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Olá pessoal estamos de volta com a coluna! Atrasamos um pouco, para reorganizar, rever pautas e o contexto do Ideias em Jogo, que em breve volta com eventos e muito mais novidades.
Mas o assunto desta vez é a mini-série de vídeos realizada com o apoio da Red Bull, PARALELOS.

A proposta da série, de três episódios, dirigida e roteirizada por Hugo Haddad e Pedro Falcão, é resumidamente colocada como “Descubra como a pirataria e o jeitinho brasileiro explicam a cultura de games no Brasil”, e trata a nossa história dos videogames, marcada por adaptações, clones nacionais – muitas vezes feitas às margens da lei – e a pirataria, um problema para artistas e empresas. Ao mesmo tempo o documentário aponta que se não tivesse acontecido as “gambiarras” locais, não existiriam jogadores e a cultura de games no país.

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A ideia dos joagadores – O rapper Rashid e sua gangue (Foto: Red Bull)

Os três episódios de “Paralelos” apresentam uma narrativa bem atual alinhada a fatos da história apresentados por personagens da época.  Contando desde a popularização dos arcades customizados nos anos 70, passando pelo surgimento de consoles e jogos piratas nacionais e chegando a era dos emuladores, com os depoimentos de quem viveu dentro e fora da indústria, como João Costa, o primeiríssimo funcionário da Taito no Brasil.

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Os primórdios – João Costa, o primeiríssimo funcionário da Taito (Foto: Red Bull)

Alguns depoimentos de pessoas que fazem parte dessa história e algumas figuras da atualidade como os músicos, Emicida, Fióti, Rashid, os jornalistas Flávia Gasi e Pablo Miyazawa, o presidente da Tectoy Stefano Arnold, o engenheiro da Gradiente Marcos Santos e os game designers Pedro Santo e Amora B do estúdio MiniBoss, e Alexandre Pagano da Tectoy, e outros personagens que foram – e ainda são – importantes para o crescimento e a popularização dos jogos no país.

O documentário explora a ideia de ver como o espírito criativo brasileiro vendo a visão legal e o que também houve de ilegal que contribuiu direta ou indiretamente com a popularização dos games no Brasil. O primeiro episódio aborda os “Arcades Improvisados” e mostra uma curiosa história- que confesso desconhecia-,  pensei até que as máquinas TAITO eram importadas de uma empresa estrangeira.

Pasmem, com as máquinas de pinball da Taito, ela foi a precursora, e a indústria dos games no Brasil teve seu começo nas lojas sujas do centro de São Paulo e nas fábricas poluídas do Amazonas, o que deu assim o início da cultura gamer recheada de adaptações e clones nacionais muitas vezes criados às margens da lei em meados da década de 70 com o “Seu Zupa”, um dos primeiros da empresa, junto com o Sr. João costa (primeiro funcionário da TAITO Corp. no Brasil), que revela “Todas as máquinas Pinball TAITO no Brasil no início era cópias de máquinas americanas, vamos fazer essa máquina aqui, mas com outro nome” iniciam se assim o jeitinho brasileiro nos games. E ainda passa uma sala que eu creio deva ser algum galpão com um monte de máquinas pinball funcionando! Ainda descubro onde fica para visitar :). E claro os relatos de quem viveu a época lembra das famosas fugas para o “Fliperama” com os amigos. Bons tempos.

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A visão dos jogadores do fliperama –  Fióti e Emicida jogando (Foto: Red Bull)

O segundo episódio mostra os “Consoles e jogos nacionais” já no final dos anos 80 e início dos anos 90, ter um videogame no  Brasil não era algo tão acessível, para se ter um videogame era necessário ou contar com um importador, um amigo ou mesmo as “muambas” paraguaias. Nisso então nosso país passa a ter não só um mercado estável, mas também os primeiros jogadores. Empresas como Nintendo e Sega ainda não estavam por aqui em termos oficiais, o que fez surgir os primeiros “produtos nacionais” como os famosos Master System da TecToy e o Phantom System da Gradiente, que na verdade, eram adaptações de games e consoles populares.

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A resistência que ainda faz história – Stefano Arnold, presidente da Tec Toy (Foto: Red Bull)

Por fim, no terceiro episódio “As modificações e o começo do e-Sports”, chegamos à atualidade dos games no Brasil. Na virada dos anos 2000, começamos a ter noção sobre o que era a pirataria nos games, mesmo considerado por alguns como algo “sem malícia”, o mercado paralelo no Brasil crescia muito e – com os cartuchos dando lugar aos CDs e DVDs – a cultura de games no Brasil cresceu.

O mercado paralelo gerava patchs de jogos como Winning Eleven (PlayStation 2) e de multiplayers adaptados como Counter-Strike (PC).  Esses patchs eram mais populares que os games originais ao ponto de empresas como Microsoft e Sony notarem nosso mercado e chegarem oficialmente ao país. Tivemos assim o começo da cultura de e-Sports no Brasil.

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Os resquícios do mercado paralelo e o colecionismo atual – Durval Antonelli, vendedor de games (Foto: Red Bull)

E vamos parando por aqui e aproveite para comentar e colocar suas IDEIAS EM JOGO!

Assista todo o documentário e veja mais informações nesse link: www.redbull.com/br/pt/games/stories/1331828275602/serie-paralelos-narra-pirataria-de-games-no-brasil

 

 


Izequiel Norões
Professor, Analista de Sistemas, Diretor da UCEG e pai do Icaro.
“Jogos não são joguinhos”