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Para um desenvolvedor de jogos, participar de uma Global Game Jam pode ser um divisor de águas. Com certeza, é uma experiência diferenciada, que além de aprimorar o seu conhecimento no desenvolvimento de jogos, pode ajudar com relação a atuar com uma equipe de desenvolvimento e ainda ajudar no seu networking, dar visibilidade ao seu trabalho, incrementar seu portfólio, sem falar de mais um monte de vantagens que pode indicar como benefício de participar de uma maratona de desenvolvimento. Já até falei sobre isso com mais detalhes por aqui anteriormente: Participar de uma Game Jam ajuda e muito na sua formação.

Nosso estado, para ser mais específico, Fortaleza, tem participado desde 2012 da GLOBAL GAME JAM e outras iniciativas menores também aconteceram e tanto deram espaço, como revelaram muitos talentos que hoje fazem parte do cenário local de desenvolvimento de jogos.

Nesse post de hoje, irei fazer uma análise e algumas partes do Dossiê Aperta Start, gentilmente cedida pelo amigo Bruno Saraiva (um dos heróis da Global por aqui), sobre a Global Game Jam no Ceará de 2012 até a deste ano. E mais uma vez chamar atenção para a que virá em 2017. Vamos lá!

O que é a Global Game Jam?

A Global Game Jam trata-se de uma maratona mundial hacker focada no desenvolvimento de jogos, onde os participantes tem o prazo de 48 horas para desenvolver jogos de forma colaborativa e participativa de acordo com o tema proposto.

A Global Game Jam existe desde quando?

Em resumo, a primeira anual Global Game Jam foi realizada em 30 de janeiro a 01 de fevereiro de 2009, para aclamação da crítica e sucesso. Com mais de 1600 participantes em 23 países, e com o seguinte tema: “Contanto que nós temos um aos outros, nós nunca vamos ficar fora de problemas”, o GGJ produziu 370 jogos. Em 2010, o número de participantes aumentou para mais de 4.300, com 900 jogos acabados sobre o tema:”Deception”. Em 2011, havia 6.500 participantes em 44 países, que criaram mais de 1500 jogos, e em 2012 os números subiram para mais de 10.000 participantes em 46 países, com mais de 2100 jogos feitos em um único fim de semana! Em 2013 o número de países participantes aumentou de 46 a 63 países com mais de 12.000 participantes em 319 localidades. 2014 congratulou-se com 72 países, mais de 23.000 participantes inscritos em 488 locais com 4292 projetos de jogos registrados. Em 2015, tivemos mais de 500 locais em todo o mundo: 518 locais, 78 países, 28.800 participantes inscritos.

Quais os temas já abordados?

A participação cearense 

2012 – Sede Opa!

Numa escola de design, com 18 (dezoito) jammers (participantes) cadastrados e 3 (três) jogos desenvolvidos (Little Prince’s World; Mommy e Saudade). O jogo Little Prince’s World foi desenvolvido por integrantes da Fanstudio, uma das primeiras empresas de jogos registrada no Ceará, como pode ser visto na página oficial de arquivos da Global . Mommy e Saudade ainda podem ser baixados e jogados no site oficial de arquivos da Global Game Jam, o jogo Saudade teve participação de alunos do curso de desenvolvimento de jogos do CUCA Barra.

2013 – #Fail

Em 2013 não tivemos sede cadastrada em Fortaleza, nacionalmente foram 23 sedes registradas, como pode ser conferido no site Histórico da Global.

2014 – “Uma nova esperança”

Duas sedes e uma participação muito boa. Na sede Gracom, com 40 (quarenta) jammers registrados e 3 (três) jogos desenvolvidos (JCREA; Kid Crazy e Lost Kid), todos podem ser conferidos no site oficial. Na Sede Aperta Start, com 97 (noventa e sete) jammers registrados e 13 (treze) jogos desenvolvidos (Amelia; Demonomed; Dreamer; Fatos de Culpados; Gamefication Industry; Imaginary Monster; Immanuel; Insônia; Morphlien; O mostro da Vila; Point of You, The Conquerors e White is on your Mind?), conforme site oficial desta sede. As curiosidades deste ano ficam por conta do tema “Nós não vemos as coisas como elas são, vemos como nós somos”, bem subjetivo e ao estilo dos temas de anos passados.

Fortaleza teve uma representação bem maior que os anos anteriores, assim como sua produção de jogos, batendo recordes inclusive na divulgação, sendo a sede escolhida para representação nacional. Em sua participação, a sede Aperta Start convidou as seguintes empresas e grupos (Boardgames; Galápagos; Grow; Valente Studio; Copag; Hoplon; Art&Cia; Fan Studios; RAMVS; Samurai Games; Nordeste Studios; UCEG; Mega Potion; Game Storming; Ludo Design e Jogafortal) que serviram de apoio para avaliar, sem compromisso todos os jogos desenvolvidos na sede Aperta Start. Veja os links dos jogos deste ano aqui.

