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Depois de quase 5 anos de espera, a última aventura de Nathan Drake chegou e não decepcionou!

A franquia teve seu primeiro título lançado em 2007 para PS3 e ganhou duas continuações ainda para mesma plataforma, Among Thives de 2009 e Drake’s Deception de 2011. Desenvolvido pela Naught Dog, empresa por traz da série Crash Bandicoot, Uncharted trouxe um clima frenético de um filme de ação e uma riqueza de detalhes gráficos ao mundo dos videogames. A introdução de um personagem carismático que tira sarro das mais diversas situações que encontra em seu caminho, criando uma atmosfera mais divertida com pouca carga dramática e um enredo razoavelmente simples são os principais pontos que compõem a fórmula de sucesso do jogo.

Uncharted 4 foi planejado pela empresa para ser o último jogo da franquia, ao menos o último produzido pela Naught Dog, e, com isso, o seu ciclo de desenvolvimento foi bem maior do que os demais. E com a saída de antigos diretores e nomes de peso durante a produção, caso de Amy Henning escritora dos três primeiros jogos, além de ter dirigido o terceiro jogo da franquia, alguns fãs tinham medo que o jogo tomasse um novo rumo ou perdesse as raízes que o fizeram famoso, como um dos maiores sucessos na história dos videogames.

Enredo

Alguns anos se passaram desde a última aventura de Nathan Drake. Agora ele está vivendo uma vida simples ao lado de sua esposa Elena, antiga apresentadora de TV, a qual conheceu durante uma de suas jornadas. Tudo parece estar indo de uma forma bem promissora: Drake está trabalhando em uma empresa marítima com finalidade de procurar cargas que se perderam no fundo de rios e oceanos, realmente uma vida comum frente às suas aventuras. E Elena continua escrevendo artigos para sites e revistas, de forma bem diferente do que costumava antes de conhecer Nathan.

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Embora tudo esteja de certa forma em paz e sem se envolver em nenhum problema, a chegada de uma pessoa bastante conhecida traz um novo rumo na vida de Drake. Seu irmão Sam, que aparentemente tinha morrido 15 anos atras, reaparece de forma surpreendente mudando completamente sua vida.

Sam necessita da ajuda de Nathan para buscar o tesouro do famoso pirata Henry Avery, que estaria escondido na cidade secreta de Libertália, o mesmo tesouro que os dois sempre sonharam em descobrir juntos. Contudo, desta vez, o motivo dessa aventura tem um preço muito mais valioso do que o dinheiro: é a vida de seu irmão que está em questão. Nathan decide ajudá-lo, mas sem envolver Elena nessa busca. Assim, decide contactar um velho amigo que nunca o abandonou durante suas viagens e aventuras, Victor Sullivan. Os três então decidem partir nessa jornada contra o tempo já que a vida de Sam depende do êxito desta missão.

Sam é o irmão mais velho de Nathan, tem um temperamento diferente e sempre tende a fazer as coisas por caminhos mais simples e que sempre o colocam em vantagem sobre os outros. A adição dele para o jogo foi um ponto bastante interessante, o personagem teve um peso tão importante quanto os já conhecidos protagonistas. Isso se deve ao nível de atuação e entrosamento dos atores, Sam é interpretado por Troy Baker, o famoso Joel de The Last of Us, e assim como Nolan North, intérprete de Nathan Drake, é considerado um dos melhores atores/dubladores dos videogames.

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A expressão no rosto dos personagens define bem o sentimento de cada um

Gameplay

A jogabilidade é mesclada às cenas de ação de tirar o fôlego que lembram os filmes hollywoodianos, o que é um dos pontos mais fortes da franquia. Porém, o que torna o novo Uncharted um jogo diferente dos antecessores é como cada atitude tem uma motivação e nada está por acaso, esse passo à frente deve-se muito à adição de Neil Druckmann e Bruce Straley, diretores por traz do título The Last of Us. Ambos trouxeram um pouco mais de peso ao enredo e uma interação mais humana aos personagens.

A ação do jogo melhorou em alguns aspectos. As armas, por exemplo, estão mais “difíceis” de manejar, já que o peso e recuo podem ser sentidos de forma mais sutis do que nos títulos anteriores, além da diversidade e amplitude de alguns cenários, os quais deram uma fluidez e decisão de qual arma ou estratégia deve ser utilizada para escapar do local ou derrotar todos os inimigos. E a mira ganhou indicadores que mostram se o inimigo foi atingido ou morreu. Em caso de morte, ela ficará laranja por poucos segundos indicando assim que o capanga que você estava enfrentando foi derrotado.

A exploração dos cenários foi elevada a um novo patamar, devido à diferença de hardware e RAM entre o PS3 e PS4. É notória a riqueza do ambiente. Não importa que local o jogador está explorando, o mesmo sempre terá uma vida própria, tudo está em perfeita harmonia, umas das marcas registradas da Naughty Dog.

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Esse é um dos momentos que te fazem ouvir o som do cenário.

