IdeiasEmJogo062016Tema

No último dia 22 de junho, no Centro Universitário Estácio do Ceará – Unidade Moreira Campos, aconteceu a nona edição geral e a segunda do ano do Ideias em Jogo, e, nesta, a temática do jornalismo para jogos foi explorada. Sob a mediação de André Xavier, atual responsável pela pauta de mídias na UCEG, os convidados foram:

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– Carol Sampaio e Vini Mota – Graduados no Curso de Sistemas e Mídias Digitais na UFC e criadores do Canal “Jogando de2” no YouTube;

– Professor Helder Chaves – Professor no Centro Universitário Estácio do Ceará e criador/colaborador do site Aperta Start;

– Matheus Barros – Jornalista e criador e atual diretor do canal UPLAY no YouTube;

Com um público ávido por informações sobre o cenário local e dados sobre o jornalismo para jogos, o evento teve início com uma breve abertura feita pelos convidados, e, logo em seguida, já foram usadas as perguntas enviadas pelos participantes no evento.


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A indústria dos videogames é um mercado que vem crescendo e tomando seu lugar no mundo. É inegável que, com seu tamanho, os veículos de comunicação são peça-chave na divulgação e disseminação de eventos e informações.

No Brasil, a mídia especializada nos jogos começou no início da década de 90 com a revista Semana em Ação: Especial Games, o embrião para famosa Ação Games. Sua abordagem e matérias eram de forma bem simples, a relação texto x imagem era desbalanceada, onde as imagens tinham mais espaço nas páginas que os próprios textos, além de uma linguagem informal que pode soar engraçado hoje em dia. Contudo, esse primeiro passo foi muito importante para o que possuímos hoje em dia. O profissional do jornalismo conta com diversas formas de cobertura, seja ela através de revistas, sites, vídeos ou podcasts.

É importante salientar que o crescimento do mercado de jogos possibilita não só oportunidades e melhorias para os profissionais diretos como desenvolvedores, escritores e etc., mas também para outros de diversas áreas, e a partir desse fato daremos total destaque ao jornalista de games e através do tema A profissão, o peso da industria no mercado e tendência nos jogos, e os meios de comunicação e interação com o público.

A abordagem do jornalismo para jogos na atualidade tem se profissionalizado cada vez mais e, nos últimos anos, houve um crescimento muito grande de pessoas que, de forma amadora, se dedicaram a isso e acabaram se tornando fenômenos de audiência, com o advento do YouTube, blogs e sites especializados. No Brasil isso tem acontecido e muitas pessoas nem sabem que há como se profissionalizar e ter como entrar neste mercado que cresce e já ultrapassa a casa de 100 bilhões de dólares.

Os meios tradicionais de jornalismo hoje tem uma nova realidade, as informações na Internet são bem mais acessíveis e a dinâmica da informação tem se adaptado à realidade da velocidade em que esta acontece hoje em dia, seja em blogs, microblogs ou até mesmo canais de TV Online. Esta adaptação tem feito com que muitos jornais mudem inclusive seus formatos de publicações, com alguns até deixando de veicular sua mídia imprensa e partindo completamente para o mundo online. Sem falar que o acesso a ferramentas de conteúdo de maneira cada vez mais simplificado, desde o advento da web colaborativa, tem proporcionado mais aderência e acesso de pessoas que antes não dominavam o uso de meios digitais e possam assim ter uma maior participação na formação de conteúdo na teia global. Nesse contexto entram os blogueiros, YouTubers e produtores de conteúdo independente, que além de leitores tem criado as legiões de seguidores e os que acompanham os mais variados tipo de conteúdo, permitindo atrativos e o “feed” dos mais diversos segmentos e meios de uso da informação.

Mas onde entra o Jornalismo de Games nesse contexto? Quando houve um maior acesso a divulgação e conteúdo na Web muitas pessoas se aventuraram nesse meio e hoje temos os mais variados tipos de sites, blogs e canais especializados em games. Mas o jornalismo de games no Brasil não é recente. Na década de noventa tínhamos alguns periódicos que circulavam com um ótimo conteúdo e com pessoas que formaram boa parte da crítica relacionada a jogos que notamos hoje. As revistas, Videogame, Ação Games, Game Power, entre outras, mesmo em alguns casos sendo replicadas de editoriais do exterior, ainda sim conseguiam ter grandes números de leitores e um formato de maior identidade com o público brasileiro. Algumas tinham até mesmo personagens que se tornaram referência até os dias de hoje.

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O que temos hoje é uma infinidade de conteúdos e alguns poucos que realmente valem a pena e realmente tem conteúdo. Infelizmente algumas pessoas não tem sequer à preocupação de fundamentar o que falam ou simplesmente caem no “achismo” e se dizem formadores de opinião. Abordar um assunto sem a propriedade e conhecimento necessários pode ser perigoso. A formação, preparo e a orientação podem ser o melhor caminho para proporcionar um melhor conteúdo e o mais importante, dar credibilidade ao que se publica. Pensando nisso muitas insituições já ofertam em suas grades nos cursos de jornalismo e mesmo em especializações o enfoque para o jornalismo de jogos, crítica de jogos, entre outras formas de se tratar de jogos na atualidade.

Um breve histórico do jornalismo de games

No início dos anos 70, não havia imprensa relacionada a jogos. O que se teve mais próximo foi o períodico “Play Meter”, lançado em 1974, que cobriu jogos de arcade, mas com uma visão de possibilidade de negócios. Somente sete anos depois, em novembro de 1981, a editora britânica EMAP lançou a revista “Computer and Video Games magazine”.

