Computer Space, de Nolan Bushnell, está no sci-fi Soylent Green, de 1973

Computer Space, de Nolan Bushnell, está no sci-fi Soylent Green, de 1973

dezembro 6, 2023 0 Por Kao Tokio
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Nos anos 1970, Hollywood explorava dois temas com muita frequência: os ambientais, em razão do alarde global com a poluição e a crise do petróleo, e a ficção científica, que ganhou notoriedade após 2001 – Uma Odisseia no Espaço e O Planeta dos Macacos. por fora, corriam as aventuras de cinema-catastrofe, como Aeroporto e Inferno na Torre, para uma audiência mais popular.

Há 50 anos, um misto desses temas ganhou os cinemas, com o lançamento de No Ano de 2020 [ou, Soylent Green no original], que denunciava as mazelas de uma sociedade distópica devastada pelo consumismo e exploração desenfreados, com uma sociedade dividida entre uma inacessível casta de poder absoluto e uma vastidão de miseráveis moribundos pelas ruas.

Entre os exemplos de opulência dos milionários da trama, o grande público vislumbrou, pela primeira vez no cinema, o Computer Space, arcade de game produzido por Nolan Bushnell e Ted Dabney em 1971.

Como escreveu Marcelo Sávio, no grupo de entusiastas Canal 3, “Em algumas cenas, se vê uma máquina ‘Computer Space’ em uma elegante sala de um membro do conselho da empresa dominante […] Na verdade a máquina que aparece no filme é um protótipo, que eles apresentaram em Outubro de 1971 durante a exposição da ‘Amusement Music Operators of America’, no Hotel Conrad Hilton em Chicago (EUA). As versões que foram fabricadas e comercializadas – em parceria com a Nutting Associates – têm outras cores (vermelho, verde, azul e amarelo). Foi a primeira vez que um videogame apareceu em um filme”.

No Ano de 2020, que foi produzido a partir da obra Make Room! Make Room!, escrita por Harry Harrison, em 1966, e estrelado por Charlton Heston, chegou aos cinemas norte-americanos em abril de 1973, recebendo críticas favoráveis e outras menos entusiasmadas com o futurismo distópico de sua trama.

As vendas de Computer Space, que ganhou audiência mundial em razão do filme, foram modestas e parte da comunidade acredita que a novidade do produto e a complexidade do jogo tornaram difícil para o grande público – especialmente para os jovens alcoolizados nos bares com o dispositivo – entender e curtir o game.

Brad Fregger, produtor da Activision na década de 1990, trabalhou como técnico de serviço na Nutting Associates e afirma que o Computer Space era bastante popular, mas que seu sucesso foi limitado pela falta de apoio gerencial.

“Rod Geiman, presidente da Nutting & Associates, tinha vários… produtos em bares, galerias, lavanderias, até mesmo no aeroporto de San Jose sem ninguém para atendê-los […] O Computer Space foi um sucesso; houve momentos em que recebi reclamações de que a máquina não funcionava, apenas para descobrir que a caixa de moedas estava lotada e as moedas emperravam. Nutting… fechou alguns anos depois. O [outro] proprietário (não Rod) estava mais interessado em evangelismo […] e voou para salvar almas na África. Foi o seu foco no evangelismo que limitou o sucesso do Computer Space, e não qualquer falta de aceitação por parte do público”, comentou Brad Fregger, em 2012, segundo Keith Smith em seu blog All in Color for a Quarter.

Abaixo, você assite à cena de No Ano de 2020 com destaque para o arcade que inaugurou um novo gênero de entretenimento eletrônico e digital.

Imagem: Videojuegos en la TV y el Cine