Ideias em Jogo – Gostar de jogar videogames não é o suficiente para ser desenvolvedor
junho 9, 2015
Quando éramos mais novos, e gostávamos muito de algo, sempre imaginamos que deveria legal viver e trabalhar com o que gostamos. Sim, gostar do que se faz na sua carreira profissional é o desejável e o ideal para qualquer área. Isto não é diferente para a carreira de desenvolvedor de jogos, porém como o título da matéria diz, gostar de jogar não é o suficiente para ser bom nesta área. Desenvolver jogos, antes de mais nada, é bem diferente de jogar um jogo. Este é o primeiro fato a ser esclarecido e é incrível como muitos querem desenvolver jogos só porque gostam muito (ou são muito bons) em algum jogo. Mas a grande verdade, desenvolver jogos é algo muito sério e dá trabalho sim! Neste texto vou explorar alguns tópicos que pode dar uma luz a muitos que pensam em ingressar ou até mesmo os que já estão na área e querem ver um outro ponto de vista sobre o assunto. Fiz um apanhado de ideias e irei colocar algumas coisas aqui para quem sabe até mesmo discutirmos no grupo a respeito:
#1 – É preciso jogar, conhecer jogos e gostar disso, mas isso não é suficiente
Acompanhar os jogos lançados, jogar plataformas diferentes, conhecer a história de jogos, e criar um olhar mais crítico (técnico) sobre o jogos, como foram feitos, o que foi utilizado para ser feito e atenção para quem fez. É interessante acompanhar tanto os últimos lançamentos do mercado, além das últimas novidades tecnológicas na indústria como também olhar para os jogos do passado para ter referência. Não se atenha somente a jogar, estude os games. Tente descobrir qual técnica de renderização de sombra eles estão usando, ou qual esquema de Inteligência Artificial esta provocando as decisões táticas no jogo, ou ações dos personagens. Leia, acompanhe grupos e blogs de referência (O Ideias em jogo é um deles), busque informações de projetos finalizados ou lista de e-mails e analise como elas podem ser aplicadas em seu jogo.
Mas para a galera que quer viver de jogar nem tudo esta perdido, existe, ainda o profissional que tem como função jogar protótipos de jogos o tempo todo, em busca de bugs (defeitos gráficos ou de programação). Note que isso significa jogar a mesma parte de um jogo dezenas e talvez centenas de vezes, até ter certeza que não existe nenhum bug naquela parte do jogo (o que nem sempre será divertido). E claro a carreira de jogador das modalidades de E-Sports que tem gerado a cada ano mais e mais cifras em grandes disputas e torneios.
2# – Comece do básico, não tem como fazer um Battlefield na primeira implementação
Para começar a desenvolver, o primeiro passo começa com uma coisa mais simples, desenhistas irão ver como usar ferramentas de composição, os programadores podem ver como fazer códigos simples como pong em linguagens mais visuais como HTML5 + JavaScript, ou mesmo ambos partirem para o aprendizado de um framework/engine como Unreal ou Unity.
Para os programadores, PROGRAME JOGOS! Esta é a coisa mais importante que um programador de jogos pode fazer. Não importa em qual linguagem ou tipo de jogo. O que importa é voce adquirir experiências programando jogos completos do início ao fim, e ter uma idéia geral de como tudo acontece. Outra dica seria dar preferência para vários projetos menores ao invéz de um único grande. Lembre-se, programar um mod é legal, mas prefira fazer algo seu, mesmo que seja simples. E não deixe de montar um portifólio do seu trabalho.
3# – Paciência e foco no aprendizado – Buscar formação é um bom caminho
Atualmente em Fortaleza temos bons cursos e locais de formação que podem atender suas necessidades e lhe direcionar/orientar de como seria o caminho para a área de desenvolvimento de jogos. Podemos citar alguns como:
– Art&Cia Escola de Animação (Cursos de Desenvolvimento, Animação e modelagem para jogos);
– Gracom Escola de Efeitos visuais (Cursos de Desevolvimento, Animação e modelagem para jogos);
– Centro Universitário Estácio – Curso de Jogos Digitais (Curso de nível superior – Formação em desenvolvimento de jogos e Curso técnico do Pronatec);
– Escola Porto Iracema das Artes ( Curso Técnico de Animação Gráfica para Jogos Eletrônicos);
– Faculdade Farias Brito – Curso de Jogos Digitais (Curso de nível superior – Formação em desenvolvimento de jogos e Curso técnico do Pronatec);
– Faculdade Fatene – (Curso técnico do Pronatec);
– Universidade Federal do Ceará – Curso de Sistemas e Mídias Digitais – (Curso de nível superior em Sistemas Multimídia e Mídias Digitais).
4# – Lidar com pessoas pode ser um desafio
Além da questão do networking que é fundamental para todos bons desenvolvedores, há também a necessidade de saber trabalhar em grupo. Desenvolver relacionamentos e uma boa rede de contatos é essencial. Dentro do ambiente de desenvolvimento, uma boa comunicação das equipes de trabalho é uma questão primordial para quem desenvolve jogos. Você deve comunicar-se de forma eficiente para coordenar esforços com os outros desenvolvedores, designers, músicos e gerentes de projeto, tanto para explicar como o seu código funciona para os artistas e designers, como também para entender qual feature o resto da equipe necessita. Isto sem falar que uma boa comunicação com seu chefe é um grande passo para um crescimento mais rápido, é importante mostrar o que você tem feito. Lembre-se um grupo de aves que quer chegar longe voa em grupo e de maneira coordenada. Se você trabalhou apenas sozinho em projetos, terá um grande choque quando iniciar seu primeiro emprego na indústria de jogos. Você terá que além de explicar como seu código funciona, também preocupar-se em modificar grande blocos de código escrito por outros programadores. Procure ter experiências em grupo na escola, faculdade ou até mesmo em projetos de código aberto na web.
