topoIdeiasEmJogo02032017

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Com certeza muitos devem ter lido os livros 1983 e 1984 do autor Marcus Vinicius Garret Chiado (Garrettimus). Estes já tinham um conteúdo relevante para a história do videogame no Brasil, que deram origem ao documentário que será lançado ainda esse ano, inclusive nós falamos sobre o mesmo por aqui anteriormente.

O prefácio da obra já menciona algo bem especial: “Não nos damos conta, mas o videogame, batizado por uma empresa nacional de “Inimigo” em uma de suas primeiras aparições oficiais no Brasil, faz parte das vidas das pessoas, das nossas vidas, há mais de trinta anos. No início da chamada Década Perdida, os anos oitenta, aos poucos as crianças ignoravam as brincadeiras tradicionais, como o pega-pega e o esconde-esconde, para que se reunissem em frente à TV não só para assistir às imagens, mas, pela primeira vez, para interagir com elas”.

Muito da história dos videogames no nosso país é retratado nesta obra, bem como um panorama ilustrado de como os videogames chegaram ao Brasil, trazendo referências históricas do final da década de 70, para a época do último presidente militar no Brasil, João Baptista Figueiredo, mais precisamente em 1983, o ano em que por aqui as coisas giravam em torno do final do militarismo, FMI, dívida externa, etc. O mundo curtia Michael Jackson, o declínio da Guerra Fria e claro o famoso “crash dos videogames” (que mencionamos no texto sobre a grande injustiça feita ao jogo do ET). Bem, foi neste cenário que mesmo com tantas restrições no nosso país e reviravoltas no mundo que chega por aqui o videogame.

A nova edição dos livros vem agora em volume único revisado e ampliado, e graças ao trabalho de Leonardo Bussadori, além de novas informações e de novas imagens/fotos, a grande diferença está no visual, pois o material recebeu nova diagramação e está com muito mais cara de revista, tudo bem colorido e ilustrado. O formato remodelado e no tamanho A4 permite ver imagens de época, consoles e jogos, ambientando bem a história e deixando o ar saudosístico muito mais evidente para quem lê as aproximadamente 150 páginas da obra.

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Marcus e Leonardo nos últimos ajustes da nova edição do livro (Foto: Álbum pessoal no facebook).

Além da história, muitas curiosidades, como:

  • Quais os termos  aconteceu o acordo entre a Warner e a Polyvox para o lançamento do Atari nacional em 1983?
  • Como o jogo Come-Come – do Odyssey – recebeu este título no Brasil?
  • Os Game & Watch da Nintendo quase foram fabricados aqui?
  • O Telejogo era um projeto “secreto” na Philco Ford?
  • Como os pioneiros jornalistas de games, em uma época sem Internet, faziam para que ficassem por dentro das novidades? O design do gabinete do Dynavision veio de uma vitrola?=

Muitas imagens de época como capas ilustrativas de jogos, imagens dos consoles raros da Atari Eletrônica Ltda (no Brasil), o Telejogo da Philco Ford, e até mesmo o TV JOGO que na época era vendido como um kit de montagem (tipo aquelas revistas de eletrônica).

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KIT TV-JOGO, modelo similar ao TELEJOGO vendido como Kit de montagem na época. (Fonte: Livro 1983)

Espero que depois de ver este texto, fique uma sensação de se querer ler mais e saber sobre essa história. Agradeço mais uma vez ao Marcus por permitir participar e apoiar este projeto, que junto a União Cearense de Gamers (UCEG), que no seu papel de disseminar a cultura de jogos no estado do Ceará, tem colaborado com a história do videogame no Brasil e com certeza teremos muitas  novidades em breve sobre o documentário que será lançado em setembro.

Ah! Já ia esquecendo, o livro está disponível gratuitamente na ÍNTEGRA, em formato digital, basta acessar o site do autor, Memória do Videogame e baixar o livro. :)

Fonte(s):

–  Chiado, Marcus Vinicius Garrett, 1983 + 1984: QUANDO OS VIDEOGAMES CHEGARAM (2016)

– Site: Memória do Videogame –  http://memoriadovideogame.com.br


Izequiel Norões
Professor, Analista de Sistemas, Diretor da UCEG e pai do Icaro.
“Jogos não são joguinhos”