Late Review – Ghostbusters
I don’t wanna call!


Antes de mais nada, gostaria de apresentar a linha Late Review. Esta é uma linha que será dedicada a reviews de jogos que passaram em branco nos seus lançamentos e que a turma da UCEG e Quebrando o Controle só jogou tempos depois… Vamos para a primeira edição deste selo!

Introdução

Quem por aí não conhece Ghostbusters? Quem não adora a cara de enjoado de Peter Venkman, a cara de nerd de Egon Spengler, a animação de Ray Stantz e a cara de quem não sabe como entrou no mundo da paranormalidade de Winston Zeddemore? E o Geleia? E o Homem de Marshmallow? Quem aí nunca cantarolou a pegajosa música tema de Ray Park Jr?

Bem, se Ghostbusters marcaram época no cinema, emplacando dois dos maiores blockbusters dos anos 1980, nos games esta franquia não foi lá tão privilegiada assim…

O primeiro jogo do NES era digamos, sofrível…. O do Mega Drive deu alguma dignidade à série, apresentando uma boa aventura side scrolling. Alguns anos na geladeira, a série retorna na geração PS3 e Xbox 360 com um ótimo Ghostbusters The Video Game (que eu caí na besteira de emprestar para um conhecido e estou chupando o dedo até hoje, pois nunca mais vi meu jogo…).

Em 2016, a série retornou aos cinemas e a reboque, a Activion resolve ressuscitar a série de jogos com este Ghostbusters, objeto do Late Review, aproveitando o lançamento do filme estrelado por Kristen Wiig e Melissa McCarthy e com a hilária participação especial de Chris Hemsworth.

Se o filme foi relativamente competente servindo bem ao seu propósito de cinema-pipoca (mas longe de ser marcante como os filmes dos anos 1980), o jogo da Activision… Achava que ia entregar agora? Leia até o fim, farroupilha!

Ghostbusters os fantasminhas camaradas. Não, pera!

Sobre a Activision ser uma das produtoras de jogos mais relevantes da história, acho que não temos muitas dúvidas disso. Desde sua criação, ainda nos anos 1980, foi uma produtora de vanguarda e, até hoje, lança sucessos em escala global.

Mas nem só de acertos vive uma empresa, e digamos que esse jogo cairia melhor como um Gasparzinho, o Fantasminha Camarada, do que um jogo dos Caça-Fantasmas.

O visual cartunesco agrada!

De início, tenho que destacar que o visual cartunesco do jogo é até bacaninha. O visual isométrico das fases também é algo que me agrada desde que joguei Crackdown no Mega-Drive, ainda nos anos 1990, e ainda hoje curto esse tipo de design de fases.

Visual isométrico é interessante. Os gráficos, item.

A música tema da franquia também está no jogo, com uma versão gostosa de escutar, fiel à original e que mais uma vez vai grudar dentro do seu cérebro por horas, e dias, talvez (estejam avisados e não digam que não avisei).

Ocorre que apesar desses elementos positivos (o elogio é esse, positivo, ou seja, não é ótimo ou excelente), o jogo em si é um tanto quanto sem graça.

Os personagens que não são oriundos dos filmes da série, sejam os clássicos, seja o último, também são bacaninhas. Por não ser um jogo baseado em um filme, o enredo nada tem a ver com qualquer das películas lançadas até hoje. Os personagens também não, o que empobrece a experiência por não termos qualquer vinculação emocional com os mesmos. Não que isso seja um problema em si, mas a partir do momento que o próprio roteiro do jogo não desenvolve os personagens de forma adequada, acaba tornando-os esquecíveis com o tempo. O humor é forçado, os diálogos simplórios e a trama… bem, a trama é rasa o suficiente para não darmos importância suficiente ao jogo.

Voltando aos personagens. Temos dois masculinos e dois femininos, todos com atributos próprios de força, velocidade, energia e outras habilidades. Enfim, com atributos que fazem você escolher ao que mais se adequa ao seu estilo de jogo. Com a progressão do jogo você melhora seus atributos e equipamentos, algo meio que clichê nos dias de hoje, só que apresentado de forma burocrática, longe (mas muito longe) de uma evolução como vista em The Witcher, Spider-Man, God of War e tantos outros jogos competentes desta geração.

São 4 personagens jogáveis. Características próprias são aprimoradas com o desenrolar do jogo

Apesar de o level design ser pautado em visual isométrico que como disse, me apetece, a escolha do jogo com os 4 personagens disponíveis em tela (com você controlando um e seus amigos ou a CPU os demais) é questionável. A partir daí, os erros, em especial a lentidão na progressão de fases, na ação, nos movimentos dos personagens em tela e na linearidade. Outro problema grave do jogo é o nível de desafio baixíssimo que não empolga em momento algum.

Os inimigos são mal desenvolvidos, repetitivos e como os personagens jogáveis sem carisma, tornando o jogo, como dito, pra lá de burocrático, sem inspiração e que torrará, sem dó, de 7 a 8 horas do seu tempo (o meu eu já perdi e não tenho como recuperar…)

Veredito

Ghostbusters é um jogo fraquinho, mal concebido e executado de forma preguiçosa, sem inspiração. A repetitividade das fases, inimigos e mecânicas são a maior prova disso. A falta de um roteiro minimamente interessante com uma história capenga e personagens rasteiros só reforça os problemas.

Quando se compara com o jogo anterior da franquia os problemas ficam ainda mais evidentes, dada a qualidade do antecessor (Ghostbusters: The Video Game), cuja versão remasterizada foi lançada em 2019 para a geração PS4/Xbox One e essa sim, merece horas de dedicação.

Post Script

Não fosse a pandemia do Coronavírus, já teríamos assistido nos cinemas ao novo filme da franquia, uma sequência dos filmes dos anos 1980. Vamos esperar que seja tão bom quanto os filmes antigos, para que a gente saia do cinema cantarolando ‘If there’s something strange, In the neighborhood, who you gonna call? Ghostbusters!’

Prós: Gráficos e música.

Contras: design de fases, modo campanha poderia ser mais longo, roteiro, lentidão.

Pontuação: 2/5


Dados técnicos:
Ghostbusters
Desenvolvedor: Fire Forge
Publisher: Activision
Plataformas: PlayStation 4, Xbox One e PC
Lançamento: 12 de julho de 2016
Versão testada: PS4 (rodando em PS4 Slim)


Foto Mario

Mário Coelho Bessa

“Entusiasta de jogos eletrônicos desde os 5 anos de idade, quando ganhou seu primeiro videogame, um Atari 2600. Adora a geração de 16 Bits e, por causa dela, virou colecionador”