GAME VIBE: Space Channel 5 e a fuga de conceito
março 6, 2017Recentemente, em uma aula da faculdade meu professor nos mostrou um curioso jogo chamado Space Channel 5, disponível para Dreamcast, PlayStation 2, PlayStation Portable, Game Boy Advance e Windows. Seu conceito é simples e criativo, um jogo de ritmo em que a protagonista combate aliens invasores usando seus habilidosos passos de dança. Com uma certa relutância ele chegou ao ocidente, sendo que a versão mostrada no vídeo está totalmente localizada em Inglês.
Mas, curiosamente, também foi mostrada a apresentação na E3 do jogo, que buscando impressionar o público preparou um show de dança com uma coreografia de encher os olhos. Porém, será que a apresentação foi realmente boa?
Adaptações de jogos orientais ao ocidente não é mistério para ninguém. Quem nunca ouviu falar da mudança de expressão de Kirby na arte da capa de seus jogos? Entre vários outras coisas como: censuras em cartas de yugi-oh, troca de títulos, etc., Adaptar muitas vezes é algo necessário, tanto para manter trocadilhos ou localizar melhor o jogador, porém, isto se torna um problema quando foge do conceito original da obra.
Pense em uma música típica de uma certa região do planeta, esta é calma e suave porque precisa ser assim, já que é cantada para as crianças. Agora imagine a uma banda de Trash Metal estrangeira não só dá um novo arranjo para a música, mas a vende como um produto completamente diferente. Se não houver problemas legais isso poderia ser feito,mas, não respeitaria a música original. O mesmo vale para outros tipos de mídia que tem um público alvo e recursos pensados especialmente para ele.
No oriente, as pessoas são mais tolerantes ao que é considerado fofo e infantil, mas por aqui as coisas são diferentes. Space Channel 5 traz uma temática que poderia ser considerada boba, mas pelo bem das vendas seu marketing foi adaptado. O problema é que o jogo continua com as mesmas características de antes, tornando a experiência final contrastante com a expectativa inicial, podendo gerar descontentamento por parte do consumidor, afinal, propagandas em geral devem vender a essência real do produto.
Sejam jogos, filmes, livros ou qualquer mídia, fica aqui meu conselho a todos os que trabalham com adaptação: Respeitem a obra original e principalmente todo o conceito por trás das histórias, títulos e personagem que foram pensados de maneira a tornar o seu universo maior e muitas vezes brincar com a mente de quem a consome.
Matheus Serafim
Estudante de Jogos Digitais e Gamer de coração.
“Jogos são a experiência audiovisual mais completa e interativa já criada”





