Exclusivo: Fogo Games amplia IP de Ghetto Zombies para HQ, série e outras mídias

Exclusivo: Fogo Games amplia IP de Ghetto Zombies para HQ, série e outras mídias

dezembro 1, 2023 0 Por Kao Tokio
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“Somos um estúdio indie que desenvolve jogos que carregam traços marcantes da cultura brasileira em suas narrativas, músicas e personagens”: assim se apresenta o Fogo Games, estúdio indie brasileiro da quebrada paulista na no Grajaú, extremo Sul da capital, no texto inicial do site do projeto.

Ghetto Zombies é um shooter 2D em pixel art, em desenvolvimento pelo time de profissionais da periferia de São Paulo, que se passa em uma quebradinha fictícia chamada Vila Fundinho.

No Game, o jogador controla um dos heróis do “Esquadrão Ghetto Z”, para derrotar hordas de zumbis e desvendar os mistérios por trás desse Apocalipse.

Ghetto Zombies: Arte do gameplay

O Quebrando o Controle conversou com Fábio Cacho e Dany Lima, respectivamente Creative Designer e Produtora do game e parte do time de profissionais à frente desse inspirado indie nacional.

Os responsáveis pela criação trouxeram novos detalhes sobre o processo de desenvolvimento do game, que mistura mecânica ‘fogo-neles’ e temática de terror zumbi com forte identidade nacional e pixel arte caprichada.

“O nosso artista pixel falou que seria legal se existisse um jogo que fosse de zumbi na quebrada e ele lançou numa conversa essa ideia e o Fábio, que é o nosso creative designer na Fogo, começou a pensar como poderia ser e a desenvolver [a criação]”, contou Dany Lima, produtora no estúdio, explicando as origens do projeto.

Fábio Cacho e Dany Lima – Imagem: reprodução de vídeo da Spcine

“Tem toda uma história por trás do Ghetto Zombies […] a gente fala sobre a nossa cultura, sem ser uma militância, o game não quer tentar resolver esses problemas, mas sim trazer de uma forma natural [essas reflexões], que é o que acontece no jogo e na vida real”, continuou, durante a conversa ao vivo.

“O Ghetto Zombies tem essa característica de ser um jogo de estética nacional não esterotipada, não é um jogo do Saci Pererê ou da Cuca, aquela coisa que é óbvia em uma narrativa brasileira, tem elementos [desse tipo] que estão na trilha, no nome de personagens, como o Tião [um dos heróis], essa brasilidade do cotidiano, mesmo”, explicou Fábio Cacho.

Ghetto Zombies: personagens do jogo

O desafio, para os desenvolvedores, tem sido conseguir um financiamento robusto para finalizar o game. “Fazer jogo é difícil? É. É um trabalho longo, que dá problema, dá uns bugs, tem que estudar muito e se dedicar, mas isso é natural de qualquer trabalho”, declarou o game designer. “É muito difícil você ter a oportunidade de ficar um tempo enconstado, fazendo o jogo, porque a gente não teve a facilidade [de outras pessoas com melhores condições]”, ressaltou durante a entrevista.

Para suprir essas questões e trazer mais solidez ao projeto, a equipe da Fogo Games está diversificando seu produto, ampliando as possibilidades de bom aproveitamento e uso da propriedade intelectual de sua criação.

“O que está acontecendo de mais legal é que a gente está evoluindo a IP do jogo como um todo, a gente chegou a fazer um projeto de série animada, já chegamos a produzir frames de animação para o trailer do jogo, que a gente ainda não publicou porque será lançado em janeiro, estamos fechando uma HQ para lançar com o Artbook [e outras coisas], informou Fábio.

Ghetto Zombies: proposta de E-zine do game

Algumas dessas intenções já estavam indicadas na campanha de financiamento coletivo, para conquistas financeiras em patamares mais elevados, mas não havia confirmação de produção efetiva até essa revelação do time.

“A gente conseguiu não apenas recursos para o desenvolvimento, mas como tivemos uma entrada até um pouco maior do que a gene estava precisando, aproveitamos para trabalhar a IP do Ghetto”, confidenciou o desenvolvedor, em primeira mão, para o Quebrando o Controle.

Entre os destaques do jogo, para além do gameplay divertido e da pixel arte colorida e bem elaborada, o game conta com uma narrativa singular, que apresenta uma disseminação viral entre os personagens muito diferente do apocalipse zumbi convencional.

“[Ghetto Zombies conta como] a transmissão do vírus acontece pela água, e essa quebradinha fictícia, a Vila Fundinho, foi o lugar que estava sem água, porque é o que acontece nas quebradas”, comentou Dany.

“Esse é o pano de fundo em que você consegue trazer esses assuntos, sem tentar [criar] debates muito políticos, sem tentar levantar uma bandeira ‘agora a gente vai resolver o problema’, o que a gente pode fazer é tentar trazer isso de uma forma legal, trazer um jogo, com um esquadrão de elite na quebrada, que vai sair para matar os zumbis, é aquele lugar sitiado, que conseguiu sobreviver pela falta de água no momento da contaminação”, confidenciou.

“A Fogo traz essa brasilidade na narrativa, no visual e na trilha sonora, porque a gente gosta de mostrar a nossa ‘pisadinha’, “narrou a profissional.

Ghetto Zombies: concept art de monstros e inimigos do jogo

O game, que integra o programa de aceleração de indies do Xbox, o ID@Xbox Developer Acceleration Program, conta com versão demo, que pode ser baixada gratuitamente no site Itch.io.

Por último, e não menos importante, Fábio informou que o segundo game já está em desenvolvimento. “[Outra coisa] legal é o fato da gente estar fazendo o segundo jogo antes mesmo de terminar o primeiro”, ressaltou. “É algo bem novo pra gente e está sendo desafiador, mas vai ser legal ver que, quando a gente terminar o Ghetto, já vai estar fazendo outra coisa, que o barco não para, continua em movimento”, finalizou.

Ghetto Zombies: concept art do jogo

O lançamento do jogo, que promete estar disponível para PC e Consoles, está previsto para o terceiro trimestre de 2024.

Informações adicionais estão disponíveis no site da empresa.

Imagem: reprodução