Ideias em Jogo: Censura nos games

Ideias em Jogo: Censura nos games

junho 4, 2021 0 Por Izequiel Norões

Já tratamos muitos assuntos relacionados a jogos eletrônicos por aqui, mas hoje vamos buscar entender e observar alguns fatos relacionados a palavra “censura” e principalmente como ela tem relação com os jogos. Seja na compreensão do uso das classificações etárias para os games, ou nas mudanças de trajes de personagens, a retirada de violência e termos pejorativos ou elementos relacionados a questões ideológicas ou políticas, a censura acontece e em muitos casos é necessária. Mas não vamos ficar presos somente nos conceitos de “liberdade de expressão” e de que tudo deveria ser permitido nos jogos. Vamos esclarecer e expor fatos.

Entendendo a Censura e as limitações com relação aos jogos

Por definição, a censura é: “análise, feita por censor, de trabalhos artísticos, informativos etc., ger. com base em critérios morais ou políticos, para julgar a conveniência de sua liberação à exibição pública, publicação ou divulgação” (Oxford Languages, 2021). Então partimos da ideia que a censura não é algo com a proposta somente de inibir ou impedir o uso de determinadas formas de expressão, na verdade é uma ferramenta de adequação de conteúdo para pessoas e entidades.

Muitas pessoas tem um entendimento errado sobre o termo “liberdade de expressão”, que trata-se do direito fundamental que todos temos de expressar as nossas ideias sem medo de qualquer impedimento. Mas, existe um limiar muito próximo do que pensamos sobre “expor as suas ideias” e “falar o que quiser”. A liberdade de expressão não dá o direito a se falar o que bem entender, mas temos que ter filtro e bom senso daquilo que falamos, principalmente evitando ser ofensivo. Sem falar quer tudo aquilo que falamos, pode também repercutir de forma errônea e ter uma resposta contrária, mesmo que haja um conceito bem explicado, moderado e de acordo com a ética social. O velho “quem fala o que quer escuta o que não quer”, cabe muito bem nesse momento. E portanto temos que ser cuidadosos com o conceito de liberdade de expressão e formas de se expor ideias. O nosso histórico relacionado a censura por muitas vezes é confundido com o cerceamento de direitos de expressão que vivemos durante a ditadura militar, que as autoridades usaram por diversas vezes a censura para toda e qualquer manifestação de expressão contrárias as práticas e ações que já sabemos da história da época, onde cantores, escritores, artistas e suas obras eram censurados com remoção, alteração ou até mesmo a não divulgação destas.

Mas as questões de liberdade de expressão e censura, não só nos games, não são exclusividade somente do Brasil. Outros países já adotaram algum tipo de medida restritiva frente ao conteúdo dos jogos eletrônicos, ou nos quais pelo menos o assunto já esteve em pauta, podemos citar: Alemanha, Arábia Saudita, Austrália, Brasil, Canadá, China, Cingapura, Coréia do Sul, Emirados Árabes, Estados Unidos, França, Grécia, Inglaterra, Irlanda, Itália, Japão, Malásia, México, Nova Zelândia, Rússia, Tailândia e Venezuela. Também encontram-se na lista países que proibiram determinados jogos por vontade política, tais como a Coréia do Sul e a China, o que reflete uma postura diferenciada em relação à liberdade de expressão como um todo, e não apenas com os jogos eletrônicos. Mas neste texto não temos como nos estender mais na questão da liberdade de expressão, sendo assim ficaremos somente na esfera dos games.

Alguns jogos que foram banidos e/ou tiveram restrição

Street Fighter II Special Champion Edition (1992 – Mega Drive)
Isso talvez nem seja tão conhecido, mas há uma diferença na abertura da conversão de Street Fighter II Special Champion Edition para o 16-bit da Sega. Na abertura original de arcade, se analisarmos a cena da forma, er, social, um afrodescendente apanha de um caucasiano, o que foi mantido na versão japonesa do game para o Mega Drive. No entanto, parece que os responsáveis pela localização para a versão americana tiveram um problema com isso, e trocaram a cor do personagem que leva o soco na cara. Veja nas imagens a seguir (Imagem japonesa à esquerda):

Imagens do Game – Fonte: Passagem Secreta (2011)

Doom (1993 – PC)
O jogo da Id Software, foi considerado um jogo clássico dentro do gênero de tiro em primeira pessoa, o game foi banido no Brasil nos anos 1990 por ser considerado muito realista e extremamente violento pelo Ministério da Justiça brasileiro. Contudo, alguns anos depois, a venda voltou a ser liberada no país e ainda ganhou algumas sequências e junta muitos fãs até hoje.

