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Olá, meu nome é Karine Lustosa, e este é meu primeiro texto pro Vem Pra Mesa. Logo de início trago a vocês uma entrevista com o  game designer e programador Bruno Teixeira Maia, formado em jogos digitais pela Estácio, e criador e desenvolvedor do jogo de mesa Reinos e Relíquias, vamos conferir! 

Karine Lustosa:  ” – Então Bruno, primeiramente agradeço por sua disponibilidade em dar essa entrevista para nós, quero dizer também que sou uma grande fã do Reinos e Relíquias, e tenho uma estima enorme por esse jogo e por ele ser algo nosso, bem cearense. Eu gostaria de saber como surgiu a ideia para criação do Reinos e Relíquias?”

Bruno Maia:  – Para falar da concepção do Reinos e Relíquias, acho importante falar um pouco do meu início como desenvolvedor de jogos. Desde criança eu sempre gostei dos mais diversos jogos e tive a sorte de ter tido acesso a uma lista um pouco mais vasta do que as demais pessoas da minha geração.  Lembro em especial do jogo: The Amazing Labyrinth que tinha um tabuleiro que mudava de acordo com as jogadas de cada jogador e era uma espécie de corrida entre os jogadores dentro de um labirinto para coletar tesouros.

Todos os jogos me davam diversas ideias e mais tarde comecei a testar algumas delas, de forma que criei meu primeiro sistema de RPG sem nem mesmo saber o que era RPG.  E jogava com meus amigos de infância, nessa época eu tinha por volta de 13 ou 14 anos. Pois bem, esse sistema seguiu evoluindo e com ele muitas ideias e projetos de jogos foram sendo escritos, guardados, rasgados.

Sentia falta de jogos que pudessem reunir muitos jogadores e que não sofressem com a eliminação de jogadores como ocorria com o War e alguns jogos mais novos que tive contato durante a faculdade de jogos, dentre eles: Citadels, Bang e Mage Knight. Bang era simples e foi forte influência frente aos meus familiares que sempre se reúnem ao final de ano. Então comecei a imaginar um jogo que não tivesse eliminação de jogadores, brincasse um pouco com a ideia de times, personagens e objetivos e então comecei a projetar o reinos e relíquias, que não tinha nenhum nome na época. O projeto ficou engavetado por uns 3 anos.. até dois amigos meus me incentivarem a tirar o projeto do papel e se prontificaram de juntos fazermos se tornar realidade. Ulisses e Filipe me ajudaram e juntos criamos o mundo de Elpis e o Reinos e Relíquias. Do projeto escrito muita coisa mudou, a influência do Magic e do Mage Knight foram importantes para o sistema de respostas e elementos funcionar como deveria. o Bang com sua ideia de distância entre os jogadores na mesa e junto com o Citadels a ideia dos reinos que dizem a que time aquele jogador pertence e o direciona em seu objetivo.

KL: Quem colaborou contigo na criação e desenvolvimento do projeto?

BM:– Colaborações principalmente do Ulisses e do Filipe, na verdade, sem o Ulisses o projeto não teria ido adiante, Reinos e Relíquias é dele também. Tivemos apoio de diversos amigos e familiares para os primeiros testes, depois tivemos espaço em importantes eventos para testar versões e ao mesmo tempo ir apresentando o jogo ao público.  

A Escola Porto de Iracema das Artes com o evento do Joga Fortal, contato com o Luiz Pedro, UFC com Igrejota, da equipe de sistemas e mídias digitais, e evento de boardgames contato com o Professor Marcos Teodorico. Um espaço  no Sana e Sana Fest, livraria cultura, pessoal da EEFM José de Alencar, contato com o professor Maycon  Maia, alguns canais no youtube que receberam versões protótipo do jogo e alguns outros desenvolvedores brasileiros.

KL:Quais foram as inspirações para criação do jogo?

