Ideias em jogo: Personalidades Gamer – Raph Baer

dezembro 15, 2015 0 Por Izequiel Norões
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No último dia 06/12 completou um ano de falecimento de um dos maiores responsáveis pelo surgimento da forma que conhecemos atualmente de jogar videogames, um engenheiro e inventor naturalizado americano de nascimento alemão, Ralph Henry Baer (ou com seu nome de nascido Rudolf Heinrich Baer). Um homem que deixou seu nome na história e pode ser considerado como  “o pai dos videogames atuais”, para ser mais exato ele deu origem ao que conhecemos hoje por console de videogame, comumente conhecido no Brasil como videogame. Também foi um dos primeiros a iniciar o mercado de jogos eletrônicos com a comercialização do Odyssey.

Um pouco de sua biografia pode ser vista no seu site, mas vamos a um breve resumo:
Nascido  em 08 de março de 1922, filho de pais judeus, na cidade de Pirmasens, no sudoeste da Alemanha. Uma época que com certeza não era muito favorável para uma criança judia crescer na Alemanha. Quando criança (1933),  foi expulso de sua escola, não porque ele era um encrenqueiro ou de um mau aluno, mas simplesmente porque ele era judeu. Era forçado a ir para uma nova escola, onde todos eram judeus. Notadamente a  Alemanha naquela época teria se tornando um lugar perigoso para as pessoas de sua etnia/religião morarem, então, foi forçado a fugir em 1938 para a Holanda, e em seguida para os Estados Unidos. Ao chegar na América, não demorou muito para ele começar a trabalhar no campo da eletrônica, graduando-se como técnico de rádio do National Radio Institute em 1940. Nos três anos seguintes, ele dirigiu uma loja em Nova York, que consertava, além de rádios, sistemas alto falantes e televisores.

Veio então a Segunda Guerra Mundial  e interrompeu seus planos e negócios, quando em 1943, Baer foi convocado pelo Exército Americano. Ele trabalhou serviço de inteligência, onde primeiramente escreveu documentos de treinamento para as tropas aliadas, ajudava como identificar uniformes alemães, o funcionamento das armas alemãs, etc. Se não fosse por uma doença, no entanto, as coisas poderiam ter sido muito diferentes. Em maio de 1944, Baer foi separado da sua unidade, por uma confusão burocrática, e foi designado, ao lado de alguns soldados da reserva, para a invasão da Normandia. Durante o treinamento, no entanto, Baer contraiu pneumonia, e foi enviado para um hospital militar, onde, de cama, ele completou um curso de álgebra por correspondência.  Dentro de algumas semanas a sua antiga unidade de inteligência o encontro e ele novamente se juntou a eles. Foi somente mais tarde que Baer soube que a tropa com a qual ele treinou, fez parte dos desembarques do Dia-D. Durante a guerra, Baer não se transformou de um perito em rádios ou comunicações, como seria de esperar dada a sua formação, mas sim em armas pequenas (pistolas, rifles, metralhadoras, etc) ficando a serviço do Exército Americano por 3 anos. Quando a guerra acabou, Baer conseguiu levar 18 toneladas de armamento inimigo e aliado não-americano aos Estados Unidos, com o qual ele fez várias exposições, com o consentimento do exército.

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Serviu no exército americano por 3 anos (43 a 46).

 

Em 1949, Baer passou a trabalhar como engenheiro-chefe de uma pequena empresa de equipamentos eletro- médicos, Wappler , Inc., onde ele projetou e construiu máquinas de corte cirúrgicos , depiladoras e  equipamentos de tonificação muscular por geração de impulsos de baixa frequência. Em 1951, Baer passou a trabalhar como engenheiro sênior para Loral Eletrônica em Bronx, Nova York, onde ele projetou linha de energia transportadora de sinalização para a IBM. De 1952 a 1956, ele trabalhou na Transitron , Inc., em Nova York como um engenheiro-chefe e depois como vice-presidente. Ele até começou a sua própria empresa,  mas juntou-se a empresa de produtos militares para defesa Sanders Associates em Nashua , New Hampshire (agora parte da BAE Systems Inc. ) em 1956, onde permaneceu até se aposentar em 1987.  Iniciou na Sanders  supervisionando cerca de 500 engenheiros em o desenvolvimento de sistemas eletrônicos para aplicações militares, em paralelo a este trabalho, começou a explorar a possibilidade de jogar jogos em telas de televisão. Esta ideia havia tido anteriormente enquanto trabalhava na empresa Loral em 1951, que também lidava com produtos eletrônicos, mas esta não queria nada com o conceito de um console de videogames domésticos. Com esta equipe e trabalhos paralelos ele viria a criar a base para as primeiras unidades comerciais vendáveis, patenteando muitas ideias e avanços para  videogames e brinquedos eletrônicos.

