Metaverso – o que isso tem a ver com games?

Metaverso – o que isso tem a ver com games?

novembro 5, 2021 0 Por Izequiel Norões

Muitos devem ter acompanhado as últimas notícias sobre o anúncio da mudança de nome da empresa de Mark Zuckerberg que passou a se chamar Meta, em referência ao conceito de universo virtual.

“Você pode pensar no metaverso como uma internet materializada, onde em vez de apenas visualizar o conteúdo, você está nele” Definiu Zuckerberg sobre o conceito em sua apresentação.

Imagem da apresentação onde são apresentadas possibilidades do Metaverso com jogos do Facebook

Mas também tem muito dos conceitos de tecnologia como Metadados, Realidade Virtual, Realidade Aumentada, entre outros. Uma mudança que traz um novo nome, mas de conceitos que já vem sendo trabalhados de muitos anos e o detalhe, não somente por esta empresa.

Veja o anúncio completo aqui:

Vídeo da apresentação em: https://www.facebook.com/watch/?v=282623437072819


Mas afinal o que é o Metaverso?

Este conceito não é novo, foi criado num livro do autor Neal Stephenson de ficção científica chamado: “Snow Crash”, de 1992. Nesta obra o autor define o metaverso:

“é um universo gerado informaticamente que o computador desenha sobre os seus óculos e bombeia para dentro de seus fones de ouvido”

O metaverso é tratado no livro como uma espécie de sucessor da Internet que temos, mas, que conceitualmente podemos entender como uma espécie de mundo virtual onde poderíamos replicar a realidade através de dispositivos digitais, seria como um espaço coletivo e virtual compartilhado, constituído pela soma de algumas tecnologias que envolvem a Realidade Virtual, Realidade Aumentada” e a Internet.
Dá para imaginar algo como vimos no filme Jogador número 1, ou mesmo como já temos em alguns games recentes como Fortnite e Roblox, e os mais antigos como Second Life.

Montagem de referência com Roblox, Jogador Nº 1 e Fortnite

Então podemos concluir que o metaverso, pode ser chamado de um universo digital compartilhado e com experiências variadas, totalmente imersivas, interativas e muito realistas. Mas não estamos nos limitando somente ao realismo gráfico, há ainda atividades e possibilidades de ação mais naturais e com a presença de elementos que estão no seu cotidiano como extensão da realidade, como lugares reais, marcas que existem fisicamente e movimentos mais dinâmicos do seu avatar. Este lugar definido neste conceito, seria um espaço coletivo que recria experiências reais a partir da integração de uma série de ferramentas. E tudo não se resume somente um jogo ou uma rede social, mas a possibilidade de todo um ecossistema mais vasto e que pode incluir essas duas coisas, se você quiser. Lembrando que numa experiência com VR com certeza tudo isso ficaria ainda mais imersivo, mas neste caso não seria obrigatório.

Mas espere, esse conceito não é novo…

O nome Metaverso ganhou destaque com o anúncio da empresa de Zuckerberg, mas o conceito deste já vem sendo usado em jogos (falo mais adiante sobre) e também em outras empresas como a Microsoft por exemplo que possui a sua “pilha de soluções para o Metaverso”, em julho deste ano, Satya Nadella (Diretor executivo da Microsoft), na conferência Build, falou sobre “uma nova camada da pilha de infraestrutura que está sendo criada à medida que os mundos digital e físico convergem: um metaverso corporativo”. Ele mencionou que estão trabalhando numa estrutura como uma “pilha de metaversos”, que permite aos desenvolvedores “construir um rico modelo digital de qualquer coisa física ou lógica”.
Neste conceito do metaverso da Microsoft a ideia é que ele é muito modelado (baseado) no mundo real. E neste caso não há avatares de fantasia no metaverso da Microsoft. Os chamados “aplicativos metaversos” no universo da Microsoft serão apoiados por “gêmeos digitais”, estes foram apresentados em um post no blog do Azure como “modelos digitais ricos de qualquer coisa física ou lógica, de ativos ou produtos simples a ambientes complexos”.

