerreiros da luz aparecerão. Se eles não puderem juntar os fragmentos da luz, as trevas vão consumir tudo, e os quatro cristais jamais brilharão novamente.” E é assim começava uma das maiores sagas da histórias dos games. Mesmo que muitos digam que este é o jogo mais fraco da franquia, Final Fantasy é um dos, ou se não, “O” jogo mais importante da história dos RPGs eletrônicos.
A terceira geração dos videogames vinha com o legado de salvar o mercado do fantasma do crash dos videogames, que foi sentido em sua força total na América do Norte. Nessa mesma época, os japoneses criaram um “sistema” alternativo para contornar o problema. A era dos 8-bit trouxe aos players jogos de verdade, que intensificava a experiência de jogar e de entrar em outros mundos. Final Fantasy salvava o mundo da escuridão, e uma empresa da falência.
Os elementos do vento, da água, da terra e do fogo, incorporados pelos quatro Cristais, trouxeram equilíbrio e prosperidade ao mundo. Agora, um paradoxo sobrenatural joga as forças da natureza em desordem, ameaçando engolir a terra na escuridão. Embora o medo domine a população, a esperança permanece em uma profecia:
“Quando a escuridão encobrir o mundo, quatro Guerreiros da Luz virão”.
Um dia fatídico no reino de Cornélia, quatro jovens viajantes chegam sem memória de seu passado, cada um segurando um cristal. Os Cristais que eles carregam levam o rei a acreditar que eles são os heróis da profecia, desesperado, ele implora para que eles salvem sua filha, a Princesa Sarah. Isso marca o primeiro passo de sua busca para libertar o mundo das garras do caos.
Em Final Fantasy pode-se controlar os quatro guerreiros da luz, sendo possível escolher entre as classes: guerreiro, monge, ladrão, mago branco, mago negro ou mago vermelho e nomear cada um deles.
A jogabilidade, até então, é bem mais complexa dos jogos da geração anterior. O sistema de batalha por round ainda era uma novidade assim como a narrativa que vai prosseguindo durante o decorrer do jogo. O jogador pode viajar pelo mundo a pé, de navio, canoa e a icônica Airship da saga já estava presente desde o primeiro jogo.
Naquela época, jogos com narrativa complementavam as limitações da plataforma, que ainda não contribuía para jogos mais intuitivos ao público, devido a isso, o game vinha com um manual muito bem detalhado, trazendo as informações não suportada pelo sistema de 8-bits: Mapas do mundo, mapa das masmorras, lista de todos os monstros, lista de todas os itens e seus atributos, definições das classes e muito mais.
O jogo não era nada fácil, você só podia salvar em pousadas ou com item, e fazer isso não removia status como envenenado. Aliados mortos só podiam ser revividos com a magia do Mago Branco, ou visitando uma igreja que na versão americana se tornaram em clínicas.
Os inimigos não deixavam itens, e algumas das magias do jogo eram absurdamente caras. Havia também os ataques ineficazes: se alguém do seu grupo matasse o inimigo antes do restante atacá-lo, ataques e magias eram desperdiçados. Os monstros mudavam de uma luta simples para uma batalha praticamente impossível, de uma hora para outra. A Square iria diminuir a dificuldade a cada sequência e versão do primeiro jogo lançada, tentando balancear a dificuldade do jogo.

Em 1987, a Square era mais uma pequena empresa de jogos japonesa que passava por problemas financeiros. Os investimentos foram perdidos em títulos que tiveram baixas vendas como Death Trap, Cruiser Blassty, Alpha e outros. Com recurso para uma última tentativa, a empresa deu ao diretor de planejamento e de desenvolvimento a missão de criar um jogo que salvasse o futuro da Square no mercado.
Inicialmente, Hironobu Sakaguchi pretendia fazer um RPG, porém a Square recusou a proposta, pois temia as baixas vendas do título. Porém, como lançamento de Dragon Quest a empresa reconsiderou sua postura sobre o gênero e aprovou a visão de Sakaguchi em criar um jogo inspirado em Ultima e Wizardry. Eventualmente, o jogo foi trabalhado com o título de Fighting Fantasy, mas devido a questões de marca registrada, o próprio Sakaguchi sugeriu a mudança do título para Final Fantasy, que teve uma equipe de sete pessoas conhecida como “A-Team”.
Os designers Koichi Ishii e Akitoshi Kawazu foram os principais responsáveis pelo elaborado sistema de batalha, inserindo elementos que até então eram inéditos nos RPGs, como adicionar aos inimigos fraqueza contra fogo e gelo, por exemplo. Eles defenderam a opção do jogador em escolher suas próprias classes e personalizar seu próprio time.
O cenário foi criado pelo escritor Kenji Terada, baseada em uma história de Sakaguchi. Já a ideia dos Cristais foi fortemente influenciada por Ishii, que também sugeriu que o ilustrador Yoshitaka Amano ficasse responsável pelo designer dos personagens, que inicialmente não agradou muito Sakaguchi, mas Ishii insistiu no trabalho do ilustrador até conversar o chefe.
A trilha sonora foi composta pelo ilustre Nobuo Uematsu, que trabalhou na maioria das trilhas sonoras da saga, até deixar a Square em 2004. Entre outros desenvolvedores estão os programadores Kiyoshi Yoshii, Ken Narita e o iraniano Nasir Gabelli que além de programar o designer também criou o minijogo de quebra-cabeça dentro de Final Fantasy. Quando o projeto começou a se mostrar promissor, o designer Hiromichi Tanaka e seu “B-Team” se juntaram ao desenvolvimento. A falta de fé na equipe de Sakaguchi acabou motivando os a equipe a dar o melhor de si no projeto.

