Bom domingo a todos. Mais um dia de Momento Retrô, que neste mês de maio está comemorando 4 anos! E para celebrar, vamos falar de um clássico que sem dúvidas marcou uma geração, com direito a mais de cinquenta – isso mesmo – cinquenta jogos, animações, quadrinhos e tudo o mais. Apesar de ser uma franquia de muitíssimo sucesso, a primeira jornada de Mega Man tornou-se uma aventura única (mais abaixo vocês irão entender), e mesmo deixando um pouco a desejar, conseguiu convencer a Capcom que a série poderia dar muito certo, e como deu!

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Na cidade de Monsteropolis, o uso do trabalho robótico ajudou no crescimento e desenvolvimento da civilização. Na vanguarda dessa tecnologia estão o Dr. Light e seu assistente Dr. Wily,  parceiros desde a graduação no Instituto de Tecnologia Robótica, que foram contratados para construir seis robôs para lidar com uma variedade de tarefas específicas. Estes robôs são Bombman, Gutsman, Iceman, Cutman, Elecman e Fireman, com seus nomes fazendo referência às suas principais funções individuais. O Dr. Wily, no entanto, tem planos audaciosos e opta por assumir o controle dos robôs e usá-los em uma tentativa de controle mundial. Dr. Light então, programa um robô assistente humano experimental, Rock aka Mega Man, inicialmente desenvolvido no intuito de realizar tarefas de limpeza. Agora, devidamente armado, cabe a Mega Man enfrentar os robôs rebeldes, lutar contra o dr. Wily e acabar com essa loucura.

Mega Man é um jogo de plataforma side-scrolling, que possui 10 níveis no total. Mega Man tem a capacidade de pular e disparar sua arma. Ele deve viajar para os níveis dos seis robôs modificados pelo Dr.Wily e derrotá-los em combate. Ao fazer isso, é capaz de adquirir seus poderes para si. Esses poderes podem ser usados alternadamente com sua arma principal e direcionar as fraquezas dos chefes inimigos específicos e também para revelar outros 4 níveis ocultos.

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Mesmo com todo o sucesso que Mega Man ganhou posteriormente, Akira Kitamura, o criador da série, começou na capcom em um setor que não possuía sequer relação com jogos, só depois conseguindo um cargo melhor, o que lhe possibilitou trabalhar em um jogo e criar o Rockman, que veio a público em dezembro de 1987. A ideia inicial era criar um personagem que precisasse roubar a habilidade dos inimigos derrotados para se fortalecer, em uma sequência onde a arma de um inimigo fosse a fraqueza do outro, assim como em jokenpo (pedra, papel, tesoura). O jogo já possuía um esqueleto com conceito e jogabilidade definidas antes mesmo da criação do protagonista, que teve a aparência inspiradas em tokusatsu japoneses, como Kamen Rider e Super Sentai.

Kitamura queria que seu personagem trocasse de capacete para cada arma que pegasse, e que este capacete possuísse um símbolo referente a cada nova arma, assim como no tokusatsu Ninja Captor. Sua sugestão foi “parcialmente” rejeitada, devido a complexidade do projeto, porém, eles decidiram apenas mudar as cores de Rockman e os capacetes com símbolos foi atribuído aos inimigos. Inicialmente, o Mega Man teria a cor branca, para que fosse mais fácil a visualização na hora da mudança de arma, mas ao alegarem que ele parecia fraco naquela cor, a cor foi mudada para azul, por ser a cor com maior variedade de tons na limitada paleta de cores do NES. E por fim, quando decidiram que seu braço viraria um canhão e que seria um robô.

Após isso, o novato Keiji Inafune, que estava terminando o design gráfico em Street Fighter, ficou encarregado de criar a arte conceitual do jogo, tendo como referência a arte de Astro Boy. Agora, Kitamura enfrentava outro dilema: o nome do personagem. Várias ideias “criativas” surgiram, como: Mighty Kid, Knuckle Kid e Battler Kid. Reaproveitando o conceito da mudança de cor do personagem, ideias de nomes como Rainbow Man e Rainbow Warrior Miracle Kid surgiram, até The Battle Rainbow Rockman surgir por um acaso como um trocadilho. Kitamura gostou da ideia e resolveu usar somente o “Rockman”, uma alusão a Rock ‘n’ Roll, e é dessa forma como o personagem é conhecido no Japão. Ao chegar no ocidente, o vice presidente da Capcom nos Estados Unidos detestou o nome, e decidindo mudar o “Rock” para “Mega”.

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Algumas curiosidades

> Um dos chefes no jogo que utiliza pedras como arma é chamado Gutsman e não de Rockman por esse ser o nome japonês original para Mega Man.

> Mega Man é diferente do resto da franquia:

O jogo original de Mega Man tem uma enorme quantidade de diferenças significativas entre todas as suas sequências, especialmente em torno de batalhas com chefes:

  • É o único jogo de Mega Man onde você ganha pontos (já que você não ganha vidas extras quando a pontuação aumenta como na maioria dos jogos, a pontuação é totalmente inutilizável).
  • É o único jogo de Mega Man onde você tem 6 robôs para lutar em vez de 8.
  • A palavra “READY” não pisca quando você inicia um estágio.
  • Você às vezes entra na sala do chefe a partir do topo (estágio Bombman) ou da parte inferior (estágio Elecman). Em todos os outros jogos do Mega Man, você sempre entra pela esquerda.
  • Ao se aproximar das salas do chefe, em vez de ter um portão que se abre e um portão que fecha, há somente um portão duplo que se abre e não se fecha depois que você entra.
  • Você tem inimigos entre o último portão e o chefe. Isso possibilita perder a saúde antes de começar a batalha e aumenta o desafio.
  • Depois que o chefe é derrotado, você tem que pegar uma bola para sair do nível.
  • Depois disso, você não recebe uma tela de bônus ou nada. Seus bônus aparecem diretamente na tela.
  • Este é o único jogo da série que não informa os nomes das armas que você adquire (apesar de relançamentos subsequentes como Mega Man: The Wily Wars darem os nomes).
  • A água não torna o Mega Man flutuante (ele não pula mais alto do que em terra seca). Mais uma vez, este é o único jogo da série que tem esse recurso.
  • Mega Man é invencível por alguns momentos depois que ele recebe dano, mas essa invencibilidade não se aplica a picos, diferentemente dos jogos posteriores.

 

> O Primeiro Mega Man foi refeito (no mínimo) cinco vezes, mais do que qualquer outro jogo da série.

 

> Rockman tem uma irmã que se chama Roll (Exatamente, Rock e Roll). Ela não recebeu upgrades como o irmão e permaneceu como uma robô ajudante. No final do jogo aparece Rock tirando a armadura indo de encontro a Roll e Dr. Light em casa, revelando uma aparência humana. Isso não aparece em nenhum outro jogo da franquia, o que provavelmente, foi uma ideia rejeitada pelos desenvolvedores.

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Tanto como Dr. Light e Dr. Wily são homenagens a dois grandes cientistas: Thomas Edison e Albert Einstein respectivamente, porém, o visual de Dr. Light foi inspirado no Papai Noel.

Imagino que você também deve ter tido vontade de quebrar o controle quando foi enfrentar o Yellow Devil.  Então, matou as saudades desse clássico tão querido? Até a próxima!

 


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Vívian Kim
Estudante de Jogos Digitais e Level Designer.
“Os jogos ainda irão dominar o mundo”