(Foto: Alvanista)

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Toda hora ouvimos falar sobre o Fator Replay, mas o que realmente é isso? Por que é tão importante de se pensar nisso na hora de desenvolver um jogo? As respostas talvez estejam em outra pergunta: Por que jogamos tantas vezes o mesmo jogo? Críticos de videogame usam este fator como critério de avaliação e leigos também, embora não percebam diretamente, porém, que muitas vezes isso é deixado de lado.

Muitas pessoas voltam a jogar algo por motivos emocionais, trazer boas lembranças a tona e de certa reviver o passado, todavia, não se pode confiar totalmente na sensação de nostalgia por ser algo completamente subjetivo. As sensações vividas por cada pessoa são diferentes e o contexto ao qual estão inseridos também. Por isso, existem mecanismos capazes de criar esta vontade de ligar o console novamente e é importante explorá-los.

Segundo o psicólogo Gordon H. Bower, autor do livro Mood and Memory (1981), eventos e emoções são armazenados em conjunto no nosso cérebro, logo, se o evento de jogar está associado a uma boa lembrança, este servirá de gatilho para as emoções anteriormente presentes.

Talvez a maneira universal de fazer alguém voltar a seu jogo é deixando ele divertido, jogos casuais usam disso ao máximo, criando uma jogabilidade com grande capacidade de adição, além dos sons, recompensas (lembram-se dos bônus diários?) e outros pretextos para que o jogador sempre esteja retornado. Muitos já se pegaram jogando horas por dia de Candy Crush e não é para menos, já que foi totalmente pensado para isso. Como exemplo próprio, eu menciono a série de jogos Inazuma Eleven, a qual estou sempre voltando a jogar por pura diversão.

Em geral, conteúdos opcionais e extras pós-jogo funcionam bem porque despertam a vontade de completar 100% e aproveitar o máximo que se tem para oferecer. Obviamente, nem todo jogo está apto a ter conteúdo após seu final, porém, é sempre bom ponderar meios de adicionar minigames, missões, passagens ou itens secretos, tudo para instigar a curiosidade e o senso de exploração do jogador.

A maioria dos teóricos também concorda que um dos grandes fatores motivacionais para o jogador é a competitividade e as empresas sabem disso, desde os primórdios da indústria com o ranking de pontuação nos Arcades até o sistema de troféus online de hoje, as pessoas voltam pelo simples prazer de superar seus amigos e desconhecidos. Apesar disso, acredito que embora toda estratégia seja válida, confiam demais apenas nisso enquanto há um grande número de possibilidades a se explorar que realmente trazem um diferencial para o produto.

Modos de jogo diferentes também são uma boa pedida, seja um multiplayer para se divertir com os amigos ou DLCs (com moderação, por favor) com conteúdo extra. Não importa a mídia, deve-se estudar seu público e buscar maneiras não só de atraí-lo, mas mantê-lo, tarefa árdua, contudo extremamente necessária. Os jogadores (e seu bolso) agradecem.


14895436_1189108631159470_1658788178_oMatheus Serafim
Estudante de Jogos Digitais e Gamer de coração.
“Jogos são a experiência audiovisual mais completa e interativa já criada”