Duke Nukem 3D (1996 – PC)
O jogo inicialmente desenvolvido pela 3D Realms, tem o objetivo de chegar à saída de cada nível, destruindo inimigos e recolhendo pontos. O jogo fez fama, na época de seu lançamento, devido ao seu nível de design inteligente. Teve muita notoriedade com o nível de detalhes nos cenários do jogo. A maioria deles se passavam em cidades famosas de Los Angeles, trazendo ao jogador a sensação de distopia, pois ao se locomover o jogador tinha a visão das cidades dominadas e destruídas pelos alienígenas. Este fator ganhou relevância pois os jogos de tiro em primeira pessoa da época, na maioria das vezes, não se passavam em cidades e metrópoles, inclusive, nem mesmo dentro do próprio planeta terra. Inclusive foi considera um dos jogos responsáveis pela popularização do gênero tiro em primeira pessoa.

Mas no Brasil ganhou infelizmente mais visibilidade por ter sido associado a um incidente – Em 1999, o estudante de medicina Mateus da Costa Meira, então com 29 anos, matou três pessoas e feriu outras quatro durante uma sessão do filme “Clube da Luta” em um cinema de São Paulo. Mateus ficou conhecido como “o atirador do shopping” e, julgado em 2004, foi condenado a 120 anos de prisão. Em depoimentos ele teria citado o jogo “Duke Nukem 3D” (1996), que traz um cinema em um trecho da primeira fase. Mesmo quase quatro anos depois de lançado, o jogo teve a venda proibida.

✅ Carmageddon (1997 – PC)
Jogo da Stainless Games, lançado em 1997, é um game de corrida, que na época muitas pessoas viram e ficou conhecido por ser graficamente muito violento. O game é baseado no filme Death Race 2000, de 1975, cuja história envolvia uma competição na qual o objetivo era atropelar o máximo de pedestres possíveis. A temática fez com que o jogo fosse banido no Brasil e censurado em outros países.

✅ Postal 2 (2003)
O jogo da empresa Running with Scissors, foi banido no Brasil e em uma série de outros países, por ter sido considerado extremamente violento, além de abordar temáticas delicadas – como doenças, racismo, homofobia e religião, e considerado feito com muito mal gosto. O país que mais levou a sério a proibição foi a Nova Zelândia. Por lá, se alguém for flagrado com uma cópia do jogo poderia pagar multa de 2 mil dólares neozelandeses.

✅ Counter Strike (2004)
Lançado em 2008 pela Valve, na época levou muitas pessoas as Lan houses, foi proibido de ser comercializado no Brasil após ter sido considerado muito violento e nocivo à saúde dos jogadores. Contudo, quem já tinha comprado o game não precisou devolver a mídia, e, no ano seguinte, a proibição foi revogada em todo o território brasileiro.

Counter Strike, que teve a sua venda proibida no país após uma decisão judicial, que alegava realismo extremo da violência e glorificação de traficantes no jogo, a despeito da classificação etária e de que muitos dos pontos apresentados na verdade faziam referências a mods. Hoje é um dos jogos mais conhecidos do mundo no cenário de E-Sports.

✅ Bully Scholarship Edition (2006)
O game para Playstation 2 da Rockstar Games, foi proibido no Brasil com uma história controversa que acontece em torno de uma criança que sofre bullying na escola, e não o promove. O problema é que muita gente entendeu a mensagem do jogo errada e achou que ele promovia bullying entre crianças e adolescentes, quando, na verdade, era uma história sobre superar esse problema. Sua comercialização foi suspensa pouco tempo após o lançamento original, no PS2, em 2006, acabou sendo banido do Brasil por entender-se que “promovia a violência”. O banimento só foi revogado no ano de 2016.

✅ Manhunt 2 (2007)
Mesmo tendo seu primeiro título enfrentado duras críticas em seu lançamento em 2006, a continuação do jogo de terror psicológico da Rockstar foi banido na Inglaterra, Coreia do Sul, Irlanda, Malásia e Nova Zelândia por conta do realismo em seus assassinatos. Com muita violência e elementos Splatter/Gore (representações gráficas de sangue e violência), tem como objetivo matar os inimigos da maneira mais cruel possível para alcançar as melhores posições nos rankings de desempenho.

✅ Call of Duty: Modern Warfare 2 (2009)
Após o lançamento do game, todas as cópias do jogo para console foram retiradas das lojas na Rússia. A decisão foi tomada por conta da missão “No Russian”, na qual o jogador causa um massacre dentro de um aeroporto local. O título causou revolta nos jogadores russos, pois, segundo eles, a nação estaria sendo retratada como terrorista.