BM: -Reinos e Relíquias tem um pouco da minha jornada no universo do rpg e bebe de mecânicas do Magic, Bang, Citadels, Mage Knight e até do Munchkin como foi levantado em uma palestra pelo Ulisses.  Dentre os personagens e itens que compõem o mundo de Elpis podemos destacar alguns amigos, familiares, cachorro da minha mãe, ex namorada e outras coisas que não convém falar para as demais pessoas. A ideia dos elementos não veio do capitão planeta, apesar de termos abraçado a ideia na hora de explicar as regras durante os eventos.  Resumindo, o jogo é um aglomerado de experiências minhas, do Ulisses e do Filipe.

Um fato curioso é que 90% dos meus amigos perguntaram o motivo de eu não ter feito o jogo se passar no universo de Ariën, cenário meu de RPG com quase 20 anos. Os motivos são vários, mas posso destacar dois principais. Primeiro: quando o Ulisses e o Filipe entraram no projeto, o jogo deixou de ser do Bruno e passou a ser nosso, então era mais lógico que nós três fizéssemos um novo mundo, no qual todos teríamos liberdade criativa. Segundo, meu cenário de RPG tem um projeto próprio para um jogo digital.

KL: – Quais as dificuldades de criar um jogo de mesa?

BM:– As duas maiores dificuldades em se criar um jogo físico são: a quantidade de testes e pessoas envolvidas para isso as vezes atrapalham sem contar que o jogo não digital precisa estar 100%, pois a dificuldade de alterações em regras e componentes são quase impossíveis; regras essas que devem estar bem claras, o que é difícil   quanto mais complexo o jogo se torna ou com quantas configurações possíveis de se jogar.

A outra grande dificuldade está na fase de produção, a necessidade de acompanhar a gráfica em todas suas etapas e a impossibilidade disso muitas vezes, os erros, o desgaste e a frustração de reconhecer que isso é sim um erro seu, um erro de projeto na hora de escolher a gráfica e na forma de contrato.

KL: Como Vocês trabalham para fazer o Reinos e Relíquias ser conhecido?

BM:– A principal forma de fazer o jogo ser conhecido é levá-lo para eventos, mas também é importante se utilizar de veículos como o youtube e grupos do facebook, canais e grupos de review e estudo de jogos.  Acredito que seja importante falar do seu jogo para as outras pessoas, mas esse é um quesito que eu peco bastante, talvez pela minha natureza tímida.

KL: Como conseguir recursos?

BM:– A captação de recursos foi feita através de financiamento coletivo pelo Catarse, apoio dos familiares, amigos e das pessoas que conheceram o jogo nos eventos foi crucial para o sucesso do financiamento.

Há muitas coisas a se falar sobre financiamento coletivo, do que se fazer e o que não fazer. Mas foi uma boa experiência ter sido bem sucedido em um primeira empreitada e já antes tendo ajudado em diversos outros projetos.

KL: – Bruno, você tem futuros projetos, está trabalhando em algo?

BM:– Atualmente venho trabalhando em 3 projetos: Caçadores de Relíquias,jogo de tabuleiro que se passa no universo de Elpis, Justa de Dados, jogo filler de dados sobre justas medievais, e um projeto digital que não posso dar muitos detalhes no momento.

KL: Já tem previsão de lançamento?

BM: – O Justa de Dados por ser bem simples, deve estar pronto já em Abril ou Maio do próximo ano(2018). O Caçadores de Relíquias ainda precisa de bem mais testes e ajustes, não tenho como estimar ainda uma data.

KL: Como e quando foi o teu primeiro contato com os jogos de mesa?

BM: – Meu primeiro contato com jogos de mesa eu não lembro, mas provavelmente foi vendo meus primos mais velhos e meus tios jogando War. E até onde lembro escadas e escorregadores foi o primeiro jogo que joguei.

 

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Karine Lustosa

Escritora, estudante de enfermagem, membro da TavernaBGames e Gamer
“Mire nas estrelas para acertar a lua”