Sakaguchi levou uma ROM do jogo em desenvolvimento para a revista japonesa Famicom Tsushin,porém afirmaram que não iriam revisá-lo. No entanto, Famitsu deu ao jogo extensa cobertura. Inicialmente, apenas 200.000 cópias seriam enviadas, mas Sakaguchi pediu à empresa que produzisse 400.000 para ajudar a gerar uma continuação, e a gerência concordou, então a versão original da NES vendeu 520.000 cópias no Japão. Após a bem-sucedida campanha norte-americana de Dragon Quest , a Nintendo of America traduziu Final Fantasy para o inglês e o publicou na América do Norte em 1990. A versão norte-americana de Final Fantasy teve um sucesso modesto, em parte devido às táticas de marketing agressivas da Nintendo. Nenhuma versão do jogo foi comercializada na região Latino-Americana até Final Fantasy Origins em 2003.
Final Fantasy foi refeito várias vezes para diferentes plataformas e tem sido frequentemente relançado juntamente com Final Fantasy II em várias colecções. Embora todos esses remakes mantenham a mesma história básica e mecânica de batalha, várias mudanças foram feitas em diferentes áreas, incluindo gráficos, sons e elementos específicos do jogo.
De acordo com o departamento de publicidade da Square, os lançamentos japoneses Famicom e MSX venderam um total combinado de 600.000 cópias, e o lançamento americano do NES vendeu 700.000 cópias. Em de março de 2003, o jogo, incluindo todos os relançamentos e remakes no momento, havia enviado 1,99 milhão de cópias em todo o mundo, com 1,21 milhão dessas cópias sendo enviadas para o Japão e 780 mil para o exterior. A partir de 19 de novembro de 2007, outra versão do PlayStation Portable já vendeu 140.000 cópias.
Antes dos jogos full-motion e do diálogo sonoro começarem a dominar os RPGs, o primeiro Final Fantasy da Square abriu as portas do mundo ao RPG do console e deu início a uma série que ainda continua forte até os dias de hoje. O primeiro jogo da série tornou-se um dos RPGs mais populares dos anos 80 e um dos títulos mais famosos do Famicom e do Nintendo Entertainment System. Este clássico pode ter caído no esquecimento de alguns ou ter sido ofuscado por suas sequências de sucesso, mas você não pode negar a importância e o impacto deste jogo para consolidação do gênero.
Curiosidades:
O mais popular (e geralmente o mais poderoso) monstro “summonable” dos jogos de Final Fantasy faz sua aparição já no primeiro Final Fantasy . Neste jogo você ainda não pode convocar o rei dos dragões, mas ele fala com você.
Há rumores de que o compositor Nobou Uematsu compôs a música tema em apenas cinco minutos.
Em Elfland, há três lápides ao lado da loja de Magia Branca, o mais distante à esquerda diz
“Here lies Erdrick” “837 – 866” “RIP”
Esta é uma referência a um personagem em Dragon Warrior mas na versão japonesa, o túmulo diz “Aqui reside Link” em vez disso. Link, é claro, é o herói da série Legend of Zelda .
O Jogo foi chamado de Final Fantasy porque Sakaguchi queria se aposentar da carreira de desenvolvedor e esta seria a sua Fantasia Final. Já Nobuo Uematsu rebateu afirmado que a razão por trás da escolha era que a Square iria a falência e que a equipe de desenvolvimento acreditava que este seria o canto do cisne da empresa.
Dados técnicos:
Gênero: Role-playing (RPG)
Desenvolvedor: Square
Publicação: Nintendo
Principais Plataformas: NES, MSX, GBA, PSP e outros
Lançamento: 18 de Dezembro de 1987
Então galera, o que acharam do Momento Retrô desta semana? Com certeza vocês, assim como eu, devem ter um lugarzinho no coração pra essa saga maravilhosa. Espero que tem curtido e até a próxima!

Vívian Kim
Estudante de Jogos Digitais e Level Designer.
“Os jogos ainda irão dominar o mundo”
Level designer de jogos e cientista de coração, apaixonada por videogames e cultura nipônica. Os videogames são como café para alma.