O pioneirismo e suas criações

Sem trabalho pioneiro de Baer nos anos 60 e 70, a indústria de videogames moderno seria totalmente diferente hoje. Em meados de 1969, em seu projeto paralelo na Sanders, com o investimento de  US $ 2.500 e o tempo de dois outros engenheiros, Bill Harrison e Bill Ruschem,  deram origem a famosa caixa marrom ou “Brown Box” (assim chamado por causa da fita marrom em que se embrulhou as unidades para simular madeira folheada) que seria o primeiro protótipo do que conhecemos hoje como console de videogame e que originou o primeiro console doméstico comercial, o Magnavox Odyssey em 1972.

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A caixa marrom criada por Baer, que revolucionou o modo de interação com a TV

O Odyssey, chegou ao mercado três anos antes Pong console doméstico da Atari, que foi fortemente inspirado pela criação de Baer. Mesmo que o Pong tenha se tornado mais conhecido que o Odyssey, a Sanders Associates e a Magnavox viram ali uma violação de patente – então processaram a Atari em 1974 e receberam US$ 700 mil. Ao longo dos 20 anos seguintes, a Sanders e a Magnavox processeriam dezenas de outras empresas, ganhando ao todo mais de US$ 100 milhões. Baer foi testemunha em muitos desses casos. Além de criar o console e seus primeiros jogos , ele também criou o primeiro jogo de pistola de luz do mundo – um pacote de expansão para o Odyssey chamado Shooting Gallery. Baer foi um inventor muito produtivo durante a sua vida , mantendo 150 patentes no momento da sua morte e da criação de produtos fora da indústria de videogames.

Magnavox-Odyssey

Magnavox Odyssey – O primeiro console comercial

Um outro de seus inventos foi o Simon (Conhecido no Brasil como Genius)  surgiu em 1978 e se tornou, nos anos 1980, um ícone da cultura pop. Ele é vendido até hoje.

Em 2006, Ralph H. Baer recebeu das mãos do então presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, a Medalha Nacional de Tecnologia.

Em 2008, foi homenageado com o prêmio de pioneiro na conferência Game Developers.

Em 2010, entrou no Hall da Fama do National Inventors, entidade que reúne os inventores americanos.

Em 2014, partiu e deixou para nós esse grande invento chamado console de videogame.

“Para mim, ter ideias novas e transformá-las em produtos reais foi sempre tão natural quanto respirar”, escreveu Baer em sua autobiografia, “Videogames: In the beginning”, publidada em 2005.

Vou parando por aqui e deixo alguns vídeos que falam mais deste fantástico inventor que com certeza soube muito bem como colocar suas ideias em jogo!

– Testando a Brown Box

– Um dos comerciais da época do lançamento do Odyssey

– Ver o ator Tom Cavanagh (O Flash Amarelo) entrevistando o mito Ralph Baer e ainda vendo ele colocando pilhas no Brown Box para mostrar como funciona #NãoTemPreço!!!

 

Autor: Izequiel Norões

 

Referências:

https://en.wikipedia.org/wiki/Ralph_H._Baer
http://www.nintendolife.com/news/2014/12/the_father_of_video_games_ralph_h_baer_passes_away_aged_92
http://www.neogamer.com.br/2011/06/historia-de-vida-de-ralph-baer-o-pai.html
http://www.ralphbaer.com/biography.htm