2015 – A maior de todas

Com três sedes essa foi a maior GGJ que tivemos em número de participantes. Aparentemente por conta da animação com a Global Game Jam de 2014 e os sucessos alcançados, Fortaleza participou com três sedes: Gracom; Porto Iracema das Artes e Aperta Start. O tema de 2015 foi “O que vamos fazer agora (What do we do now)”, cada sede teve seus resultados que agregados geraram o desenvolvimento de um total de 19 (dezenove) jogos e 161 (cento sessenta e um) participantes. A Sede Gracom teve 13 (treze) Jammers (participantes) cadastrados e dois jogos, Survive (what we make now) e Nalu Game, vejam a participação no link oficial.  A Sede Porto Iracema das Artes teve 27 (vinte e sete) jammers (participantes) cadastrados e 6 (seis) jogos publicados são eles: Bebop; Moana’s Curse; O Conselho; Relation Shift; test e waht do we do now, segue link oficial. E a Sede Aperta Start teve 121 (cento e vinte e um) jammers (participantes) cadastrados e 11 (onze) jogos publicados são eles: (um) Happy Ending; A Teia; acorde; Animalesk; Apaga as luz Mininu!; ASDF History; Bonfire; Brothers and the void; Distante do Sol e My Little Treasure, segue o veja aqui os jogos desta sede

2016 – Não foi o que se esperava

Com o tema foi “RITUAL”,  houve a participação com duas sedes: Aperta Start e Porto Iracema das Artes, que contou com um total de 112 (cento e doze) participantes e 24 (vinte e quatro) jogos desenvolvidos. A sede Aperta Start teve 77 (setenta e sete) jammers (membros) inscritos e o desenvolvimento de 16 (dezesseis) jogos: 7 Days Without Delivery; A Bailarina Amaldiçoada; Cartas; Clavis; Cotidianos Conflitantes; Destino; Etherio; First Death Turns Death; Loop Game; Magic Grade; Rain Dance 1000; Repita; Signal Chaser; The Fraternity; Ventura – LUCKINESS e Zomi. Na Sede Porto Iracema das Artes, houve a participação de 35 (trinta e cinco) jammers (membros) que desenvolveram 8 (oito) jogos: Belzebabe; Curse of the Haul-du; I-Out; Invokers; Matriarcana; Summon Defender; Thalri’s Labyrinth.

Uma análise dos dados:

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Uma visão ilustrativa do que foram as 4 edições em Fortaleza em comparação com as edições mundiais. (Fonte: Dossiê Aperta Start)

Depois de viajar um pouco sobre o histórico de cada uma das edições, podemos notar algumas informações que indicam inclusive o panorama de desenvolvimento local:

  • O aumento de cursos de jogos digitais de graduação e extensão na cidade de Fortaleza, inclusive percebe-se que no decorrer de cada edição existe a aproximação de instituições de ensino interessadas em formar uma sede;

  • Melhor engajamento dos organizadores e consequentemente dos jammers (participantes), assim como no interesse em permanecer durante todo o evento;

  • Participação de apoiadores e empresas;

  • Melhoria na qualidade dos jogos.

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Comparativo de rendimento da participação dos desenvolvedores em Fortaleza x Mundial até 2016

Vale lembrar que este evento não trata-se de um competição de desenvolvimento de jogos, o que mais motiva os participantes é a questão da interação entre os desenvolvedores (network), o desafio de passar 48h dedicados numa sede produzindo jogos de acordo com o tema.

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Comparativo entre participantes e jogos desenvolvidos local e mundial até 2016

Algo que ajudou muito foi notar que a cada edição as sedes vem se preparando melhor, organizando antecipadamente palestras e outras atividades pertinentes a Global, no intuito de atrair mais desenvolvedores ou encorajar o desafio de ter de desenvolver jogos num final de semana. Além disso, o nível dos jammers e a qualidade dos jogos têm melhorado bastante, e a prova disso é a mescla de softwares utilizados e os jogos publicados, fazendo crescer o uso de diversas engines. Como consequência, muitas empresas e grupos de trabalho surgiram, e hoje ajudam muito nesse sentido, e o que levou a essa percepção foi o fato dos integrantes desses grupos se conheceram em eventos como esses, consequentemente os jogos desenvolvidos tiveram tanta notoriedade que se tornaram fator motivador para formalização desses grupos, e a experiência adquirida durante o evento junto ao desafio de ter que desenvolver em tão pouco tempo mostraram o quanto capazes eram estas pessoas ao ponto de dar segurança a esses grupos ou pessoas a tocarem seus próprios projetos.

Muito do dossiê foi obtido da vivência dos eventos e de fontes de informações citadas. E com base no que foi apresentado, vale a pena reforçar que participar de uma Global Game Jam só traz benefícios, tanto para os futuros desenvolvedores encontrarem sua expertise ou se descobrirem capazes, quanto a população e porque não empresas em saber que temos gente qualificada. A Global Game Jam pode ser considerada como portfólio prático da aptidão pessoal, com também uma vitrine de divulgação de futuros jogos que venham a ser produzidos.

E para 2017?

Até o momento temos duas sedes cadastradas e com certeza a participação de todos é muito importante para o cenário de desenvolvimento de jogos local. Escolha a sua sede e não deixe de participar:
SEDE APERTA START – FFB
SEDE ESTÁCIO MOREIRA CAMPOS
– SEDE UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ

Referências:
http://globalgamejam.org/history
Dossiê Aperta Start – Bruno Saraiva: http://www.apertastart.com.br/

 


Izequiel Norões
Professor, Analista de Sistemas, Diretor da UCEG e pai do Icaro.
“Jogos não são joguinhos”