Ideias em jogo – O cenário atual do mercado de games – Bate papo com Gerson de Sousa
abril 14, 2015
Olá pessoal! Estamos voltando com mais uma postagem, que com certeza pode e deve chamar a atenção das pessoas que se interessam pelo cenário do mercado atual brasileiro.
Muito tem se falado sobre a situação econômica brasileira e muitas pessoas envolvidas em negócios começam a mobilizar suas “bolas de cristal” e projeções para poder se alinhar e adaptar-se as condições instáveis que estamos passando. Contudo, esta situação realmente afeta o mercado de jogos e os desenvolvedores brasileiros?
Conversei com Gerson de Sousa, gerente executivo da Abragames e fiz algumas perguntas sobre o cenário atual e seu ponto de vista a respeito. Confira a entrevista na integra logo abaixo:
Izequiel: Nos últimos 3 anos o Brasil encontrava-se com um mercado de games em aquecimento, mas nos últimos meses notamos alguma instabilidade e um grande aumento no valor da moeda americana, como isso pode impactar o mercado de games brasileiro?
Gerson: A produção nacional não será afetada de maneira negativa pelo aumento do dólar americano, pelo menos não de uma maneira direta. Este aumento chega até mesmo a ajudar aquelas desenvolvedoras que produzem para o mercado internacional, pois a produção fica mais competitiva devido ao câmbio favorável ao dólar.
Quanto à instabilidade econômica do país, isso com certeza poderá afetar de maneira negativa as desenvolvedoras nacionais, pois é algo que impacta todo o cenário nacional.
Em relação ao mercado de consumo… Este será afetado de forma direta, pois os jogos são importados e refletem diretamente o aumento do dólar.

Izequiel: Quais perspectivas podemos colocar para os desenvolvedores brasileiros para o cenário atual?
Gerson: A produção nacional se encontra em ascensão e as plataformas em foco são os mobiles. Os desenvolvedores nacionais devem procurar desenvolver, o quanto antes, seu lado de business (negociação, venda, marketing, etc.).
E é muito importante também, que o devs nacionais não se limitem somente ao mercado nacional, pois além de diminuir extremamente o potencial de sucesso e venda dos seus projetos, sujeitos diretamente à situação econômica do país, a qual é muito instável.
Os desenvolvedores devem estar sempre buscando oportunidades no mercado global.
Izequiel: Qual o perfil e quantas empresas temos hoje no mercado brasileiro de desenvolvimento de jogos?
Gerson: De acordo com dados da Abragames, estima-se que existam aproximadamente 200 empresas dedicadas ao desenvolvimento de jogos no Brasil atualmente. Apesar da falta de pesquisas ou estimativas atualizadas sobre o perfil das empresas de games, é possível notar que o padrão mais comum das empresas são aquelas fundadas por jovens empreendedores com dificuldades para manter seus negócios através de receitas da venda de seus produtos, optando assim, pela venda de serviços, normalmente para o mercado publicitário. Dentre estas empresas podemos destacar: Hive, Joy Street, Jynx, Aquiris, Pixfly, Tectoy, 2Mundos, Critical Studio, Hoplon, Ilusis, Oniria, RockHead, Manifesto, Oktagon Games, 44 Toons, Webcore e Redalgo.
Todas citadas por diversos fatores, entre os quais: tempo de atividade no mercado, faturamento acima da média, faturamento estável, experiência da equipe ou vivência internacional/exportadora.
Izequiel: Além do Brasil, e considerando que você colocou que os desenvolvedores deve ter olhos para além das nossas fronteiras. Quais seriam os principais mercados que devem ser notados?
Gerson: Os mercados mais adequados para as empresas brasileiras são os da América do Norte e Europa, por questões culturais e pelo volume de consumo.
Embora o mercado asiático seja muito importante em termos de valores, as diferenças culturais o torna mais complexo em termos de fechamento de negócios e adequação dos nossos produtos. Os mercados japonês, coreano e chinês, por exemplo, exigem uma compreensão superior quanto a cultura dos consumidores por parte do nossas empresas.
Os países ocidentais citados estão muito alinhados com a cultura brasileira quando observado o tipo de produção cultural consumida aqui e lá em termos de cinema, música, televisão e jogos para videogame. Nosso fuso horário em relação a EUA e Europa é confortável e nossos executivos não tem problemas em se comunicar usando o inglês com potenciais parceiros nesses mercados.
O bate papo ficou por aqui, mas ainda há muitas outras informações que irei passar com mais detalhes em matérias futuras.
Para quem ainda não conhece, é válido comentar sobre a Abragames, que é uma entidade que visa organizar, coordenar, fortalecer e promover a indústria brasileira de jogos digitais através da representação e interlocução do ecossistema nacional e internacional, cosntruindo um entendimento de todos os elementos de nossa cadeia de valor, bem como a promoção de eventos e parcerias que tragam ao estado da arte o desenvolvimento da indústria de jogos no Brasil. Mais informações em: http://www.abragames.org/ e fanpage: https://www.facebook.com/abragames
Valeu pessoal! E caso queiram saber mais informações, não deixem de acompanhar o grupo Ideias em Jogo no Facebook: https://www.facebook.com/groups/ideiasemjogo/
Autor: Izequiel Norões

Professor, Analista de Sistemas, Presidente da UCEG e pai do Icaro.
“Os jogos podem mudar o mundo”



