Armada, de Ernest Cline

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De tempos em tempos, surgem autores de nicho que acabam criando um público absolutamente fiel em que, em princípio, ninguém (além dos fervorosos fãs) saiba de onde saiu tal paixão.

Ernest Cline é um desses autores. Seu primeiro romance, Jogador Número 1, era absolutamente desconhecida do grande público (inclusive deste que vos escreve), até que um sujeito que atende pelo nome de Steven Spielberg, resolver adaptar a obra para o cinema, catapultando o autor do livro a uma nova dimensão. Possivelmente, o que chamou a atenção de Spielberg foi um conto de Cline, depois por ele roteirizado e transformado no cultuado filme Fanboys.

Como disse, não conhecia a obra de Cline (apesar de ter assistido Fanboys, não atrelei criador à criatura), mas o filme dirigido por Spielberg me chamou a atenção. E como. Dos autores mais recentes de ficção científica, já é um dos que mais me agrada, ao lado do impecável John Scalzi (autor da magistral série A Guerra do Velho, que, de repente, posso tratar aqui nesta coluna, apesar de não ser uma obra com temática gamer), ou prestigiado Richard Morgan (autor da série Carbono Alterado, recentemente adaptado em formato de uma excelente série pelo Netflix), apesar desses dois últimos jogarem na cara do leitor diversos temas filosóficos, morais e sociais para a reflexão do leitor.

Mas voltando a Ernest Cline, é absolutamente impressionante como Jogador Número 1 e Armada, conseguem condensar uma quantidade tão grande de citações e elementos da cultura geek, em especial dos jogos eletrônicos, uma obra.  Só um apaixonado por jogos eletrônicos poderia produzir obras assim. E Cline é um colecionador atento.

Não exagero dizer que Cline está os videogames, assim como Kevin Smith está para os quadrinhos, tamanho o conhecimento de outras obras da cultura pop e a forma como as conecta, de forma sutil, não forçada mas, ainda assim, efetiva para o que se propõe.

Se Jogador Número 1 centrava sua trama em uma mistura de Realidade Virtual com jogos massivos online, Armada nos transporta a um cenário de simulação de voo, também jogado online, também repleto de menções à cultura nerd em geral. Um verdadeiro deleite para os fãs de jogos de naves, por séries famosas como Space Invaders, Star Wars, Wing Commander (putz, como sinto falta de Wing Commander…) dentre outras.

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Armada não é uma obra densa em termos de ponderações ontológicas, filosóficas e sociais de sobre como será o futuro, tais como as consequências da tecnologia avançada na vida humana, ou se presta a tentar entender como será a sociedade dentro de alguns séculos porvir.

Cline não pretende nos levar a um belo cenário de futuro utópico como os imaginados por Julio Verne ou H. G. Wheels, ou futuros distópicos como aqueles imaginados por Phillip K. Dick. Seu livro, Armada, é uma obra de entretenimento e de leitura leve. Um bom passatempo. E é exatamente isso que propõe o autor. Neste contexto, entendo que se trata, em resumo, de uma competente obra de ficção científica, apensar de inferior a Jogador Número 1 do mesmo autor.

Armada é uma publicação da Editora LeYa, com 432 páginas, encadernação tipo brochura. A edição analisada foi impressa em 2015 e pode ser encontrada em livrarias e lojas on-line (inclusive em formato digital) com facilidade e com descontos promocionais, especialmente para o formato digital.


Foto Mario

Mário Coelho Bessa

“Entusiasta de jogos eletrônicos desde os 5 anos de idade, quando ganhou seu primeiro videogame, um Atari 2600. Adora a geração de 16 Bits e, por causa dela, virou colecionador”