✅ Battlefield 4 (2013)
Tanto o jogo FPS consagrado da DICE/Eletronic Arts como qualquer outro produto relacionado a ele, foram impedidos pelo Ministério de Cultura chinês de circular no mercado local por ter sido interpretado como conspiração militar contra o governo. Ambientado em 2020, o game conta a história do Almirante Chang, que planeja um golpe de Estado contra o governo chinês, apoiado pela Rússia, deixando Pequim a beira de uma guerra com os EUA.

✅ South Park The Stick of Truth (2014)
O jogo seguiu o mesmo estilo de humor da série de desenho animado e não agradou nem um pouco continentes como Europa, Oceania e Africa. Nessas localidades, várias cenas foram censuradas por envolver temas como sexo e aborto. Os produtores, contudo, usaram o empecilho a seu favor e encaixaram nas cópias para esses países uma série de imagens com piadinhas exibidas no lugar dos trechos proibidos.

✅ Cassino no GTA Online (2019)
Em julho de 2019, a desenvolvedora Rockstar lançou a atualização Cassino e Resort Diamond para o jogo online. Só que por conta das leis que regulamentam os jogos de azar em determinadas regiões, o acesso à novidade foi bloqueado em países como Argentina, Paraguai, Portugal, China e Coreia do sul.

✅ Mortal Kombat 11 (2019)
Se engana completamente quem pensa que somente os primeiros jogos desta franquia na década de 90 sofreram com parte de seu conteúdo censurado. Recentemente o Game passou por uma atualização liberada em junho de 19 e trouxe uma mudança substancial para o brutality do lutador Kabal. Enquanto na versão original do jogo o rosto do lutador aparece de forma pixelazada quando ele “tira a máscara” para assustar os inimigos, agora o efeito foi removido, gerando um efeito um tanto bizarro.

Mas o problema é só com os jogos que tem seu conteúdo totalmente proibido?
Com certeza não, alguns elementos de jogos muitas vezes são modificados ou como dizem “adaptados” como por exemplo termos pejorativos de outras línguas em dublagens, imagens supostamente ofensivas, roupas de personagens, elementos que indicam sexismo, bullying, preconceito e etc. Hoje as tanto as empresas quanto os gamers tem acompanhado essas questões e isso tem sido fruto de muitas discussões e embates dos mais diferentes níveis.

Street Fighter V -
                                                    Reprodução
Street Fighter V (2016) – a personagem Cammy, que teve o ângulo de câmera de sua animação introdutória alterado para que sua virilha não aparecesse

Há também alguns elementos sendo “monitorados” mais recentemente nas redes sociais e canais de streaming, onde as ferramentas dizem que usam certos recursos como medida de segurança. Como por exemplo no Facebook, Instagram, YouTube e Twitch e Twitter que têm exigido algumas regras de conduta das plataformas aos seus usuários. Para tanto, no caso de uma suposta infração são banidos/apagados das plataformas páginas, usuários ou postagens que estejam em desacordo com os Direitos Humanos. As redes têm moderado, e passado a remover, ou deixado de promover conteúdos inapropriados.

Saiba como funciona a censura na internet - Compara Plano
Censura nos canais de mídias sociais.

Fora quando há outras coisas envolvidas na questão da “censura”, recentemente o canal Loading passou por um incidente que de acordo com os relatos dos agora ex-profissionais da emissora no Twitter, esta, cometeu atos típicos de censura e fizeram com que os mesmos tomassem a decisão de se desligarem do canal. Vejamos o exemplo de Barbara Gutierrez, que foi umas pessoas a expor o problema em sua rede social, dizendo que a decisão conjunta foi tomada por desalinhamento editorial. Confira a explicação completa da jornalista abaixo:

Mas isso é outra história bem longa…

Entendendo as Classificações indicativas

A Constituição Federal de 1988 veda qualquer tipo de censura, seja ela de natureza política, ideológica ou artística. Mas temos alguns elementos que servem como um conjunto de informações sobre o conteúdo de obras audiovisuais e diversões públicas quanto à adequação de horário, local e faixa etária. Ela alerta os pais ou responsáveis sobre a adequação da programação, conteúdo de jogos, e ajustando à idade de crianças e adolescentes.