 

No Brasil as primeiras publicações foram direcionadas, poucos sabem, mas a primeira publicação nacional impressa totalmente dedicada aos games foi a Odyssey Aventura. Lançada em 1983, era uma adaptação nacional da revista americana Odyssey Adventure. Era uma publicação exclusiva para uma espécie de clube dos proprietários do Odyssey, console que obteve relativo sucesso na época. Ou seja, por não ser vendida diretamente ao público, ficou pouco conhecida, e também não teve uma vida muito longa: com periodicidade trimestral, teve apenas 8 volumes de setembro de 1983 a junho de 1985 (justamente o período de maior sucesso do Odyssey, que logo em seguida, viria a perder muito espaço ao Atari 2600).

Confira o vídeo com uma matéria sobre a Super Game Power:

Algumas questões discutidas no evento

A pauta foi iniciada com as falas do mediador, André Xavier que colocou alguns dados e informações sobre o Jornalismo para jogos, citou inclusive elementos de como era o jornalismo no início com imagens fotografadas dos jogos nas telas de TV de tubo, imagens mais voltadas para vendas e outras curiosidades.

Após essa breve introdução, o debate foi iniciado com perguntas selecionadas a partir da página do evento, além de perguntas realizadas pelos presentes.

A primeira pergunta foi:

Como o Jornalismo de gamers pode afeta diretamente o mercado, levando em considerações estratégias de marketing para alavancar ou derrubar um produto?

Para Matheus Barros:

“As pessoas hoje em dia buscam muito por sua opinião a respeito de um determinado assunto, você deve analisar com calma e seriedade a respeito daquilo que está sendo abordado”

Professor Helder Chaves:

“Nós poderíamos citar o jogo Migthy No. 9 por exemplo, ele foi criado por Keiji Inafuni, o cara por traz da franquia MegaMan, o jogo é um tipo de sucessor espiritual do jogo MegaMan. Contudo devido a forma como a produção do jogo foi levada e os diversos atrasos na produção e entrega do produto sem acabamento, level design abaixo do esperado, o jogo sofreu uma grande retaliação da mídia e influenciou negativamente no marketing do mesmo.”

Segundo André Xavier:

“Hoje em dia devido a facilidade de compartilhamento de informação e o imediatismo das pessoas, que por muita das vezes não chegam a ler ou procurar entender um pouco mais sobre o assunto acabam tomando uma determinada visão como verdade, e essa para esse tipo de público uma campanha de marketing positiva ou negativa por ser crucial para o sucesso de um produto.”

Dando continuidade, a pergunta seguinte foi:

Qual o potencial para feiras de games estilo BGS aqui no Ceará?

Para Carol Sampaio:

“Quando fomos a BGS pela primeira vez, foi bastante importante para nós, conhecemos diversos desenvolvedores, produtores de conteúdo e isso ajuda muito para a continuidade do trabalho além de conhecer um pouco mais do mercado e divulgação desse conteudo”

Matheus Barros completou:

“Ao comparecer ao evento da BGS vimos comoeles tratam bem os desenvolvedores e produtores de conteúdo, é nítido o carinho e o compromisso que eles tem com as diversas mídias, principalmente os YouTubers, os quais possuem um grande espaço dedicado na feira.”

 

Como conciliar a regularidade de recebimento de kits de imprensa e manter os reviews imparciais?

Matheus Barros:

“Eu gostaria muito de acreditar na imparcialidade dos veículos, porém sabemos que alguns deles dependem deste tipo de divulgação para se manterem ativos e obter seus lucros.”

Professor Helder Chaves:

“É importante que o crítico tenha consciência de como deve apresentar seu trabalho, caso apresente seu ponto de vista como jogador, fã de jogos ou como profissional da área, para que assim ele seja sincero e correto com aquilo que ele esta passando para o leitor.”

André Xavier finalizou:

 “Para quem está analisando o produto, é importante que o crítico passe uma determinada imparcialidade a respeito do mesmo, porém em suas análises pode destacar alguns aspectos positivos e negativos para que o público que acesse seu conteúdo possa ter certeza se aquele jogo se encaixa com suas características e será uma compra sem nenhum prejuízo.”

Referências:
http://www.marketingegames.com.br/a-abordagem-jornalistica-sobre-games/
http://www.pucsp.br/pos-graduacao/especializacao-e-mba/critica-de-videogames#apresentacao http://observatoriodaimprensa.com.br/imprensa-em-questao/morrem-os-jornais-surgem-as-marcas-jornalisticas/
http://www.marketingegames.com.br/documentario-historia-das-revistas-de-videogame-no-brasil/ http://jogos.uol.com.br/ultimas-noticias/2011/05/20/tire-suas-duvidas-sobre-jornalismo-com-serie-de-entrevistas-exclusivas-de-uol-jogos.htm
http://www.usgamer.net/articles/a-brief-history-of-games-journalism https://geracaogamer.com/2014/12/22/o-jornalismo-brasileiro-de-games-precisa-falar-mais-sobre-o-brasil/
http://jogos.uol.com.br/ultimas-noticias/2011/05/20/tire-suas-duvidas-sobre-jornalismo-com-serie-de-entrevistas-exclusivas-de-uol-jogos.htm


 

Izequiel Norões
Professor, Analista de Sistemas, Diretor da UCEG e pai do Icaro.
“Jogos não são joguinhos”


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André Mesquita
Mercante e amante de jogos digitais
‘A cultura gamer vai muito além de pressionar botões’