Game Vibe: 30 Anos – De Volta para o Futuro nos Games

novembro 11, 2015 0 Por Lucas Silva
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O último 21 de outubro de 2015, foi uma data muito especial. Há exatamente 30 anos chegava aos cinemas Back to the Future (De Volta Para o Futuro), o primeiro filme da trilogia de ficção científica estrelada por Michael J. Fox e Christopher Lloyd. No entanto, a comemoração ficou em segundo plano, para dar espaço para um fato ainda mais importante. Quando Marty McFly (Michael J. Fox) viaja para o futuro em Back to the Future II, ele vai precisamente para 21 de outubro de 2015, mais conhecido como Back to the Future Day.

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Não podíamos perder um dia tão especial, então ligamos o capacitor de fluxo do DeLorean para viajar ao passado e revisitar a história da série nos videogames – vamos deixar de fora as participações especiais, como em Jetpack Joyride e Lego Dimensions, senão a lista ficaria ainda maior.

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Começamos nossa viagem no tempo com Back to the Future para Commodore 64, ZX Spectrum e Amstrad CPC. Nesse adventure, controlamos Marty McFly enquanto ele ajuda seu pai George McFly a passar mais tempo com sua mãe, Lorraine. Para isso, o jogador procura por itens e interage com outros personagens do filme, como Biff.

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O progresso era monitorado por uma foto da família no canto direito da tela. A imagem começava a sumir para indicar que o jogador estava perto de perder, ou ia melhorando para mostrar que estava no caminho certo. Apesar de ser uma ideia interessante, o jogo é muito ruim e foi massacrado pela mídia e pelo público.

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Ainda em 1985, a gigante japonesa do entretenimento Pony Canyon aproveitou a licença e lançou dois games diferentes. O primeiro é um jogo de plataforma para MSX e NEC PC-8801, onde ajudamos Marty a reunir seus pais e leva-los para baile. Sim, é só isso em todas as fases. Você pula sobre policiais e outros inimigos enquanto anda pela tela, coleta sapatos (o equivalente a vidas) e, às vezes, encontra um skate que te deixa invencível, mas o objetivo é sempre o mesmo.

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O segundo filme da série foi lançado em novembro de 1989. Dois meses antes, a franquia chegava ao NES em uma adaptação do primeiro filme, publicada pela LJN. É um desastre completo e costuma aparecer com frequência nas listas dos piores games já lançados para o console da Nintendo. É tão ruim que até Bob Gale, um dos criadores do filme, disse em entrevistas para as pessoas não comprarem o jogo. A monstruosidade é um side-scrolling vertical e Marty tem que pegar relógios para continuar vivo enquanto atravessa a fase, o que não tem nada a ver com o filme.

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A LJN atacou novamente em 1990 com Back to the Future Part II & III para NES. Quase tão ruim quanto o primeiro, a sequência ao menos tentou se aproximar um pouco mais dos filmes. A jogabilidade mudou para um side-scrolling horizontal com puzzles. Marty tem que matar inimigos pulando em cima deles (alguns parecem que saíram direto do Super Mario Bros.) e juntar chaves para acessar as salas com puzzles, e encontrar os itens que o jogo pede. Ir até o final é uma tarefa árdua, pois as fases são enormes e o game não fornece nenhuma maneira de salvar o seu progresso, nem mesmo por passwords. A única maneira de avançar é um código que te leva direto para a segunda metade da trama.

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Os outros consoles não se salvaram de ter um jogo ruim. A Probe Software criou Back to The Future II para Amiga, Atari ST, PC, Commodore 64, ZX Spectrum, Amstrad CPC e Sega Master System. Lançado em 1990, o jogo era praticamente igual em todas as versões, com diferenças apenas nos gráficos. Desta vez, Marty está em cima do seu hoverboard e precisa atravessar a fase, recolhendo itens para que a prancha continue funcionando. Em algumas versões, como a de PC, ao menos temos a opção de lutar contra outras pessoas, enquanto na de Master System só podemos fugir – se encostar em um inimigo, já era.

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A Probe não melhorou muito quando trouxe Back to the Future III no ano seguinte. Foi lançado para os mesmos consoles que o jogo anterior, mas com uma novidade que muitos gamers brasileiros mais velhos conhecem: uma versão para o Sega Mega Drive. A última fase do game volta e meia era usada na prova final do Playgame, programa do SBT apresentado por Gugu Liberato.

Tinha quatro fases diferentes: Doc Brown em um cavalo, desviando de obstáculos para salvar Clara; Marty participando de um tiro ao alvo; Marty novamente, atirando pratos contra Buford e seus capangas; e, por fim, Marty atravessando o trem e recolhendo lenhas para fazer o trem atingir 88 milhas por hora. Muitos jogadores nem chegavam a ver a última tela, de tão difícil e mal balanceado que era.

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Foram tantos jogos ruins que talvez fosse até melhor que os libaneses tivessem desistido de matar o Dr. Brown e tivessem ido atrás das produtoras (rsrs). Enquanto isso, em 1993 o Japão recebia Super Back to the Future II para Super Famicom (SNES), o primeiro game da franquia que não era ruim. Infelizmente, a Toshiba EMI não o trouxe para o ocidente. Da mesma forma que o jogo da Probe, controlamos Marty em cima do hoverboard. As semelhanças acabam aqui. Com gráficos mais animados e personagens cabeçudos (o bom e velho Super Deformed, ou SD), o side-scroller criado pelos japoneses é muito mais agradável. McFly pula sobre os inimigos, junta moedas para comprar mais vidas e powerups, e ainda faz uso do Mode 7 para algumas animações.

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Em 2005, a Telltale lança Back to the Future: The Game, um adventure dividido em cinco partes para PC, OS X, Nintendo Wii, PlayStation 3 e iOS. Até que enfim um jogo tentou se aproximar direito da franquia: Bob Gale participou da produção do roteiro, usando algumas ideias que foram descartadas da trama do segundo filme; e chamaram os atores para dublarem seus personagens. Michael J. Fox fez apenas uma participação especial nos dois últimos capítulos, por um conflito de agenda – como o ator tem Mal de Parkinson, ele levava mais tempo para conseguir gravar suas falas. A.J.  Locascio assumiu o papel de Marty, um trabalho muito elogiado por possuir o mesmo tom de voz e entonação.

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Mesmo com a dedicação da Telltale, o game não está livre de falhas. É melhor ser coberto de estrume como Biff do que controlar Marty pela cidade, os comandos são confusos e nada intuitivos. Se ainda assim o jogador ficar travado em algum puzzle, o jogo fornece dicas que acabam dizendo exatamente o que fazer. Todos esses defeitos fariam que fosse outra marca negra na franquia, mas o enredo consegue superar cada ponto negativo.

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O aniversário deixa um sabor agridoce, pois a chance de sair um jogo baseado na franquia é muito baixa. Bob Gale e Robert Zemeckis são contra um remake da série e, com a doença de Michael J. Fox, a possibilidade de gravar mais um filme é praticamente zero. Apesar do adventure da Telltale não ser considerado canon, Zemeckis declarou que é o mais perto que vamos chegar de um quarto filme (da mesma forma que Ghostbusters: The Video Game é considerado o terceiro filme da franquia de Os Caça-Fantasmas).

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Autor: Ivo Medeiros