Classificação Indicativa é a mesma coisa que censura?
Não. Totalmente diferente da censura, a classificação é um processo democrático dividido entre Estado, empresas de entretenimento e sociedade, com o objetivo de informar às famílias brasileiras a faixa etária para qual não se recomendam as diversões públicas. Assim, a família tem o direito à escolha garantido e as crianças e adolescentes têm seu desenvolvimento psicossocial preservado. O Ministério da Justiça não proíbe a transmissão de programas, a apresentação de espetáculos ou a exibição de filmes. Cabe ao Ministério informar sobre as faixas etárias e horárias para as quais os programas não se recomendam. É o que estabelece a Constituição Federal, o Estatuto da Criança e do Adolescente e a Portaria do Ministério da Justiça.

Explicação do http://www.classificacaoindicativa.org.br/

Os jogos eletrônicos são uma forma de entretenimento tanto para crianças quanto para jovens e adultos, e como sempre digo, os jogos estão além da diversão, estes também apresentam assuntos, imagens e palavras que não podem ser vistos por qualquer pessoa, para isso temos a ferramenta da classificação de conteúdo para jogos eletrônicos, para indicar qual o público adequado ao conteúdo. Esta serve para informar o usuário (jogador ou não) sobre a adequação de faixa etária, a classificação apresenta os descritores, que são a justificativa da idade atribuída. Os descritores mais recorrentes são: violência, linguagem imprópria, medo, nudez, drogas, atos criminosos, sexo, discriminação, apostas e jogos on-line. Considerando essas duas informações, idade e descritores, podemos bloquear ou filtrar o conteúdo dos jogos de uma criança ou adolescente. Tanto no mundo como no Brasil temos algumas formas de classificação conforme veremos a seguir.

Entertainment Software Rating Board (ESRB)

Classificação ESRB – Foto: Manual dos games

O ESRB foi formado pela Entertainment Software Association(ESA), uma organização comercial composta por uma boa parte dos principais players‎‎ da indústria de jogos. A função essencial da ESRB é atribuir classificações a videogames e aplicativos para que os pais saibam o que está neles, assim vez devidamente informado, cabe aos pais decidir se esse conteúdo é adequado para seus filhos. Além disso, as classificações da ESRB dão aos varejistas como Walmart e GameStop algo para estabelecer políticas corporativas de vendas e capacitar seus funcionários.‎

As classificações do ESRB têm três partes:
✅ Primeiro, há as categorias comuns. Você provavelmente já está familiarizado com eles: “EC” para a primeira infância, “E” para todos (originalmente conhecido como “K-A” para crianças para adultos), “E 10+” para maiores de 10 anos, “T” para adolescente, “M” para maiores de 17 anos e “AO” apenas para adultos — uma classificação raramente usada muitas vezes considerada o ‎‎beijo da morte‎‎ para qualquer jogo com esperanças de sucesso comercial.‎
✅ Logo após, há os chamados “descritores de conteúdo”. Estas são pequenas denominações adicionadas às classificações globais. De acordo com ‎‎o site da ESRB,‎‎ isso inclui chamar coisas como referências ao álcool, a representação de sangue, linguagem e temas sexuais e o uso de drogas e álcool.‎
‎✅ Por fim, há uma classe adicional de denominações que definem a conectividade de um determinado jogo. Estes fazem parte de uma categoria adicionada às classificações do ESRB em 2013 chamadas de “elementos interativos”. É aí que irá o novo aviso sobre conteúdo premium, ou pagamentos no jogo, por exemplo.‎
Conheça mais dessa classificação clicando aqui.

A brief history of the ESRB rating system - Polygon
Exemplo de selos de qualificação da ESRB

Pan-European Game Information (PEGI)
O sistema PEGI foi elaborado pela Federação Europeia de Software Interactivo (Interactive Software Federation of Europe – ISFE) tornando-se um sistema único que substituiu outros sistemas nacionais. É apoiado por diversos países: Áustria, Bélgica, Bulgária, Chipre, Dinamarca, Eslovênia, Espanha, Estônia, Finlândia, França, Grécia, Hungria, Irlanda, Islândia, Israel, Itália, Letônia, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Noruega, Países Baixos, Polônia, Portugal, Reino Unido, República Eslovaca, República Tcheca, Romênia, Suécia e Suíça.

“A classificação de um jogo confirma que o mesmo é adequado para jogadores a partir de uma determinada idade. […] A classificação PEGI tem em consideração a idade adequada das pessoas a quem se destina um jogo e não o nível de dificuldade.” (PAN-EUROPEAN GAME INFORMATION, 2018).

Este sistema possui 2 níveis, além da classificação PEGI padrão (3, 7, 12, 16 e 18), o sistema dispõe de um rótulo generalizado, o PEGI OK. Esta categoria abrangente é utilizada em websites e serviços on-line que ofertam jogos pequenos, e podem ser usados por jogadores de todas as faixas etárias. O PEGI OK não deve incluir: incentivo ao uso de drogas, violência, apostas, cenas de medo, estimular o álcool/tabaco, nudez, linguagem inadequada e menção sexual. Quer conhecer um pouco mais sobre o que os rótulos significam, acesse esse link.

