Durante todas as gerações de 8 bits (NES, Master System) e de 16 Bits (Mega Drive, Super Nintendo), os games de super-heróis sempre foram beat ‘em ups que seguiam fórmula parecida com Double Dragon, Streets of Rage e Final Fight. Adaptaram este gênero aos personagens, de forma a adequar os superpoderes, vilões e desafios e nada além disso.

A fórmula não ficou ruim, muito pelo contrário! Diversos clássicos do gênero super-herói foram muitíssimo bem representadas por beat ‘n ups pra lá de competentes, como The Punisher, alguns  jogos do Batman, Captain America and the Avengers, diversos X-Men e muitos, mas muitos Spider-Man.

Como grande fã de Peter Parker, comecei a jogar seus jogos ainda no Mega Drive (só joguei a versão do Atari anos depois), com Spider-Man vs The Kingpin, tendo passado por Spider-Man and Venom: Maximum Carnage, Spider-Man/Venom: Separation Anxiety até chegar no jogo tema deste artigo, intitulado simplesmente Spider-Man, de 2000, originalmente lançado para o PlaySation, e que, posteriormente, chegou ao Nintendo 64, Dreamcast e PC.

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Este jogo, desenvolvido pela Neversoft e distribuído pela Activision, a meu ver, revolucionou o tema super-heróis para os videogames. Pela primeira vez, era possível criar um jogo com mundo amplo, com direito a ficar vagando por uma Nova Iorque 3D, se pendurando em prédios com teias de aranha. Esta nova perspectiva 3D, em terceira pessoa, permitiu que a desenvolvedora expandisse o gameplay e trabalhasse uma nova fórmula, um jogo de super-herói que não era mais um beat ‘n up, mas sim, um action-adventure que acabou se tornando um padrão para os vindouros jogos de personagens da Marvel e DC Comics.

Além disso, o jogo era recheado de elementos dos quadrinhos, tais como o sentido de aranha, os lançadores de teias, diversos inimigos clássicos e participações especiais de personagens secundários das revistas, tais como Mary-Jane Watson, e outros super-heróis da Marvel, dentre eles o Capitão América, o Demolidor e Quarteto Fantástico. Essas participações são muito bacanas, inseridas de forma lógica na história, de forma que não fica forçado ou sem sentido. Muito pelo contrário.

A mecânica de combate gira em torno da capacidade do Homem-Aranha em saltar, chutar, socar e lançar teias. Juntando com as várias combinações, ele é capaz de lançar objetos como móveis, arremessar bolas de teia, puxar os inimigos ao alcance do corpo a corpo e acompanhar com uma enxurrada de hits, entre outras coisas. Em alguns casos, manter a saúde do aranha garante que você não irá precisar repetir o nível novamente, também, cair dos prédios ou das teias durante as missões de resgate fará com que retorne tudo novamente. Além da missão principal, existem várias coisas que podem ser coletadas durante o jogo, incluindo vários trajes e inúmeras capas de quadrinhos escondidos para encontrar.

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As lutas com os chefes de fase, que eram os maiores antagonistas dos quadrinhos, como Scorpion, Rhino, Mysterio e Venom, são uma diversão à parte, pois é necessário técnicas de combate diferentes para atacar cada um deles, mas essas habilidades são naturalmente desenvolvidas pelo jogador ao longo do game, o que torna tudo muito intuitivo e divertido, mas com uma pitadinha bem interessante de necessidade de raciocínio, mas de forma agradável, o jogo consegue cativar desde jogadores casuais e bem jovens (o jogo tem um modo Kids!, que, não sei por qual motivo, não é repetido à exaustão pelas desenvolvedoras de jogos, a fim de aproximar as crianças menores de grandes obras), até aqueles mais hardcore, que terão no fator replay e nos extras disponíveis (lembrem-se, estamos falando de um jogo do ano 2000, onde ainda não existiam sistemas de recompensa e pontuação da PSN e Xbox Live), de forma que destravar novos trajes especiais, como por exemplo, do Homem-Aranha 2099 (quem leu as aventuras de Miguel O’Hara no futuro distópico do Universo 2099 da Marvel vai simplesmente pirar pra conseguir isso!), ou do uniforme Negro, da época em que Peter Parker usava o Simbionte de Venom sem saber, Aranha Escarlate, dentre outros.

Apesar de ter sido originalmente lançado para o PlaySation, e que, posteriormente, ter saído no Nintendo 64 e PC, foi na plataforma da Sega, o Dreamcast, que o jogo chegou à sua melhor versão, com gráficos belíssimos para a época.
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Com Spider-Man, a Neversoft conseguiu levar os jogos de super-heróis a um novo patamar, sendo, certamente, a fonte de pesquisa de qualquer desenvolvedor que se atreva a desenvolver qualquer game sobre o tema.

Jogabilidade (com destaque para a evolução da dificuldade), gráficos, sons, enredo, personagens, fator replay, extras, são (ou deveriam ser) parâmetros para qualquer jogo de ação posterior a ele. E em toda esta diversidade de aspectos ele se saiu tão bem que inovou a indústria.

Os jogos posteriores do Aranha (em especial os excelentes jogos que tiveram como base os filmes de Sam Raimi, estrelados por Tobey Maguire), todos, inclusive o novo e badalado lançamento exclusivo do PlayStation 4, têm como referência a obra objeto do presente review. Um jogo que merece ser relembrado, especialmente pela sua qualidade e importância para o gênero.

 

Dados técnicos:

Spider-Man

  • Gênero: Action-Adventure
  • Desenvolvedor: Neversoft
  • Publicação: Activision
  • Plataformas: Dreamcast, Playstation, Nintendo 64 e PC
  • Lançamento: 24 de agosto de 2000

E então galera? Vocês chegaram a encontrar alguma das capas dos quadrinhos que estavam pelo jogo? Espera que tenham curtido e até a próxima!


ppMário Coelho Bessa

“Entusiasta de jogos eletrônicos desde os 5 anos de idade, quando ganhou seu primeiro videogame, um Atari 2600. Adora a geração de 16 Bits e, por causa dela, virou colecionador”