Quadro explicativo sobre o Metaverso Microsoft

Não tenham dúvida que muitas outras empresas de tecnologia já devem estar olhando para esse “novo universo” e que as pessoas que assistiram o filme Jogador Número Um com certeza querem algo daquela forma. Mas como diz meu amigo Mário, “alto lá farroupilha” o assunto é ainda bem complexo e toda a convergência ainda depende de negociações muitos avanços de tecnologias e dispositivos para o seu uso.

Mas afinal, como podemos ver isso nos jogos?

Já faz um tempo mas muitas pessoas devem ter usado ou pelo menos ouvido falar de Second Life, esse Ambiente Virtual, que simula a vida real e social do ser humano através da interação entre avatares. Foi criado em 1999, lançado em 2003 e é mantido pela empresa estadunidense Linden Lab. Este por muitas vezes foi confundido com um jogo e passou por enorme controvérsias e uma série de questões.

Second Life studio working on a spiritual sequel - Polygon
Imagem do Second Life

Com quase 20 anos de história, o simulador Second Life passou por inúmeras atualizações, que trouxeram melhorias de performance, o que naturalmente também se refletiu em notáveis upgrades no visual do jogo, desde efeitos de iluminação incidindo sobre cada objeto do mundo virtual até modelos de personagem melhor esculpidos e animados, sem falar no acréscimo de vozes, inexistente no jogo original. Mas, a própria empresa criou uma outra versão o “Sansar” que também é uma plataforma de realidade virtual social mas atualmente passou a ser propriedade da empresa Wookey Project Corp, sediada em São Francisco. Foi lançada em “beta criador” para o público em geral em 31 de julho de 2017. Ambos não são recentes e já entravam no conceito de metaverso e portanto não poderiam ser esquecidos nesse artigo.
Atualmente podemos ver perfeitamente os jogos Roblox e Fortnite usando em suas dinâmicas, com elementos mencionados por Zuckerberg em sua apresentação, mas ainda fora do META-verso facebook.
Roblox não é apenas um jogo para crianças, possui uma plataforma bem robusta com seu próprio metarso definido, onde seus avatares e itens possuindo interações entre aplicativos inclusive. As personalizações dos avatares no jogo vão de personagens como Master Chief de Halo até mesmo os personagens de “Round 6” com o famoso jogo da série colocado no seu universo.

Já no Fortnite o caso que podemos exemplificar foi o evento que aconteceu no game da EPIC em parceria com alguns artistas como a cantora Ariana Grande. Durante a pandemia a Epic Games, resolveu expandir o seu lado “rede social”. Mais precisamente em setembro de 2020, iniciou uma série de shows virtuais gravados ao vivo num estúdio em Los Angeles (“modo” Party Royale), fato que deixou claro o interesse da desenvolvedora em ampliar seu Metaverso ao redor de Fortnite, fazendo do game uma espécie de hub central em que os jogadores podem fazer qualquer coisa, desde disputar partidas a interagir de outras formas, como assistir filmes e shows. E os planos para o futuro são ainda mais ambiciosos.

E você, o que espera do Metaverso?


Referências:


Vídeo da apresentação da empresa META – https://www.facebook.com/watch/?v=282623437072819
O que é o metaverso, apontado como o futuro do Facebook por Mark Zuckerberg | Tecnologia | G1 (globo.com)
Microsoft Metaverse vs Facebook Metaverse – https://youtu.be/5DpJlRbbgGU
Criptomoedas, Metaverso e Web 3.0: Como os criptoativos, em especial a rede Ethereum, já influenciam o futuro dos metaversos (cointelegraph.com.br)
Revisitando o ‘Second Life’, o primeiro metaverso | Nexo Jornal
O que o Metaverso significa para desenvolvedores – A nova pilha (thenewstack.io)
Oculus’ Passthrough API will enable experiences that mix VR and the real world – The Verge
Mark Zuckerberg, Meta promete um metaverso que as empresas de videogame já estão construindo – The Washington Post
Converging the physical and digital with digital twins, mixed reality, and metaverse apps | Azure Blog and Updates | Microsoft Azure
Fortnite é rede social e futuro metaverso: sofistica-se a disputa pela atenção do usuário – Época Negócios | IAgora? (globo.com)