Classificação – PEGI (Foto: Site PEGI 2021)

Classificação Indicativa Brasileira
No Brasil, como uma exigência do Ministério da Justiça, todo jogo eletrônico deve possuir uma classificação de conteúdo. Vale ressaltar que, os pais ou responsáveis por crianças e adolescentes devem estar cientes que o conteúdo presente no jogo eletrônico pode influenciar tanto de modo positivo quanto negativo a vida dos menores, por isso é interessante verificar sempre a classificação indicativa de um jogo antes de jogá-lo.

Criada em 2006, a Classificação Indicativa Brasileira foi constituída pelo Departamento de Justiça, Classificação, Títulos e Qualificação (DJCTQ) do Ministério da Justiça do Brasil. Ela atribui classificação indicativa a obras audiovisuais de televisão, mercado de cinema e vídeo, jogos eletrônicos, aplicativos e jogos de interpretação (RPG).

Buscando a corresponsabilidade entre o Estado, as empresas que produzem os conteúdos e as famílias, esta classificação foi criada baseada no principio de oferecer “instrumentos confiáveis para a escolha da família e a proteção da criança e do adolescente contra imagens que lhes possam prejudicar a formação.” (BRASIL, 2012).

O processo de classificação indicativa adotado pelo Brasil considera a corresponsabilidade da família, da sociedade e do Estado na garantia à criança e ao adolescente dos direitos à educação, ao lazer, à cultura, ao respeito e à dignidade. Essa política pública consiste em indicar a idade não recomendada, no intuito de informar aos pais, garantindo-lhes o direito de escolha.

O surgimento da classificação indicativa no Brasil, sua regulamentação e aplicação, foi uma conquista da sociedade brasileira, que ansiava por um mecanismo de informação que garantisse aos pais os subsídios mínimos para poder decidir sobre quais conteúdos o seu núcleo familiar deveria ter acesso, com segurança e responsabilidade.

(CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA GUIA PRÁTICO, Secretaria Nacional de Justiça – 2018)

A faixa etária e os descritores indicados correspondem aos critérios de violência, sexo e nudez e drogas que contenham nas cenas, para jogos considerados livres e não recomendados para menores de 10, 12, 14, 16 e 18 anos.

Caixas de informação padrão da Classificação Indicativa Brasileira (Justica.gov.br)

Quer conhecer mais do Sistema Brasileiro de Classificação Indicativa? Acesse este link com Guia Prático.

A censura pode ser vista por muitas pessoas como algo simplesmente com o objetivo de cercear ou tolher a produção e desenvolvimento cultural de muitos lugares, mas com o devido uso e bom senso muito do que é necessário para termos conteúdo de qualidade e devidamente adequado ao público pode ser feito.
Espero que tenham gostado do conteúdo e comentem.
Em breve voltamos e colocamos mais ideias em jogo 🙂

Referências:

Censura nos jogos: você está entendendo isso errado (vaojogar.com.br)
Sobre a censura dos games numa nova ditadura militar (gamersensato.com.br)
Especial: Censura de Games no Brasil – GameBlast
Bully faz 10 anos: veja curiosidades e polêmicas sobre o game | Notícias | TechTudo
7 games proibidos no Brasil pelos mais diversos motivos (einerd.com.br)
10 jogos de videogame que foram banidos ao redor do mundo – 33Giga
A censura e os jogos eletrônicos – Parte 1 – Arena Xbox
https://canaltech.com.br/jogos-para-pc/devotion-jogo-de-terror-e-removido-da-steam-por-ofender-presidente-da-china-133627/
https://sportv.globo.com/site/e-sportv/noticia/pro-player-de-hearthstone-e-banido-por-um-ano-apos-apoiar-protestos-em-hong-kong.ghtml
Classificação de Conteúdo para jogos eletrônicos – Make Indie Games
Classind – Guia Prático de Audiovisual 3º ed (justica.gov.br)
http://www.puc-rio.br/pibic/relatorio_resumo2010/relatorios/ccs/dir/DIR-Victor_Leahy.pdf
Jogos | ESRB irá adicionar selo de “Compras Dentro do Jogo” – Manual dos Games
A brief history of the ESRB rating system – Polygon
Censura na abertura de Street Fighter II Special Champion Edition do Mega Drive – (passagemsecreta.com)
Recent Video Games That Were Censored | ScreenRant