12715682_741423535993235_8455688553506092353_n

E aí pessoal, tudo bem!? Domingo passado (03/04), compareci ao evento Covil Do RPG que ocorre todo domingo no Shopping Benfica. Chegando lá, me deparei com um “banner” que me chamou atenção. Nele continha informações sobre os benefícios que causam para quem joga RPG

IMG_9112IMG_9115

Bem, mas meu foco é com o Covil Delas, que é a parte feminina do Covil do RPG, portanto, ambos acontecem juntos, no mesmo lugar. O Covil delas é formado por 9 integrantes mulheres: Camila Gouveia, Sara Carolina, Thaís Alves, Thayana Sampaio, Arusha Oliveira, Jana carolina, Eliene Moreira, Sâmya Mesquita e Caroline Rodrigues, que colabora com os board games.

Cada uma narra um sistema de RPG, esse domingo agora teve Vikings, Desafio dos bandeirantes, Cthulhu, Star Wars, Vampiro a idade das trevas e Guerra dos Tronos, que não foram narrados somente por mulheres, mas também por homens.

Fui em busca de conhecer mais o trabalhos das meninas e fiz umas perguntas a fundadora do Covil delas, Camila Gouveia, abordando um pouco sobre as atividades, dificuldades ou até mesmo preconceitos que surgiram pelo fato de serem narradoras e jogadoras mulheres.

Z-Covil6

UCEG: Como que surgiu a idéia de criar o Covil delas?

Camila Gouveia: “Surgiu a partir de uma conversa que eu tive com o Fernando Machado, que também é o organizador e o diretor do Covil do RPG. Foi em uma época que estava ocorrendo essa polêmica com a questão do machismo no rpg, mulher no rpg e tudo mais, daí eu disse: porquê não incluirmos essas mulheres no Covil do RPG? Ou até mesmo criar um evento? Então, falei para criarmos o grupo e assim fizemos. Porém, eu não tinha muitos contatos de narradoras mulheres, pois é complicado encontrar narradoras em um público tão restrito. Decidi pedir ajuda ao Fernando para encontrar narradoras disponíveis e surgiu o Covil delas.”

UCEG: Qual a reação das meninas quando você propôs o projeto do Covil?

CG: “De início elas ficaram um pouco tensas. Uma falou: ‘Então, mas será que vai dar certo? Eu não conheço ninguém, será que vou conseguir interagir com as outras meninas?’ Muitas delas nunca haviam narrado, mas por jogar e já conhecer o rpg, elas foram incentivadas. Então, no começo foi um pouco complicado… Não digo difícil, mas foi aquela coisa mais tensa, depois foi algo que foi se resolvendo, tanto é que antes, meninas que não narravam, hoje em dia estão narrando.”

UCEG: Há algum dificuldade em um grupo de narradoras mulheres?

CG: “Hoje em dia nem tanto, é algo que não é tão notório assim, mas antigamente havia mais…  Os homens falavam:
‘Ela não vai saber!’ ‘Não tem papel para isso.’
E essa história de “não ter perfil”, hoje em dia, ainda é dita muitas vezes. Uma de nossas narradoras recebeu a seguinte resposta no facebook: ‘Mas eu nem sabia que você tinha perfil.’ Foi um impacto ouvirmos isso de um jogador de rpg, algo que não deveria existir no meio. Fora, nós ainda entendemos, mas dentro do rpg? Não. Por esses e outros motivos, ainda existe um receio de jogar com narradoras.”

UCEG: Você acha que ainda ocorre muito preconceito com mulheres que jogam RPG?

CG: “Sim, em comparação a antigamente, hoje é bem mais sutil, pois o assunto ‘machismo’ já é bem debatido, é um assunto polêmico e que muitas vezes até acaba sendo jogado para baixo do tapete na questão do ponto de vista por alguns homens. Uns aceitam que as mulheres joguem, mas geralmente falam: ‘Bem, é a namorada, o narrador vai pegar leve.’ ‘Não vamos fazer nada se não nós perdemos ponto.’ entende? Tem muito aquilo como se a mulher fosse ‘café com leite,’ como costumavam chamar nos jogos em geral.
Acham que porquê é mulher, você tem que criar um personagem feminino e que esse personagem precisa ser a princesa indefesa que precisa seduzir. Então eu já presenciei isso em uma mesa e um cara falou: ‘Ele está apaixonado por você, e aí, o que você vai fazer?’ Como se fosse meu papel de mulher tentar seduzi-lo. Foi algo que me deixou bastante constrangida e também pelo fato do meu namorado ser jogador e as pessoas acharem que eu só comecei a jogar por conta dele. Acham que ele me iniciou, e eu falo que quem me iniciou foi uma mulher, daí as pessoas acham bem estranho.”
Z-Covil1 Z-Covil2 Z-Covil3 Z-Covil4 Z-Covil5


12924617_1721177874831823_6518872819494947604_nAmanda Souza
Graduanda em Publicidade e Propaganda, integrante da UCEG, apaixonada por jogos e RPG