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Game Talk  de hoje terá uma pegada um pouco diferente, ao invés de um artigo falando sobre jogos, fizemos uma entrevista com um profissional da área de jogos.

Em nossa primeira entrevista o foco será na modelagem 3D, para falar sobre o assunto o convidado de hoje é o Gilles Sampaio, fundador da INFINITI STUDIO e do CINEGAME, trabalha por vários anos com Computação Gráfica Avançada, é formado como Generalista 3D e Artista de Efeitos Visuais pela Universal Studios – Dave School nos EUA e especialista como Designer de Personagem 3D para Cinema na Vancouver Film School no Canadá. Ensina em 3 cursos de graduação na Universidade de Fortaleza: Audiovisual, Publicidade e Jornalismo. 

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André Mesquita: Quando você decidiu seguir essa carreira? Era um sonho profissional ou apenas um hobby?

Gilles Sampaio: Sempre tive o Mindset para isso pois era o garoto cheio de idéias que amava Cinema e Games. Vivi, cresci e acompanhei a evolução da computação gráfica acontecer na minha frente, desde a época do Tron, que foi lançado no ano em que nasci, 1982. Tron foi o primeiro filme longa metragem com atores em cenários digitais. Eu era muito criativo desde crianca, gostava de criar universos novos, super heróis, narrativas para jogos de videogame que não existiam, tinha muitas idéias e escrevia todas em um caderno, definia a cronologia dos fatos dessas estórias e como seus personagens se relacionavam. Me imaginava dentro dos universos que eu mesmo criava no caderno. Queria meus personagens virtuais interagindo com a realidade, precisava ver tudo aquilo vivo, minha vocação de Roteirista, Diretor e Produtor gritava muito forte desde criança.

Quando em 1993 Steven Spielberg colocou pela primeira vez na História do Cinema um personagem 3D totalmente funcional interagindo com atores reais eu fiquei em êxtase, pois alguém no planeta Terra tinha me provado que aquele sonho de por algo que não existe dentro da realidade era possível. No Jurassic Park esses personagens 3D eram dinossauros mas aquilo me deu a certeza que em breve iriamos ver personagens digitais humanos interagindo com atores. Fiquei literalmente esperando isso acontecer. Decidi fazer aquilo da minha vida quando vi aquele filme no Cinema, não tinha conhecimento técnico nenhum claro, mas tinha consciência de que eu tinha uma estrada para seguir. Quando o filme chegou nas locadoras, me lembro muito bem, fui na extinta King Video na Santos Dumont em Fortaleza, alugar a caixa especial de “pedra” do VHS do Jurassic Park. Brilhei os olhos quando peguei aquela caixa e pensei “O que eu quero está bem na minha frente e nas minhas mãos”. Naquele dia eu enxerguei uma estrada. Eu já mexia com CG no Photoshop mas era apenas um garoto de 11 anos e fazer aquilo funcionar em um filme era outra coisa, uma vida de dedicação.

AM: Quais as dificuldades encontradas para a realização do projeto? A sua família e amigos te apoiaram na decisão?

GS: Sempre esbarrei no velho problema da demanda de Cinema e Game no Brasil, que não tem cultura de produzir isso em larga escala. A maioria dos brasileiros não enxerga isso como um negócio, ainda hoje é assim, esse foi o maior obstáculo. Sempre vi essa área de Cinema e Game como oportunidade e algo muito profissional, mas sabia que externamente isso era visto com muita dúvida no país que eu nasci. Eu tinha consciência de que só em enxergar aquilo ser viável e executável poderia me fazer pioneiro, mas não era o bastante, eu precisa executar. Tinha uma estrada muito longa pela frente, teria que desbravar o mundo para aprender tudo aquilo. O que eu queria profissionalmente e a realidade do Brasil daquela época se chocavam, esse conflito pessoal e frustação sempre existiu desde criança. Minhas referências eram todas de fora, EUA e Japão principalmente. Eu queria ver coisa brasileira sendo produzida, eu queria PRODUZIR. 

Em 2001, foi lançado o primeiro personagem 3D humanizado do Cinema, o Jar Jar de Star Wars, e um ano depois o Smeagol de Lord of the Rings, mais uma vez vi o que eu queria fazer sendo executado na minha frente. Naquele ano eu comecei a trabalhar profissionalmente com Computação Gráfica mais avançada, foram 9 anos estudando e trabalhando com CG na demanda local de Publicidade e Arquitetura.

Passei por 4 universidades no Brasil procurando aprender essa tecnologia mas não encontrei o que buscava, acabei mesmo no 3D sozinho, como Autodidata. Cedo ou tarde teria que sair pro exterior se quisesse realmente fazer o que me propus. Minha familia tinha uma preocupação normal por essa ser uma área tão questionada, mas sempre me ajudou bastante e me incentivou a ir embora, jamais teria feito tanta coisa sem ter esses pilares dentro de casa. Minha família é minha maior motivação em tudo que eu faço.

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AM: Quando você decidiu criar a INFINITI e tocar o projeto CINEGAME?

GS: Na verdade, como idéia e conceito a Infiniti tem a minha idade, 33 anos. Porém concretizado legalmente ela existe a 8 anos. Fundei a INFINITI STUDIO em 2008 antes de sair do Brasil, para desenvolver os protagonistas das minhas duas principais franquias: “The Klown” e “The Cyberpunk Republic”. A missão da Infiniti é contar estórias extraordinárias usando soluções audiovisuais, na área de Cinema, Game, Animação, VFX e Realidade Virtual. Nossa visão é fazer do Brasil um grande pólo produtor de conteúdo nessas áreas.

