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Os jogos do gênero Beat ‘em up, ou popularmente conhecidos como briga de rua, foram um dos mais icônicos dos anos 80 e 90. Jogos onde o jogador controlava um personagem que estava atras de sua namorada que havia sido raptada ou com o objetivo de livrar a cidade de uma gangue que leva terror a população, simplesmente marcou vários gamers, principalmente aqueles que frequentavam os famosos fliperamas, mas como esse gênero surgiu e qual o motivo de sua grande popularidade?

Pra começar a falar sobre tais jogos, é interessante descrever como um jogo se adequa a tal gênero. Tradicionalmente esses jogos consistem em um personagem se movendo em uma direção continua, geralmente da esquerda para direita, e enfrentando levas de inimigos até que o caminho seja liberado e a fase concluída. Alguns jogos de luta 1×1 e jogos hack and slash também podem se enquadrar em tal gênero, contudo, não iremos abordar tais jogos em nosso artigo.

Um dos primeiros games a se adequar a tal estilo foi Kung Fu Masters, lançado em 1984 o jogo pela empresa Irem, tinha inspiração direta nos famosos filmes do mestre Bruce Lee, além de conter uma história bem simples que era uma das marcas registradas, a donzela em apuros. O jogo teve uma boa recepção e abriu caminho para outros desenvolvedores entrarem no ramo e fazerem esse estilo popularizar.

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uma prova que uma imagem vale mais do que mil palavras, o plot inteiro em uma unica foto!

Level Desing

No início devido a pouca capacidade de processamento dos processadores e placas da época, o enredo e variação de personagens não era algo muito comum, ao passar do tempo e a popularização dos gêneros o investimento era necessário para que os jogadores continuassem visitando os arcades. Assim a capcom lançou a CPS, uma placa poderosíssima para os padrões da época onde era possível lutar contra levas de inimigos ao mesmo tempo, as vezes existiam tantos inimigos na tela ao mesmo tempo que você não poderia respirar pois perderia seu precioso HP.

Outros fatos marcantes desse gênero a maneira com que você recuperava sua vida, como era um jogo de progressão linear e o tempo era outro inimigo que você tinha de lidar, a maneira com que os desenvolvedores lidaram com essa questão foi simples, porém genial, em determinadas partes do cenário era possivel ‘comer’, que estava em perfeito estado no chão e recuperar uma parcela do seu HP, o mais interessante eram os pontos onde eles estavam espalhados, geralmente era quando o jogador literalmente necessitava recuperar sua vida. Além dos pontos de vida, o números de vidas era bem limitado, o jogador tinha em media 2 vidas por ficha para completar o jogo, isso era um fator importante para aqueles que se importavam com o record e ter seu nome no topo da lista dos melhores jogadores daquela máquina, o jogo te recompensava por jogar com o menor número de fichas possíveis e terminar o jogo, algo bem divertido tendo em vista que para zerar esses jogos levava-se em média 30 minutos.

Alguns jogos investiram em novas mecânicas, com a saturação de cenários que variaram de uma cidade infestada de punks de cabelos coloridos e cheios de corrente ou uma terra mística repleta de anões com tacapes e magos poderosos, jogos como Dungeons and Dragon ganharam versões em beat ‘em up e trabalharam novas mecânicas nesse jogo, era possível aumentar o level do personagem e escolher caminhos que iriam mudar um pouco o desenvolvimento da sua história, além de contar com um número de personagens bem vasto e cada um teria vantagens e desvantagens cabendo ao jogador procurar a melhor maneira de lidar com os desafios.

Era de ouro:

Double Dragon

Após o sucesso de Kung Fu Master, empresas como thecnos decidiram singrar nos mares da pancadaria, lançando seu primeiro jogo em 1986 intitulado Renegade, o jogo te coloca no controle de Mr. K um vigilante que combate uma gigantesca gangue para finalmente poder libertar sua amada. Bem, é notório a repetição de enredo nesses jogos, entretanto isso não era uma barreira para atrair muitos jogadores, muito pelo contrário, o que atraia esses jogadores era a variedade de cenários e level design, estamos falando de uma época um pouco diferente, onde os enredos eram contados nos manuais dos jogos. Devido ao seu sucesso a Thecnos continuou investindo no mercado e no ano seguinte, lançou o que até hoje é considerado referência do estilo: Double Dragon.

