Gabe Newell e Nolan Bushnell não acham o realismo nos games divertido – Confira
novembro 27, 2023O fundador da Valve, Gabe Newell, compartilhou seus pensamentos sobre o realismo nos jogos, revelando que nunca pensou nisso como algo “divertido”.
A declaração surgiu no recém-lançado documentário Half-Life: 25th Anniversary, no qual o CEO da Valve fala sobre o desenvolvimento e a história desse clássico jogo do estúdio.
“Em uma revisão do design [do jogo] alguém [lhe diria] que isso não é realista. E você fica ‘tipo’, ‘ok, o que é que tem isso?’, quero dizer, ‘explique-me por que isso é interessante'”, afirmou, explicando que a vida real é bem menos interessante do que o gameplay nos ambientes digitais.
“Porque no mundo real, eu tenho que escrever listas de coisas que preciso que ir ao supermercado comprar. E nunca pensei comigo mesmo que o realismo é divertido. Vou jogar para me divertir”, declarou.
James Surowiecki, colaborador do site Slate, explicou em 2005 porque o ‘realismo’ nos games não é necessariamente um fator capaz de contribuir para a diversão nos games:
“Uma das origens deste descontentamento (do jogador com o realismo nos games) está no que pode ser chamado de ‘paralaxe da realidade’: depois de um certo ponto, o quão mais ‘real’ um jogo fica, no gráfico e na experiência, mais difícil é para o game entender [aquilo como algo] real… a mesma lógica se aplica à jogabilidade e à narrativa”, escreveu.
“Depois de um certo montante de aprimoramento gráfico, torna-se difícil suspender a descrença e imergir verdadeiramente… Imperfeições que poderiam ser descritas como resultado inevitável das limitações tecnológicas dos primeiros jogos, agora se evidenciam de forma bastante frustrante… às vezes, são coisas pequenas [que nos frustram, como por exemplo]… ‘Porque posso pular pelo muro mas não [consigo atravessar] por esta cerca? E, algumas vezes, as falhas são imensas: Porque estas histórias não fazem qualquer sentido? Uma pessoa faria algo desse tipo, mesmo? .”
Em bate-papo com o empreendedor Nolan Bushnell, em 2013, perguntei se ele se lembrava de algum caso curioso envolvendo sua experiência pessoal com simulação da realidade. A resposta foi:
“Uma vez, ainda na época da Atari, após passar o dia com um jogo de simulação de carros, fui para a minha casa, nas montanhas. No carro, tive a sensação de que continuava dirigindo o simulador. De repente, me dei conta de que, se eu caísse morro abaixo, não poderia simplesmente apertar o botão de ‘novo jogo’. Foi uma estranhíssima mistura do mundo da simulação com a realidade”, afirmou rindo.
O realismo nos games pode ser algo não apenas sem graça, mas bastante perigoso, como destacou o pai do Pong.
Assista as impressões de Newell, abaixo:
Imagem: fotomontagem com arquivo do Nordot e foto de Nolan Bushnell [acervo pessoal]

Colaborador do Quebrando o Controle e auto-declarado Extreme-Geek e D&D player, o profissional atua há 15 anos no jornalismo de games, com passagens pelos veículos Portal GeeK, Game Cultura, GameStorming, Rádio Geek e Drops de Jogos, entre outros.




