Quando o primeiro Red Dead Redemption foi lançado, há 8 anos, fui jogar sem esperar muita coisa, já que nunca fui o maior fã dos jogos da Rockstar ,nem mesmo GTA (o que não significa que eu não goste e nem mesmo entenda o tamanho da representatividade de tais jogos). Uma coisa que me atraia em Red Dead Redemption era claramente o clima de western que, para mim,é uma ambientação muito maneira. Continuei sem esperar muito, até que me surpreendi com o jogo,  a aventura de John Marston, os lindos cenários, o andar no meio do nada enquanto observava o sol e, por fim, com um dos jogos que se tornou um dos meus favoritos da geração passada.

Com tudo isso, minha animação para um próximo jogo tinha ficado maior. Eis que 8 anos depois, finalmente uma sequência,que acontece antes dos eventos do primeiro jogo,é lançada e tenho a chance de jogar. Mas o que Red Dead Redemption 2 representa hoje em dia para o gênero de jogos de mundo aberto e, claro, como é um jogo novo da Rockstar para a atual geração de consoles logo após o gigantesco sucesso de GTA V? Vamos montar em nossos cavalos e seguir a diante neste review!

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Antes, quero começar com a parte “chata” do jogo. Que no caso é toda a estrutura de um jogo de mundo aberto padrão. Vá em um ponto x do mapa, fale com uma pessoa, siga ela e complete uma missão completamente scriptada onde sair um pouco do que os designers programaram, faz você ter a missão dada como uma falha e o loop de repetir até tudo dar certo se segue.
Daí você me pergunta: Mas todo jogo de mundo aberto ou não, não é assim?; Sim, mas para o escopo de Red Ded 2 e o que ele faz fora disso, ter uma certa “liberdade” em ações seria maravilhoso. Não que sejam missões ruins, afinal, elas sempre envolvem bastante o bando em que o protagonista, Arthur Morgan, faz parte. Por ser algo que acontece antes dos eventos do primeiro game, alguns rostos conhecidos aparecem durante o jogo. Isso faz você ter muito mais apreço (por menor que seja) por cada um dos membros do grupo e ajuda a dar mais vida ao jogo e, claro, muitos deles em suas missões te ensinam mecânicas do jogo que vão desde caça a roubar trens.
Tudo isso faz o jogo interagir com suas mecânicas,que são bem vastas mas ainda assim é apenas mais um daqueles jogos de mundo aberto que não muda a fórmula e continuam sempre seguindo as mesmas coisas de jogos anteriores da Rockstar.
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Mas, ainda com tudo isso, apenas seria um jogo de mundo aberto, se não fosse por todos os incríveis detalhes que RDR2 tem a oferecer.
Durante alguns momentos nesta atual geração, fiquei admirado com o gráfico de alguns jogos, mas nada que saltasse da forma gritante que este jogo tem a oferecer. A quantidade de detalhes da estrutura de mundo aberto do jogo chega a ser ignorante de tão gigantesca e profunda. Um detalhe é que joguei durante todo o tempo usando meu primeiro modelo de PS4, sem nem mesmo ter um Pro ou um Xbox One X para tirar ainda mais proveito do quão detalhado este mundo foi feito.

Ao andar pelo mundo do jogo e ficar simplesmente parando para tirar screenshots do pôr do sol (obrigado, botão share) e dos mais lindos momentos do dia no jogo, ainda me deparava com o quanto ele é vivo, mesmo não sendo um jogo com cidades gigantes e super detalhadas. Toda a vida animal em suas diversas espécies, padrões e até mesmo que interagem com a mecânica do jogo, ajudam a dar vida de forma absurda. Você pode seguir esses animais, caçar e utilizar suas peles e comidas tanto para se alimentar, doar para o acampamento e até fazer uma fogueira e comer. Isso, claro, altera o peso do personagem que dependendo se estiver abaixo, acima ou na medida certa, vai influenciar no fôlego e vida. Outra coisa que dá ainda mais profundidade as caças, é que as peles de animais tem 3 níveis, de bom, médio e ruim que vão depender da forma que você mata o animal e também da velocidade. Atirar em um animal e não o matar, fazendo ele se arrastar, faz com que a pele fique danificada na hora de retirar.
Todos esses mínimos detalhes estão presentes em cada coisinha do jogo, de uma forma que parece até mesmo um jogo de orçamento insustentável de tão bem feito. Cada animal, pessoa, local, estrutura e outras diversas coisas,tem um nível de modelagem, textura e interpretações que podem variar de acordo como você está sendo visto e agindo no mundo.
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Por ter um botão de interação com praticamente tudo no mundo, Arthur pode dar respostas que vão desde algo mais gentil até hostil. Isso faz com que linhas de diálogos sejam diferente para CADA pessoa no mundo, até mesmo para cada animal presente nele.
Até mesmo ficar sem tomar banho e usar roupas velhas, faz com que personagens comecem a agir diferente com você.