O jogo narrava a história de dois irmãos Billy e Jimmy, menos na versão do NES onde o nome Billy foi trocado por Bimmy, que tiveram sua namorada sequestrada, isso mesmo, os dois tinham uma namorada em comum, e como nos demais jogos supracitados, enfrentavam diversos inimigos até o climax do jogo, porém um fato curioso era que se os jogadores jogassem em modo cooperativo, ao terminarem o jogos, ambos iriam duelar para ver quem levaria a moça, algo bem engraçado e de certa forma irônico pois você teria de derrotar aquele que te ajudou durante todo o jogo. Devido ao sucesso o jogo recebeu duas sequencias logo em seguida, Double Dragon II: The Revenge e Double Dragon III: Rosetta Stone, que sairam em 1988 e 1990 respectivamente. Um fato curioso é que o jogo acabou ganhando um filme em 1994, bastante conhecido para aqueles que eram vidrados na sessão da tarde.

 

Golden Axe

A sega, que já era uma famosa empresa que trabalhava no ramo dos arcades, e possuía equipes especializadas no desenvolvimento de jogos para fliperamas, lançou em 1989 o jogo Golden Axe. Diferente dos demais jogos, a ambientação de golden axe era voltada para um estilo medieval e fantástico, algo que lembra bastante as histórias de Connan: O bárbaro. O jogador pode escolher entre 3 personagens para iniciar sua jornada, Ax Battler; Gillius e Tyris, eles tem a missão de livrar sua mundo das garras do tirano Death Ader, algo bem parecido com os demais somente mudando um pouco o level design e o período do jogo. O uma dos nomes por trás da equipe de Golden Axe era, Makoto Uchida, responsável pela criação de Altered Beast!

3D

Mais uma vez com o advento da tecnologia tivemos um novo avanço para os jogos, o 3D veio no meio da década de 90 e foi recebido por todos de forma positiva e quase todos os jogos já famosos porsuas versões em 2d tiverem uma ou várias adaptações para o mundo das três dimensões. Com os beat ‘em ups não foi diferente, alguns jogos conseguiram portar essa fórmula de maneira primorosa, outros nem tanto, criar padrões para inimigos, as vezes 6-7 ao mesmo tempo na tela em 3 dimensões não era algo tão simples, além do jogador se acostumar com os novos controles. Alguns jogos souberam fazer esse porte de forma primorosa, podemos citar aqui alguns deles como: Crisis Beat, Fighting Force, Hokuto no Ken. Porém, muios deles acabaram evoluindo para hack & slash como mencionamos anteriormente.

 

Menções honrosas: 

Devido a o grande número de títulos não conseguimos abordar todos como deveriam na coluna, porém deixaremos uma lista com alguns jogos que merecem ser jogados não só por seu ótimo gameplay mas também por seu valor histórico na cultura gamer, confira a lista abaixo:

death and return superman

x-men

captain comando

alien vs predator

tartarugas ninja.

Beat ‘em ups acabaram ?

É difícil afirmar de forma concreta que o gênero foi extinto de vez, todavia, se analisarmos que os jogos evoluem com o tempo, podemos dizer que o clássico briga de rua evoluiu para o que chamados hoje de hack & Slash, jogos como Devil May Cry, God of War entre outros tem em sua estrutura muitos conceitos que sugiram dos clássicos jogos beat ‘em up. Na verdade esse gênero nunca deixou de existir, o que aconteceu foi a expansão do mercado dos jogos eletrônicos no final da década e 90 até hoje, outros gêneros ganharam popularidade na medida que os consoles de mesa se firmavam no mercado, basta lembrar que o gênero beat ‘em up em sua essência era ligado ao arcade, devido a alta qualidade dos jogos, o que era impossível de se imaginar, na época, um console de mesa ser capaz de reproduzir fielmente. Além disso, grandes empresas como Irem e Technos mudaram sua filosofia, a primeira sofreu com diversos problemas financeiros e acabou  migrando para o ramo das máquinas de pachinko, já a technos decretou falência em 1996!

Os beat em ups voltaram com mais força no meio dos anos 2000, com a facilidade de desenvolvedores indies lançarem jogos para lojas virtuais como steam, psn e live, da uma sobrevida a o gênero e com jogos muito bons e com um visual totalmente inspirado na época de ouro. Podemos citar aqui alguns deles:  Scott Pilgrim vs The World, Castle Crashers e até uma produção nacional lançada essa semana, 99 vidas o jogo!

99 vidas jogo nacional inspirado nos clássicos beat 'em up.

99 vidas jogo nacional inspirado nos clássicos beat ‘em up.

cstle crashers

cstle crashers

A coluna de hoje fica por aqui, a idéia era trazer mais um pedaço da história e fazer o leitor embarcar no mundo dos ‘beat ‘em ups’, caso queira se aprofundar ainda mais nesse mundo recomendamos as seguintes colunas e podcast para ficar por dentro do assunto:

Quebrando o Controle 18: A era dos arcades
Momento Retro: Double Dragon
Quebrando o Controle 20: Yu suzuki

Referências:

Ign Teenage Mutant Ninja Turtles

Evolution of a Genre: Beat ‘em Up