1A Ubisoft lança mais um spin-off de Far Cry 5 em um mundo pós-apocalipse atômico.

Introdução

Far Cry é uma franquia interessante. O primeiro jogo, que me fisgou por completo, foi FPS (First Person Shooter) completamente fora da curva, no bom sentido. Assim que comecei a jogar, me pareceu um jogo realista (deem o desconto se forem conferir, mas estou falando de um longínquo ano de 2004), de amplo cenário (não vou falar de mundo aberto, pois esse conceito só foi inserido de fato no gênero FPS, anos depois) mas que, em verdade, era uma espécie de Ilha do Dr. Moreau (livro de H.G. Wells, e que teve uma versão cinematográfica dirigida por John Frankenheimer e estrelada por Marlon Brandon e Val Kilmer), onde os antagonistas eram, todos, monstros geneticamente modificados. Um deleite.

A partir de então, para o bem e para o mal, a série nunca mais se repetiu. Já a partir de Far Cry 2, via-se que o enredo do jogo anterior não influenciaria em praticamente nada no jogo novo (chegando ao ponto de ir até 10.000 anos antes de Cristo, em Far Cry Primal), a não ser o nome.

Em tantas idas e vindas da franquia, a Ubisoft teve um acerto tremendo quando lançou Far Cry 3: Blood Dragon, uma expansão de Far Cry 3 que mudava completamente a história e que, a meu ver, era bem melhor do que o jogo base sobre o qual foi criado.

Quando New Dawn foi divulgado, pensei que ele poderia estar para Far Cry 5, tal como Blood Dragon esteve para Far Cry 3.

Será uma expansão (ou spin-off) tão boa quando seu consagrado predecessor? Far Cry 5 nos deixaria um legado relevante como Far Cry 3?

Vamos descobrir agora, cara-pálida!

O jogo

Que Far Cry 5 é um jogo acima da média, isso ninguém pode negar. Além de bem executado em termos técnicos (apesar de longo, como a série vem se portando desde Far Cry 3), é um jogo que chama a atenção do jogador por ter uma estrutura inteligente, uma história bem construída e uma jogabilidade redondinha, que não frustra o jogador em nenhum momento.

New Dawn se passa em Hope County, Montada, Estados Unidos (vou ficar craque em geografia americana depois dos últimos reviews – vide Days Gone), 17 anos após o final do jogo anterior e decorre dos eventos deflagrados com a guerra nuclear anteriormente vista.

O estilo do jogo continua similar ao seu antecessor, com o seu personagem (editável, diga-se de passagem, podendo o jogador escolher entre homem e mulher) matando, a pé ou em veículos montados a partir de sucatas (bem ao estilo dos filmes Mad Max), com armas muitas vezes remendadas (a besta lançadora de serras já se torna uma marca registrada do jogo), membros drogados de culto religioso violento ou caçando animais para sobrevivência.

Tudo isso com muitas cores fluorescentes, do amarelo ao verde, passando por tons de rosa e roxo delirantes, que criam um cenário bem diferente do que estamos acostumados a ver em jogos com gráficos foto-realistas.

O futuro é neon. Já era em Blood Dragon e é em New Dawn. A diferença está no apocalipse atômico.

O futuro é neon. Já era em Blood Dragon e é em New Dawn. A diferença está no apocalipse atômico.

A extravagância parecia a receita certa para um spin-off tal qual Blood Dragon (e seu incrível visual cyberpunk) havia sido em seu tempo.

Ocorre que New Dawn não é sombra de seu antecessor, Far Cry 5.

Infelizmente, o visual do jogo não é suficiente para garantir a diversão. A estrutura de mundo aberto de Far Cry, adequada para 5, é inadequada para a proposta visual de New Dawn, que, a meu ver, ficaria bem melhor em cenários delimitando as zonas de combate.

Misture Mad Max com Jet Set Radio e Borderlands e você tem uma boa ideia do visual de New Dawn.

Misture Mad Max com Jet Set Radio e Borderlands e você tem uma boa ideia do visual de New Dawn.

