GAME VIBE: Branding – Ele acontece nos games você sabia?

GAME VIBE: Branding – Ele acontece nos games você sabia?

outubro 31, 2016 0 Por admin
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Oi pessoal, aqui é o Matheus Serafim, estudante de jogos digitais, e estou assumindo a coluna GameVibe da UCEG, esta sempre esteve cheia de assuntos diversos, entre eles história dos videogames, vamos revitalizá-la conversando sobre isso e muito mais. Tratarei desde o mercado de jogos e desenvolvimento até atualidades e recomendações, tudo com muito bom humor e lembrando que acima de tudo esta é uma coluna de jogador para jogador. Então vamos lá! Estaremos aqui quinzenalmente às segundas feiras.

Vamos a pauta de hoje…

Você já parou para se perguntar qual o motivo de as pessoas ainda comprarem aqueles jogos de anime que parecem todos iguais? Ou aquele novo Mario que não parece nem um pouco diferente do anterior?

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Não vou mentir dizendo que não sou doido para comprar esse jogo (Foto: Divulgação)

Existe uma coisa no mundo dos negócios chamada branding, que é o processo de atribuição de valor a uma marca.

Muitas corporações praticam a gestão de branding para que a marca atribuída a ela seja positiva e que por ventura se torne referência no mercado. Coca-Cola que o diga, já que com sua marca vende não só refrigerantes, mas também calçados, óculos e outros produtos.

Empresas de jogos não são diferentes e devem investir não só em marketing, mas também em qualidade para que sejam bem conceituadas entre os consumidores. Por exemplo, a maioria do público ao jogar algo com a marca Blizzard irá inferir que tem um produto de qualidade em mãos.

As empresas usam o recurso de Brand Equity, dando força a marca que possuem. No mundo dos jogos isso é especialmente importante, já que o reconhecimento desta é um fator motivacional no processo de escolha do consumidor.

O mesmo vale para personagens de franquias, a partir do momento em que este se torna um símbolo da cultura e imaginário popular, torna-se uma marca, e esta pode ser aproveitada.

Voltando ao exemplo dos jogos de anime. Aquele que o adquire, que paga pelo produto, tem maior interesse nos personagens envolvidos, ele já os conhece previamente e deseja consumir mídia que os contenha.

Esses jogos geralmente são recheados de fan service, um recurso para agradar os fãs. São em geral irrelevantes no gameplay ou história em si, mas, estão lá para entreter e divertir quem joga. Torna-se talvez o principal atrativo destes jogos.

Outro exemplo interessante é o spin-off de Final Fantasy, “Dissidia”. O estilo de jogo é completamente diferente do resto da franquia, focada em RPG, com um ar mais estratégico. Como então um jogo de luta consegue atingir este público?

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(Foto:Reprodução/YouTube)

Encontramos a resposta mais uma vez na marca Final Fantasy e em específico, seus personagens. O jogador procura uma experiência nova,mas, ainda com seus personagens favoritos, aos quais já reconhece, pois neles vê uma certa garantia de diversão. Em outras palavras, ele deseja o fan service.

Por este motivo jogos com o tema crossover como Marvel vs Capcom geralmente se saem bem em vendas, a interação inusitada entre os personagens de dois universos atinge um público fiel a marca de ambos e desperta a curiosidade dos demais.

Graças a essa capacidade de transformar personagens em marcas é bom salientar a importância de não se perder a oportunidade de criar um mascote.

Durante os anos 90 muitas empresas de jogos tentaram marcar seu mascote no imaginário popular, competindo com Mario,Sonic e Crash. Muitos jogos com personagens de traços simples e características agradáveis, buscando atingir o público infanto-juvenil, brotaram nessa época. Por quê?

Aqueles que conseguirem estabelecer um personagem como mascote obtém um leque de possibilidades maior de obter lucro a partir disso, seja da venda de pelúcias, cadernos, quadrinhos ou outros tipos de material multimídia.

Outro exemplo são os produtos com o tema “Star Wars” que voltaram a povoar as prateleiras das lojas, de roupas estampando Yoda e Darth Vader a maquiagens simulando a cor de C3PO, pode-se cobrar mais apenas pela marca atribuída a estes itens.

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(Foto:eBay)

Além de personagens, a clássica marca da empresa e da franquia tem grande peso na escolha de compra.

Quando alguém compra “Street Fighter V” não está comprando um novo jogo de luta, ele está comprando o novo STREET FIGHTER. Esta franquia está presente a décadas no mercado e durante seu nascimento foi pioneira e inovadora em diferentes aspectos de jogabilidade, tornando-se conhecida e construindo uma reputação até hoje.

O problema é que construir uma reputação em geral leva um tempo e esforço descomunal em comparação ao que é necessário para destruí-la. Após um produto mal recebido a empresa terá que arrumar meios de reconquistar a confiança do público ou estará fadada a uma notável queda de rendimento.

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A Hello Games não irá se recuperar tão facilmente da polêmica envolvendo seu jogo “No man’s sky” (Foto:Divulgação)

Um outro problema é quando o branding deixa de ser um recurso e passa a ser o pilar sustentador de um jogo. Boa parte dos jogos baseados em filmes ou marcas famosas são um exemplo claro. Gosto de chamar este evento de “Síndrome do ET”.

“ET: the extra terrestrial”(1982) foi um jogo para o Atari 2600, feito às pressas e baseando suas venda no marketing advindo do filme, confiou apenas na marca e não entregou um produto de qualidade. Este mal uso do branding acabou trazendo uma má reputação para a empresa, contribuindo para os problemas posteriores no mercado.

Personagens, empresas, logos e até pessoas podem ser marcas, porém, é preciso ter extrema cautela ao se trabalhar o branding de sua empresa. Lembro mais uma vez que não é apenas o marketing que vai trazer-lhe uma boa imagem, mas, principalmente a qualidade atribuída pelo público a seu serviço ou produto.

Super Smash Bros. é um tipo de produto que não se baseia apenas nesse recurso, sendo que seu conceito original nem sequer envolvia o crossover. É em base um jogo divertido para se jogar só ou acompanhado e encontrou nos personagens da Nintendo seu tempero especial.

Aqueles que buscam criar seus próprios jogos devem atentar com especial cuidado a estas questões, muitas vezes deixadas de lado. Não importa o tamanho do seu negócio ou equipe, se tratado com seriedade, as chances do sucesso só irão, assim como Mario ao comer um cogumelo, crescer.

Faça deste artigo seu cogumelo e crie sua marca.

Referências:

GULARTE, Daniel. Jogos Eletrônicos: 50 anos de interação e diversão. Fortaleza: 2ab, 2010.

KENT, Steven. The Ultimate History of Video Games. [s.l]: Random House, 2015.

FIGUEIRA, M. O que é Brand Equity? 2013. Disponível em: <https://wyse.com.br/2013/08/o-que-e-brand-equity/>. Acesso em: 26 out. 2016.

AVILA, Bruno de. O que é Branding?: Uma visão geral do conceito. 2012. Disponível em: <http://empreendedormoderno.com.br/o-que-e-branding/>. Acesso em: 26 out. 2016.

 


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Estudante de Jogos Digitais e Gamer de coração.
“Jogos são a experiência audiovisual mais completa e interativa já criada”