Posiciono a Infiniti como o primeiro estúdio no Brasil especializado em Narrativas Cinematográficas para experiências com Realidade Virtual. É o que eu chamo de Nova Era de Cinema e Game (CINEGAME). Nunca vi o Cinema como algo diferente do Videogame, para mim eram dois jeitos diferentes de contar estórias, criar universos e narrativas extraordinárias. O CINEGAME conceitualmente é exatamente isso, a união das duas coisas “”CINEMA + VIDEOGAME”, que para mim sempre estiveram juntos. Como Modelo de Negócio o CINEGAME é uma escola ONLINE, um canal direto com o público onde a INFINITI ensina o que ela mesma faz. Escrevi o projeto e o argumento do The Klown e do “The Cyberpunk Republic” e sai do Brasil para desenvolver esse personagens, esses dois Filmes são o carro chefe da Infiniti.

Me especializei como 3D Generalist e VFX Artist na DAVE School, na Universal Studios nos EUA. Depois me especializei como Character Design for Production, na Vancouver Film School, no Canadá. Trabalhei o mesmo projeto nas duas escolas de Cinema que me formei. Durante aqueles quase 3 anos na Ámerica do Norte desenvolvi uma metodologia própria de roteiro, que é base para a Narrativa desses dois Protagonistas no percurso de suas estórias. Estou escrevendo um livro sobre o processo inteiro que passei, vou abordar tanto a minha jornada pessoal para concretizar esse Projeto, como a própria narrativa e a parte técnica da execução. Quero fazer desse Projeto o Filme mais documentado do Cinema brasileiro.

Meu projeto e tese de Mestrado e Doutorado é em cima disso, Cinematografia usando Personagens Digitais interagindo com Atores Reais. Ano passado visitei a Universidade do Sul da Califórnia e New York Film Academy, esse ano e no próximo vou visitar mais algumas universidades americanas e canadenses. Estou juntando dinheiro e negociando diretamente com elas para fazer Mestrado e Doutorado de uma vez só.

AM: Como você vê esse mercado de cinema e jogos hoje no estado/país, ele está a altura de projetos como o CINEGAME?

GS: A gente já tem muito bons games mas é pouco pro tamanho do Brasil. Isso pessoalmente me frustra, na minha cabeça o Brasil deveria ser um país lider de tecnologia. Quem já sabe mexer com isso tem muita vantagem pois são poucos os especialistas disponíveis no Brasil, e o mercado maior que absorve esses profissionais ainda é a Publicidade.

O Cinema brasileiro está começando a usar essas técnicas, já o mercado de Games cresce mais rápido. Sempre digo que a próxima década é a Era do Brasil no que diz respeito a CGI no Cinema, a Era dos Games aqui já começou nesta década. Eu acredito muito no Brasil e no potêncial desse país. É notório que muitas vezes o brasileiro se substima muito (o mundo todo percebe isso, não sou eu que estou dizendo), temos um país incrível com grandes artistas, muita criatividade e muita gente talentosa, falta talvez ainda um pouco de visão empresarial e comercial, alguém que junte todas as peças numa produção só e viabilize Projetos realmente. Quando eu morava em Vancouver via estúdios de Film e Game em toda esquina, ninguém questiona essa profissão como algo viável, espero que isso aconteça aqui também. O que eu puder fazer para ajudar a tornar esse país um celeiro de novas idéias, eu vou fazer.

AM: Para aqueles que desejam mais informações ou até ingressar no projeto, como devem proceder?

GS: O CINEGAME já lançou o primeiro Treinamento Internacional, em inglês e português, é o Character Design for Production, são 9 meses de conteúdo sobre Design de Personagem para Produção de CINEMA e GAME. Até o fim desse ano pretendo lançar mais 3 cursos especializados. Todos os cursos do CINEGAME terão uma versão brasileira e uma internacional, o conteúdo é exatamente o mesmo. Quem quiser se matricular basta entrar no site www.cinegame.tv, você vai receber por email confirmação com login e senha e o link para acessar a plataforma e a área de membros. Você terá acesso as duas versões do Treinamento. O CINEGAME tem também uma Programa de Afiliados onde você pode vender nossos Treinamentos e receber 50% do lucro como comissão. Quem quiser mais informações ou nos visitar basta me enviar um email para gilles.infiniti@gmail.com que terei maior prazer de apresentar pessoalmente todas nossas idéias.

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AM: Em nome da UCEG, gostaria de agradecer por ter nos recebido com tanta atenção e disposição. Espero que esta matéria sirva de ponto de partida para aquelas pessoas que desejam seguir uma carreira sólida no ramo de jogos em nosso estado e mostrar para eles que é possível sim, e temos pessoas preparadas para dar suporte a eles. Mais uma vez Obrigado.

GS: Muito grato a você André e todo mundo da UCEG, que estão sempre divulgando tudo que acontece no mercado de Games no Ceará e no Brasil como um todo. A gente faz parte da evolução desse mercado no Brasil e queremos cada vez mais gente somando força. Sempre digo que todos que estão fazendo isso hoje no Brasil são visionários e estão na linha de frente dessa mudança, a UCEG é parte dessa Vanguarda.