Lá e de volta outra vez – Reflexões de Renato Degiovani sobre a BGS 2023
outubro 21, 2023E lá se vai mais uma BGS que, como sempre, foi grande, barulhenta, lotada de gamers e pouco proveitosa pra quem é pequeno. Ainda assim é uma feira imperdível.
Sobre a gritaria
Não lembro (talvez por conta da idade) as feiras internacionais de informática nos anos 80 ou as fenasofts já nos anos 90 (que eram tão grandes ou maiores) serem tão barulhentas. Ano passado já tinha sido ruim mas esse ano a BGS se superou. Na minha opinião, quando todo mundo está literalmente gritando, ninguém é capaz de entender direito o que se está vendendo e se eu não entendo o que está à venda é certo que não irei comprar. Simples assim.
Manter um simples diálogo com outra pessoa, ou desenvolvedor ou mesmo o vendedor/apresentador de um jogo é quase uma façanha. Mas entendo que a feira não seja para isso. De novo, não entendo, logo não compro.
Lotadaço
Não sei dizer se o público deste ano bateu recorde mas sei que em muitas ruas era praticamente impossível trafegar. Quem tem claustrofobia não deve ir numa feira dessas de jeito nenhum.
Até mesmo a avenida indie tinha pontos que estavam constantemente congestionados, mas isso era gerado por outro problema: a avenida é muito estreita. Basta um ou dois pararem para ver um jogo e o mesmo acontecer no estande à frente e fica impossível passar por ali. Mais uma vez: se eu não consigo ver…
Sinalização
A BGS nunca foi um primor de sinalização mas esse ano a coisa foi insana. O que tinha de gente com o mapa na mão perguntando onde ficava isso ou aquilo não estava no gibi. Bastava numerar as ruas e colocar algumas placas grandes.
Pior mesmo foi obrigar todo mundo que queria sair a dar uma volta enorme para passar por dentro da lojinha oficial.
Os games
Embora a presença de “mais do mesmo” tenha sido forte, tinha muita coisa bacana pra ver e mais uma vez digo que a feira é imperdível, mas as aglomerações, filas e o som nas alturas, vai dando um cansaço na gente até aquele ponto: meu reino por uma cadeira. Boa parte dos convidados estrangeiros também entraram na vibe do mais do mesmo. Mesmo com a presença inédita do criador do Tetris.
Surpresa
Para o delírio da galera retrô, o melhor jogo indie, pela IGN Brasil, foi um jogo criado em 2023, específico para consoles Atari 2600. Parabéns para o pessoal da Bitnamic e em especial para o criador do jogo Fernando Salvio.
Este fato só não colocou fogo no parquinho porque, no fundo, ninguém prestou muita atenção no que estava acontecendo no estande ao lado. Nem a imprensa, já que essa premiação teria potencial de colocar em cheque os investimentos de estúdios indies que foram parar lá a duras penas.
E por último, mas ainda assim importante, uma vez que o evento principal dos devs (o BIG festival) deixou suas raízes para ser uma espécie de BGS lado B, fica aqui o registro de em nenhuma outra BGS estive com tantos devs amigos quanto nessa. Só faltou mesmo, a exemplo das salas de imprensa, uma sala dev. Seria top.
Renato Degiovani esteve na BGS 2023 a convite da Bitnamic. Imagem: fotomontagem


Colaborador do Quebrando o Controle e auto-declarado Extreme-Geek e D&D player, o profissional atua há 15 anos no jornalismo de games, com passagens pelos veículos Portal GeeK, Game Cultura, GameStorming, Rádio Geek e Drops de Jogos, entre outros.