Muito embora as irmãs gêmeas Mickey e Lou, antagonistas da história, sejam personagens bacanas, no fundo, o jogo não muda muito com relação ao seu antecessor. Inclusive com relação ao mapa, pois alguns dos lugares por onde se passou em Far Cry 5, estarão em ruinas na nova versão. O culto religioso Novo Eden, surge como a nova roupagem do Portão do Éden, inclusive com a sobra do antagonista do jogo anterior, Joseph Seed, pairando sobre os novos tempos.

Um dos pontos legais de Far Cry 5 eram os sistemas de combate, onde o personagem principal pode recorrer a auxílio de outros personagens (NPCs) em tela, entre humanos e animais. E esse sistema retorna, de forma bastante competente no novo jogo.

Outras atividades ainda estão presentes, como o sistema de expansão de território, a possibilidade de se caçar animais (inclusive alguns afetados pela radiação atômica e fazendo jus ao visual proposto pelo jogo).

Cante conosco: We don’t need another herooooo!

Cante conosco: We don’t need another herooooo!

Em geral, tudo que se espera de um jogo dessa franquia está presente neste episódio. Entretanto (também pelo fato de se tratar de uma continuação direta de outro jogo), é impossível se livrar da sensação de déjà vu.

Para o bem e para o não tão bem assim.

Os gráficos competentes, com ambientes lindos, armas e veículos, continuam sendo destaque. As missões estão presentes em boa quantidade. As atividades a serem desempenadas, também. Mas nada muito grande como seu predecessor, mesmo porque, como já falamos, este não é um jogo inteiramente novo, mas, sim, uma sequência de Far Cry 5.

Assim, quem já jogou Far Cry 5, lançado um ano antes de New Dawn, acaba vendo as coisas se repetirem em maior ou menor escala.

O sistema de acesso a armas e itens segue o padrão do jogo base. Tirando a pá com carinha de smile...

O sistema de acesso a armas e itens segue o padrão do jogo base. Tirando a pá com carinha de smile…

Os trabalhos de dublagem foram bem executados, com boa variedade de vozes, mas, na minha opinião, com palavrões em excesso. A trilha sonora também é competente, mas não chega a ser memorável.

Veredito

Quem gosta dos FPS da franquia Far Cry merece dar uma chance a New Dawn. O novo episódio é competente, interligado com o excelente Far Cry 5 e dá ao jogador boas horas de diversão, ainda que não apresente tanta inovação diante de seu antecessor.

Para quem nunca jogou outros jogos da série, ou quem conhece, mas acabou não conferindo Far Cry 5, recomendo, antes, jogar este. E depois curtir New Dawn. A mim me parece uma experiência mais adequada para entender a história do jogo, e uma oportunidade de jogar um dos melhores jogos da série antes de passar para os tons neon da versão deste review.

Post Script

Gosto da forma como a Ubisoft trata a franquia Far Cry. Mas acho que fui com muita sede ao pote de New Dawn, achando que ia achar algo parecido com Blood Dragon. Entretanto, fica a esperança de que a Publisher francesa, num próximo jogo, faça a série retornar para a sua origem de ilha de terrores, ou fosse em direção de um universo cyberpunk, pra fugir um pouco da mesmice.

No exterior, saiu a edição Superbloom Edition, com alguns DLCS e uma steelbook bacaninha, fazendo jus às anteriormente lançadas pela franquia. Pena que não foi oficialmente distribuída no Brasil, sendo possível achar somente em importadores independentes.

No exterior, saiu a edição Superbloom Edition, com alguns DLCS e uma steelbook bacaninha, fazendo jus às anteriormente lançadas pela franquia. Pena que não foi oficialmente distribuída no Brasil, sendo possível achar somente em importadores independentes.

Prós: Gráficos brilhantes e realistas, nível de insanidade da história, missões balanceadas e as armas.

Contras: repetição do mapa, falta de inovação.

Pontuação: 7/10

Dados técnicos:
Far Cry: New Dawn
Desenvolvedor: Ubisoft Montreal
Publisher: Ubisoft
Plataformas: PlayStation 4, Xbox One e PC
Lançamento: 15 de janeiro de 2019
Plataforma de teste: PS4 Pro


Foto Mario

Mário Coelho Bessa

“Entusiasta de jogos eletrônicos desde os 5 anos de idade, quando ganhou seu primeiro videogame, um Atari 2600. Adora a geração de 16 Bits e, por causa dela, virou colecionador”