(Foto: NoobFeed)

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Ano passado eu participei de minha primeira Game Jam, um evento que consiste em fazer um jogo de um tema específico em um tempo limitado. Esses são eventos especialmente importantes porque neles podemos fazer duas coisas essenciais no mercado de jogos: preparar um portfólio e criar uma rede de contatos.

Seu portfólio é a maneira como o mercado te enxerga: através do que você faz. Para quem não sabe por onde começar, talvez um jogo feito em uma Game Jam seja um ótimo ponto de partida. Seja lá qual o tema ou o que você pretende fazer, mostre, dê seu melhor. A internet é uma plataforma na qual podemos divulgar este trabalho para o maior número de pessoas, e na área de jogos, que requer profissionais especializados nas mais diversas áreas, é necessário saber criar valor para si mesmo e vender seu esforço.

Um jogo também é algo muito complexo e isso geralmente requer uma grande equipe, logo, quanto mais pessoas você conhecer maior a chance de encontrar alguém com a habilidade que você precisa. Existem muitos profissionais talentosos em Game Jams, só é necessário saber procurá-los. Além disso, como é trivial no mundo dos negócios, uma rede de contatos ampla abre novas possibilidades não apenas de trabalho como também de persuasão e status.

Com isso em mente me preparei para tal experiência, entretanto, não foi tão fácil quanto se faz parecer. Criar um produto em um tempo tão curto já é um desafio em si, e manter a equipe organizada, trabalhando, lidar com erros e com o tempo já necessário para desenvolver são coisas que não se devem esquecer.

Como meu papel no evento era o de Game Designer, tive que lidar com a maioria destes problemas, e então aconteceu a minha primeira lição importante. Para trabalhar com jogos você não precisa obrigatoriamente cursar uma graduação, mas requer tempo e conhecimento no maior número de assuntos possíveis. O profissional de GD deve saber lidar com sua equipe de programadores, artistas, sonoplastas e fazer isso funcionar, entender a visão do jogador não é o único requisito.

Em projetos longos, um documento com as decisões tomadas pela equipe deve ser redigido de maneira clara e que cria poucas dúvidas, com atenção a cada detalhe, já que a perda de alguma peça conceitual pode mudar completamente o jogo inteiro.

Em projetos mais curtos o seu papel não deixa de ser importante e sua bagagem de conhecimento, afinal quando seu modelador perguntar se o jogo funcionará com gráficos low-end ou high-end, você quer dar uma resposta que não seja uma cara de paisagem.

Apesar de tudo isso, não é necessário uma grande experiência para participar de uma Game Jam. Qualquer pessoa que assim deseje, tem direito a comparecer e é uma excelente oportunidade de aprendizado.

A segunda coisa que aprendi foi que ter um jogo cheio de recursos é interessante, mas, otimizar seu tempo é mais importante. Manter todos trabalhando em coisas diferentes, saber calcular seu prazo, manter a comunicação e cuidar de imprevistos não é muito divertido, nem fácil, mas é extremamente necessário, além disso, fazer cortes no projeto é recorrente, mas, lembre-se que nenhuma ideia é desperdiçada se puder ser aproveitada no futuro. Mesmo correndo entre as salas e fazendo o possível, não conseguimos entregar nosso jogo a tempo, grande parte da equipe, inclusive eu mesmo, perdemos a motivação.

Mas nesse momento aprendi mais uma lição: o mercado é feito de erros.

Ao longo da história isso se repete, desde o Final Fantasy ao Angry Birds, inúmeros erros foram cometidos e se tratando de um mercado relativamente novo, muitos ainda irão tropeçar em seu caminho, porém, o segredo está em não desistir, não ter medo de arriscar e seguir em frente, pois através destes erros adquirimos experiência importante. Hoje, posso dizer que conheço um pouco mais sobre gerenciar um projeto, e você? O que está esperando para começar a errar sem medo?

 


14895436_1189108631159470_1658788178_oMatheus Serafim
Estudante de Jogos Digitais e Gamer de coração.
“Jogos são a experiência audiovisual mais completa e interativa já criada”