Isso somado ao nível de detalhes e rotina de cada personagem no jogo,dando ainda mais vida e imersão como, por exemplo, uma peça de teatro onde existe coreografia, música, captura de movimentos e expressões faciais para cada um dos modelos presentes naquele momento. E o que isso vai influenciar no enredo do jogo? Absolutamente nada. Mas RDR2 quer mostrar o quão seu mundo pode ter detalhes.
Junte ao nível de honra do personagem em um mundo que reage a tudo que você faz em sua infinidade de missões e detalhes, para ter claramente a melhor experiência de jogos de mundo aberto feita até hoje.

RDR2 ainda tem um sistema de missões gerada meio que aleatoriamente de forma mais espontânea. Por exemplo, no primeiro game algumas missões do nada se repetiam quando se andava no mapa, tipo ajudar pessoas sendo sequestradas, alguém com a carruagem quebrada e outras coisas. Eram poucas, o que logo se tornava algo repetitivo. Agora, além de eu não ter visto nenhuma delas se repetir, cada uma pode simplesmente ser feita de um jeito diferente, já que até mesmo para ela você tem o botão de interação que pode te dar uma resposta positiva ou negativa.
E como elas são geradas de forma aleatória, perder uma delas vai te fazer apenas ficar em mente como seria uma conclusão só sua para tal missão, já que elas não vão aparecer em um ponto específico do mapa.
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Não foram poucas as vezes em que eu me admirei olhando o céu de RDR2, parando para ver missões aleatórias acontecendo, detalhes nas cidades (algumas em específico são extremamente bonitas) durante as noites, conversando com pessoas pelo acampamento durante as manhãs enquanto tomava um café, conhecendo a vida animal com seus padrões para caçar, entre outras várias coisas que deixam o mundo do jogo um local enorme para se perder em meio da aventura.
É difícil ver o quanto alguns jogos de mundo aberto vão precisar se esforçar para alcançar o que RDR2 fez tanto em estrutura quanto em detalhes, onde todas as mecânicas interagem muito bem e de forma até mesmo metódica. O jogo é lento em suas ações, com diversas tarefas e algumas que me faziam até mesmo ficar confuso no começo, já que ele adota alguns controles que são fora dos padrões para mover personagens. O jogo está lá para em cada uma das coisas que faz, simular direito tudo em detalhes. Alguns desses são até mesmo na hora de conseguir itens em uma gaveta, onde você tem que abrir ela e pegar individualmente cada um deles. Pode parecer legal no começo e por mais que fique chato depois de dezenas de horas, RDR2 tá ali para mostrar como você vai metodicamente viver cada momento do jogo de forma profunda.

Eu até mesmo poderia me aprofundar nas outras coisas como combate, uso de itens, pescas, cuidados com o cavalo, roubos, estética e outras várias e várias coisas que o jogo tem a oferecer, mas acho que vale mais contar a experiência que esse tipo de jogo me proporcionou do que mostrar mecânicas que até mesmo são bem conhecidas em alguns momentos para essa estrutura de jogo.

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Em suas centenas de horas de conteúdo massivo, detalhado e cheio de riqueza, Red Dead Redemption 2 é claramente o jogo mais bem feito na atual geração, tanto no quesito gráfico quanto no salto em que dá na forma de se fazer um jogo de mundo aberto.
Foram poucas as vezes no decorrer dos anos que os jogos me surpreenderam graficamente e com a atenção aos detalhes, coisa que RDR2 fez algumas vezes durante minha jornada.
Ainda tenho uma infinidade de coisas para fazer e um online que até o momento deste review, apenas entrou no beta.

Com tantos jogos bons que saíram durante o ano e até este presente momento da geração, o forte candidato a jogo do ano não só mostrou fazer valer a espera de 8 anos, como também elevou para um novo patamar o estilo de jogo. Resta agora nos ver como vai ser um próximo jogo da Rockstar e os futuros jogos open world.
Se você pretende um jogo para gastar diversas horas e se surpreender (assim como eu) diversas vezes, assim como um jogo de mundo aberto, Red Dead Remption 2 é provavelmente a melhor escolha no momento. Ele une tudo de forma extremamente agradável em um dos melhores mundos já feitos no mundo dos joguinhos.
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Dados técnicos:

  • Red Dead Redemption 2
  • Gênero: Ação/Tiro em 3ª pessoa
  • Desenvolvedor: Rockstar Studios
  • Publisher: Rockstar Games
  • Plataforma: PS4 e Xbox One
  • Lançamento: 26 de outubro de 2018.

 

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Rodrigo Mesquita
“Ilustrador com um pé nos estudos de japonês, apaixonado pelo mundo dos joguinhos e animações. Final Fantasy VII melhor jogo.”