5# – Saber inglês é FUNDAMENTAL
Será uma das primeiras necessidades senão a primeira para estar ligado a área de games, saber inglês. Fale, leia e, mais importante de tudo, entenda inglês: ele é a base da comunicação universal, do conhecimento global (internet) e deste mercado. Se você quer uma carreira no mercado de entretenimento aprender inglês deve ser uma das suas prioridades.
6# – Saiba qual o seu perfil
Ninguém começa a carreira do topo! A carreira mais almejada de todos que almejam a carreira de desenvolvedor de games é o Game Designer, este é como uma espécie de diretor de cinema, sendo desse profissional a visão sobre a qual se estrutura toda a parte artística e técnica de um jogo, para corresponder à sua criatividade. Por isso, habilidades em arte, escrita e técnica, devem caminhar lado a lado, e são necessárias em sua formação e experiência. Ou seja, o caminho é longo e complexo para a formação deste profissional.
Mas para desenvolver um jogo eletrônico, são necessários vários profissionais para as fases de criação, desenvolvimento, implementação e operação.
Entre as funções de uma equipe que trabalha na fase de criação de games, podemos citar: Design de Games, Roteiro, Storyboard, Planejamento de objetos, Design de interface, Design Gráfico, Animação, Modelagem 3D,
Áudio, Efeitos especiais.
Já para a parte técnica do desenvolvimento do jogo, que envolve mais programação, são utilizados especialistas em: Programação, Análise de Sistemas, Arquitetura de Informação, Engenharia de Software, Design de Plataforma, Inteligência Artificial, Arquitetura de Servidor.
Para a fase de implementação de um game, são necessários profissionais de produção, produção executiva, qualidade e programação. E em operações encontramos especialistas em controle de qualidade, testes e suporte.
7# – Observe o mercado local e mundial
Além de falar inglês, é interessante estar aberto a oportunidades para trabalhar fora do Brasil, já tivemos uma boa cota de jogos totalmente produzidos aqui – indo de títulos para PC e console até jogos mais simples para celular e navegador – mas uma coisa é inegável: em comparação ao mercado exterior, ainda temos muito chão pela frente. Mesmo considerando o grande crescimento do mercado nacional. Quem sabe em breve as coisas não melhoram mais por aqui, até porque talento local nós temos de sobra. Prova disto é termos profissionais brasileiros trabalhando em estúdios nos quatro cantos do planeta. As empresas internacionais contratam pessoas para projetos em suas sedes, em filiais lotadas no Brasil e até mesmo em contratos freelancer, estar preparado sempre é indicado para estas oportunidades. Se você tem vontade de trabalhar na área de produção e desenvolvimento de jogos, primeiramente devemos ter uma visão global pelo mundo, onde existem diversas pessoas que estão começando a produzir games e diversos grupos utilizando inúmeros tipos de plataformas e que estão produzindo para diferentes tipos de dispositivos.
8# – A escolha das ferramentas ajuda na produtividade
Para os programadores, saber bem uma linguagem de programação ajuda muito, mas hoje possuímos frameworks de desenvolvimento e motores gráficos que facilitam a produção de jogos para muitas plataformas. Além da facilidade de produzir determinados jogos, podem permitir inclusive a possibilidade de se desenvolver um jogo sem mesmo programar. Dos grandes como UNITY e UNREAL aos ambientes de desenvolvimento como COCOS2D (desenvolvimento 2d), Stencil (que permite programar jogos simples sem codificar praticamente nada), entre outros.
9# – Aprender sempre e nunca parar de buscar novidades
Um bom desenvolvedor de games consegue ter um bom entendimento de como áreas adjacentes podem andar juntas, mas é interessante pensar em uma área mais especifica na qual você gostaria de dar mais ênfase, naquilo que realmente quer trabalhar o resto da vida e desenvolver ao máximo o seu potencial! A produção de jogos é algo transdisciplinar, como já falamos nesta coluna anteriormente.
10# – Mas afinal por onde começar?
A escolha de uma plataforma muitas vezes pode depender muito mais da experiência do desenvolvedor, das oportunidades e o cenário local do que simplesmente a vontade de fazer.
Mas entre os desenvolvedores iniciantes podemos notar 3 perfis bem marcantes:
– Jogos para Web: Provavelmente é o tipo de desenvolvimento de games que pode alcançar um grande número de pessoas muito rápido, já que basta acessar um site com o jogo para jogar. Muitos destes estão no Facebook, rodam em Flash/Html5 e possuem limitações.
– Jogos para Celular: Com um pouco mais de complexidade e limitações, requer um pouco mais de empenho do programador, sem falar que um jogo feito para um determinado celular pode não funcionar adequadamente em outro – necessita ser portado.
– Outras plataformas: Uma parte menor e ainda em crescimento da indústria de games no Brasil tem buscado fugir da Web ou celular, indo para plataformas como Nintendo DS, PC, Playstation e XBOX . O desenvolvimento para estas plataformas são mais complexos e exigem bem mais mais empenho e dedicação de equipes e desenvolvedores, mas são experiências muito boas para conhecer muitas técnicas de programação de games avançadas, além de praticamente não ter limites para o que vocês quiser criar.
Espero ter colaborado um pouco com aqueles que estão iniciando como desenvolvedores e vamos lá seja determinado, aprenda, jogue bastante e persevere. Que tal começar agora? Ponham a mão na massa e suas Ideias em Jogo!
Autor: Izequiel Norões

Professor, Analista de Sistemas, Presidente da UCEG e pai do Icaro.
“Os jogos podem mudar o mundo”


