Jogos de tiro para crianças? Entenda classificação indicativa ?
abril 21, 2023Foto : ge.globo
O discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em que ele criticou os jogos de tiro e os relacionou à violência nas escolas, gerou um debate sobre a marginalização dos games.
Apesar das críticas de Lula, é importante destacar que todos os jogos distribuídos no Brasil possuem uma classificação de conteúdo, comumente conhecida como classificação indicativa.
Nesta reportagem, vamos explicar o que é esse sistema e como as classificações dos jogos são feitas em todo o mundo.
Afinal, o que é a Classificação Indicativa?
A segurança online das crianças é uma preocupação crescente entre os pais, mas muitas vezes a adequação dos jogos para a idade das crianças e adolescentes é negligenciada.
A maioria dos jogos possui uma classificação etária impressa na embalagem ou disponível online, e essa classificação varia dependendo do país onde o jogo é lançado.
De acordo com uma pesquisa do Dr. David Walsh sobre o impacto da violência interativa nas crianças, o grande problema é que 90% dos adolescentes afirmam que seus pais nunca verificam as classificações antes de permitir que eles comprem videogames.
“As crianças são expostas à violência o tempo todo – em filmes, nas ruas, dentro de casa e também nos videogames. Eu percebo que muitos alunos têm liberdade para consumir o que querem na internet. Eles jogam videogames com classificação etária acima da sua idade. Os videogames em si não instigam a violência nas crianças, mas quando crianças jogam jogos violentos que não são apropriados para a idade delas, isso pode intensificar a violência interna que elas já têm devido a problemas pessoais, sociais, cognitivos, entre outros”, explicou Yasmin Garcia, professora assistente em período integral.

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Nos Estados Unidos, Canadá e México, é utilizado o sistema ESRB (Entertainment Software Rating Board) para ajudar a distinguir quais jogos são adequados para diferentes idades, enquanto no Reino Unido e na maioria dos países europeus é utilizado o sistema PEGI (Pan European Games Information). Atualmente, no Brasil é utilizado o sistema Classind, que é o órgão responsável pela classificação etária de obras audiovisuais.

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Essas classificações são baseadas na adequação para o público-alvo e a maioria desses sistemas é associada e/ou patrocinada pelo governo e, às vezes, faz parte do sistema local de classificação de filmes.
“A classificação é feita através de um questionário sobre o conteúdo adulto fornecido pelas plataformas de distribuição ou através das autoridades oficiais do conselho de classificação de cada país e os elementos do jogo são analisados por categorias, como violência fantasiosa, realista ou crime, temas sociais, crueldade de alto impacto, entre outros”, explicou Luis Otavio, um dos fundadores da Hanoi Studios.
Conhecendo os tipos de classificações atuais
Atualmente existem mais de 15 tipos de classificações ao redor do mundo e cada uma se adequa ao seu país de acordo com o órgão de classificação local.
Confira abaixo os tipos atuais de classificação em seus respectivos países:
Mapa de sistemas de classificação de videogames criado em maio de 2007
A Classificação no Brasil

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O sistema de classificação infelizmente é pouco debatido no Brasil e os jogos por sua vez acabam sendo tachados como gatilhos de violência para as crianças e jovens, mas será que os pais estão fazendo sua parte de supervisionar o que os filhos estão fazendo online ?

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A lista de descritores existe não só para explicar a classificação como também informar responsáveis sobre o tipo de conteúdo presente na obra.
No Brasil há seis tipos de classificação sendo cada uma delas de uma cor e apesar de algumas classificações de idades diferentes apresentarem o mesmo descritor de conteúdo, o seu “peso” varia.
Vale ressaltar que uma obra classificada como “10 anos” e com o descritor “Violência” irá conter cenas violentas leves, enquanto uma obra com classificação “16 anos” e o mesmo descritor apresentará cenas violentas mais fortes.
— Jogos não são feitos com o intuito de prover uma lavagem cerebral em crianças, e muitas vezes nem mesmo são feitos considerando crianças!
A ideia de que “jogo é coisa de criança” é ultrapassada, como a própria classificação indicativa deixa claro.
Temos jogos pensados para todas as idades, e é importante que os pais e responsáveis se inteirem do que seus filhos estão jogando. Demonstrem interesse, acompanhem, orientem — finalizou Tiago Rech que atualmente atua como roteirista na indústria de jogos.

Jornalista e blogueiro
“Em cada trabalho que deve ser feito, há um elemento de diversão.”




