(Foto: EnsinoIP)

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Para quem mora em Fortaleza ou está apenas fazendo uma visitinha, existe uma atração interessante chamada Escape 60. Nós da UCEG pudemos desfrutar de uma tarde divertida em uma das salas do estabelecimento. O empreendimento já está bem expandido no eixo Rio-São Paulo, mas, esse é o primeiro da franquia a chegar no Nordeste e é uma experiência que vale a pena.

O Escape 60 te dá opções de vários cenários em que você é preso em uma sala por 60 minutos com um grupo de amigos, colegas de trabalho ou familiares que devem resolver mistérios e enigmas para sair a tempo.

Experiência é algo que valorizo muito no geral, toda a ambientação e desafios são bem pensados e divertidos o que faz valer o investimento. Porém, o mais notável são os conceitos envolvidos para criar uma ideia tão inovadora. Quais elementos dão sabor a esse prato servido tão bem?

O primeiro é algo que gosto de chamar de metalinguagem que é a apropriação de elementos dos jogos ou histórias no dia-a-dia ou vice-versa. A gramática diz que este termo descreve a explicação da língua pela própria língua, porém, permito-me me apropriar dele por um tempo para mostrar meu ponto.

O jogo Boktai:The Sun Is In Your Hands para GBA te coloca na pele de um caçador de vampiros, portador da Gun Del Sol (ou arma do sol). O grande diferencial está no fotosensor que vinha junto ao cartucho. A luz do sol no mundo real era responsável por recarregar sua energia dentro do jogo. O inverso se observa por exemplo em um simples jogo de Laser Tag ou Paintball que pode envolver equipes, pontuação eletrônica, recompensas, roleplay ou praticamente qualquer elemento desejado. Jogos em realidade aumentada são outro bom exemplo já que suas ações no mundo real tem influência direta no mundo interno do software.

Metalinguagem é falar do jogo usando o mundo real e  falar do mundo real usando o jogo. Uma situação em que ambos se combinam para se tornar uma experiência unificada, confundindo ambos em apenas um.

Criar uma experiência com esse conceito é difícil, mas, recompensador, intrigante e em geral divertido para todos os envolvidos. Isto foi usado na criação da franquia Escape 60, que traz elementos dos famosos escape games para uma experiência indoor no mundo real. A grande questão, entretanto, é como isso é vendido.

Disponível não só para amigos pessoais, a rede aposta no mundo corporativo disponibilizando também para empresas. Não apenas como uma ferramenta de interação entre colegas de trabalho, mas também uma boa oportunidade de observar habilidades de liderança, engenhosidade e talento. Fazer isso de maneira prazerosa, mas ainda assim metódica, usando elementos do videogame para os funcionários é chamado de Gamificação.

Elementos de videogame trazidos para o ensino e para o trabalho é uma tendência nos últimos anos, por trazer diversos benefícios e tornar atividades cada vez mais interessantes para seus praticantes. As vantagens desse tipo de abordagem são inúmeras mas podemos destacar algumas:

  • Estimula a competição saudável: Em quase qualquer ambiente que envolve grupos de pessoa é comum existir competição. Mas isso não é necessariamente algo ruim, sendo inclusive uma motivação a mais para fazer as coisas. Desde que realizada de maneira saudável inclusive fortalece as relações interpessoais.
  • Gera um sentimento de conquista própria: Mais que superar seus rivais, a gamificação permite que você supere a si mesmo e através de seu próprio esforço vencer desafios. Isso gera um sentimento de satisfação ao desafiado.
  • Feedback em tempo real: Assim como os jogos, recompensas gradativas são a chave. Conforme o chefe ou educador mede o progresso poderá fornecer um feedback positivo aos participantes do “jogo”. Isso manterá uma quantificação do caminho percorrido e ainda manterá os envolvidos atentos a seu desempenho.

Segundo o pesquisador Richard Allan Bartle, existem quatro arquétipos de jogadores que também podem ser encontrados no dia-a-dia e por consequência nas empresas, são eles:

(Foto: TechTudo)

(Foto: TechTudo)

O mercado da gamificação moveu cerca de pouco mais de 2 bilhões de dólares em 2016 e é considerado um elemento essencial para promover a inovação nas empresas. Permitir essa visão dos funcionários em um ambiente desafiador também permite que entendamos com qual tipo de pessoas estamos lidando e como encaixá-las melhor na equipe. Mas o que é uma experiência de jogo? Segundo Huizinga(1980, p.10), devemos observar suas principais características:

  • Participação voluntária: O  jogo é uma atividade livre, não sendo obrigatório a participação. Um jogador forçado não irá desfrutar da experiência em sua totalidade visto que sua mente estará focada em outro tipo de atividade ou pensamento.
  • Distração: Jogos muitas vezes são usados como distração. Conceito que prefiro adaptar para “diversão”, é importante ser divertido, manter o participante engajado na atividade é essencial para seu funcionamento.
  • Fuga da “realidade”: O jogo foge da identidade do cotidiano, sendo uma parte separada da realidade do jogador.
  • Objetivo: É importante para o jogador entender a meta, até onde chegar. Tendo esse objetivo a cumprir irá trabalhar para alcançá-lo e se sentirá realizado a alcançá-lo.
  • Regras: São condições para a realização do jogo, devem ser identificadas pois fazem parte das limitações da atividade.
  • Resultados: Após atingir os objetivos, é essencial que haja um feedback.
  • Finalização: O jogo precisa ter um fim ou a atividade não fará sentido.
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Nós da UCEG nos divertimos bastante

Se empregamos esses conceitos com objetivos que não são puramente entretenimento estamos realizando a gamificação. Nesse caso, sabemos que esta técnica invoca em situações de trabalho reações similares a um jogo real. É importante para as empresas estarem atentas às tendências de mercado e esta em particular que une um mercado relativamente novo a governança corporativa e permite assim um ambiente cada vez mais produtivo.

Fontes:

http://www.edools.com/o-que-e-gamificacao/

http://www.techtudo.com.br/noticias/noticia/2016/07/o-que-e-gamificacao-conheca-ciencia-que-traz-os-jogos-para-o-cotidiano.html

http://www.mjv.com.br/biblioteca/infografico-o-que-e-gamificacao

https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/169361/339504.pdf?sequence=1&isAllowed=y

http://ieeexplore.ieee.org/xpls/icp.jsp?arnumber=6758978

http://www.escape60.com.br/


Matheus Serafim
Estudante de Jogos Digitais e Gamer de coração.
“Jogos são a experiência audiovisual mais completa e interativa já criada”