O modo de stealth, que já estava presente desde Uncharted 2, sofreu algumas melhorias em relação aos demais. Dessa vez é possível marcar a posição dos inimigos para prever o movimento dos mesmos, e mesmo, com essa facilidade, a inteligencia artificial dos inimigos compensa essa vantagem, um exemplo percebido é  de que, caso os corpos dos inimigos nocauteados estejam a vista reforços, chegarão para patrulhar o local.

Vale ressaltar que este modo não é obrigatório, é só uma interação diferente, caso deseje, o jogador pode derrotar os inimigos da forma casual causando diversas explosões e combates intrigantes.

Inimigos marcados ficam com setas brancas em suas cabeças

Inimigos marcados ficam com setas brancas em suas cabeças

Puzzles

Os quebra-cabeças encontrados durante a exploração dos templos e cidades não são tão desafiadores. Antes, as anotações já estavam todas no pequeno caderno que Nathan trazia consigo, porém esse conceito foi mudado, dando ao jogador mais imersão durante a jogabilidade. Os pontos para anotações e desenhos estão espalhados pelo cenário, cabendo a você explorá-lo e colocar tudo em seu caderno. Além disso, a solução de alguns puzzles pode ser feita de uma maneira prévia em seu caderno, além de ser possível ter acesso a todas as notas deixadas por antigos exploradores que visitaram o local e por ventura faleceram.

Mesmo que não sejam tão bem elaborados, exigindo uma complexidade para o jogador poder resolvê-los, isso não impede ou quebra em momento algum a imersão, já que essa ferramenta funciona de conexão às próximas cenas de ação ou exploração. Caso demorassem, ou tivessem um nível maior de exigência, esse fator poderia ser facilmente quebrado.

Drake entretido em um dos quebra-cabeças do jogo

Multiplayer

Além do modo campanha singleplayer, o jogo conta com um ótimo multiplayer 5×5 que já tinha sido liberado por duas vezes, a primeira para os que adquiriram a coleção com os três primeiros jogos remasterizados e a segunda via beta aberto. Uma das principais diferenças do modo multiplayer é a taxa de frames, no caso 60fps, o que colabora bastante para fluidez e agilidade que são extremamente necessárias para que as partidas fiquem mais emocionantes.

Diversos itens são desbloqueados por meio de pontos que o jogador coleta cumprindo objetivos extras na campanha principal, que vão de anotações e diálogos até os famosos tesouros espalhados nos mais diversos cantos dos vastos cenários do game. O multiplayer é o principal atrativo após completar o jogo, caso você não seja um dos caçadores de platinas.

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Aspectos positivos

– Visual: É indiscutível a qualidade da Naughty Dog na criação e desenvolvimento dos cenários. Tivemos o primeiro contato nos primeiros jogos da franquia Uncharted e depois nosso conceito foi elevado a outro nível em The Last of Us. Com um olhar retrospectivo é possível afirmar que a empresa foi evoluindo a cada título lançado e isso ficou nítido no último capítulo das aventuras de Nathan Drake. A qualidade em mostrar um cenário vivo, não importando se o objeto em questão é uma cadeira quebrada ou uma floresta, é feito de uma forma única.

– Linguagem Corporal: Esse é um dos pontos mais fortes. Por diversas vezes é possível identificar o que o personagem está sentindo no momento por apenas alguns movimentos faciais, algo jamais realizado em outro jogo. É importante salientar que diversos jogos já tentaram simular esses efeitos visuais com capturas de movimentos faciais, como LA Noire e Beyond Two Souls, porém em Uncharted 4 os atores não tem suas expressões faciais capturadas, o que torna o feito ainda mais incrível!

Aspectos Negativos:

– Inteligencia Artificial: Os demais elementos e a vida do cenário atuam de uma forma bastante harmoniosa, entretanto, o mesmo não pode ser dito da inteligência artificial dos inimigos durante situações de combate e Stealth. O jogo comete os mesmos problemas ocorridos nos demais da série.

Quando o jogador procura superar um obstáculo ou passar de um local sem ser percebido e comete uma falha durante a realização do evento, todos os inimigos do cenários, não importando onde estejam, imediatamente viram a atenção exatamente para o ponto onde você está colocado. Em nenhum momento é possível ludibriar ou manipular o movimento de alguns capangas, algo bastante frustante caso o jogador tente passar em uma determinada região de forma invisível, fazendo assim com que ele tenha de resetar o encontro.

– Quick Time Events: Conhecido recurso dos jogos da plataforma Playstation, o mesmo por algumas vezes quebrou a imersão do jogo em momentos decisivos. Para muitos é uma prática não tão satisfatória com relação ao andamento das ações. Um dos momentos em que esta prática é usada de forma totalmente sem objetivo é no final do jogo quando o personagem é afetado por explicações ambíguas deixando o jogador sem entender o que deve ser feito.

Conclusão

É fácil afirmar que Uncharted 4 é um jogo indispensável para quem possui um PS4. É um jogo que merece um destaque entre os melhores jogos de sua geração. Com um ótimo desfecho para uma das mais icônicas franquia dos games, Uncharted se despede com a sensação de dever cumprido mostrando que jogos podem sim ter começo, meio e um fim.

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André Mesquita
Mercante e amante de jogos digitais
‘A cultura gamer vai muito além de pressionar botões’